Estadão.com.br
Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
Seu Bolso
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Número de famílias endividadas cresce 59,8% em agosto

Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Crédito, Indicadores

Fernanda Nunes

Cresceu o número de famílias com dívidas a pagar na passagem de julho para agosto, segundo a pesquisa “Endividamento e Inadimplência do Consumidor”, realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A alta de 59,8%, a maior em 2012, foi a terceira consecutiva registrada pela pesquisa. Declararam estar com dívidas em atraso 21,3% dos entrevistados, um leve avanço ante o mês anterior (21%). Contudo, caiu o número de famílias que informaram não ter condições de pagar suas dívidas, de 7,3% em julho para 7,1% em agosto.

“O porcentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros aumentou em agosto de 2012. Entretanto, o número de famílias endividadas continua em patamar inferior ao observado no mesmo período de 2011, quando 62,5% haviam declarado ter dívidas”, informou a CNC, em nota oficial. A confederação afirma que as medidas do governo de estímulo ao crédito e à aquisição de bens duráveis continuam exercendo impacto sobre o orçamento doméstico.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais instrumentos de prorrogação de pagamentos por 73,2% das famílias que afirmaram ter dívidas. Em seguida, vieram os carnês, com 18,9% do total, e o financiamento do carro, com 12,4%.

O endividamento é maior entre as famílias inseridas na faixa de renda inferior a dez salários mínimos, com índice de 61,1%, ante 58,6% registrados em julho. Já entre as que possuem renda superior a dez salários mínimos, a taxa passou de 50,5% em julho para 53,6% em agosto.

O aumento do porcentual de famílias com contas ou dívidas em atraso entre os meses de julho e agosto ocorreu apenas na menor faixa de renda. Para este grupo de consumidores, a taxa passou de 22,4% em julho para 23,7% em agosto.

Também foi o grupo de menor faixa de renda que afirmou ter menos chances de pagar as contas em atraso. O indicador passou de 8% em julho para 8,4% no mês seguinte.

A pesquisa da CNC revela ainda que o tempo médio de atraso no pagamento das contas foi de 58,4 dias em agosto. O porcentual médio de comprometimento com dívidas de até três meses foi de 27,3% e, de até um ano, de 27,2%. Em agosto, a parcela média da renda das famílias comprometida com dívidas foi de 29,6%, dos quais 17,4% correspondentes a dívidas que tomam mais da metade do orçamento doméstico.

O orçamento das famílias continua comprometido com dívidas passadas, segundo a CNC. “Observamos que os estímulos à compra de duráveis e o aumento da concessão de crédito não teve, neste ano, o mesmo efeito das medidas anteriores. As famílias vão às compras já com um nível de endividamento elevado. O orçamento doméstico ainda está comprometido”, afirmou a economista da CNC Marianne Hanson.

Ela ressalta, no entanto, que as famílias estão mais otimistas com a capacidade de pagamento das contas em atraso. Diminuiu o porcentual dos que declararam estar muito endividados, de 14,1% em julho para 13,1% neste mês.

Brasileiro está mais seletivo para aceitar emprego

Categoria: Agenda, Análise, emprego, Trabalho

GISELE TAMAMAR

O bom momento do mercado de trabalho no País tem feito com que o brasileiro seja mais seletivo ao escolher um emprego. Confiantes no recebimento de uma oferta melhor, a maioria dos profissionais tem recusado a primeira proposta. Pesquisa mostra que 74% dos entrevistados receberam mais de uma oferta antes de aceitar o cargo atual e 30% só dizem sim ao terceiro convite.

O levantamento é da empresa de recrutamento Robert Walters. Na avaliação do diretor geral da companhia no Brasil, Frédéric Ronflard, a pesquisa reflete uma grande confiança dos profissionais no mercado de trabalho, uma vez que eles sabem que terão outras boas oportunidades e podem rejeitar algumas até encontrar a melhor opção.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprova a fase favorável do emprego. A taxa de desemprego no País foi de 6% em abril, o menor nível para o mês desde o início da série histórica em 2002.

Ainda de acordo com o estudo, a parcela de pessoas que aceitam a primeira oferta no Brasil é de 26%, abaixo da média mundial de 35,1%. “Em países onde a confiança é menor, por efeitos da crise, alto desemprego ou outros fatores, os candidatos tendem a aceitar a primeira oferta, já que não têm certeza de que terão outra oportunidade melhorâ€, explica Ronflard.

Os países com os maiores índice de aceitação da primeira oferta foram: Reino Unido ( 60%), Cingapura (59%), Nova Zelândia e Malásia, ambos com 52%.
Para quem busca uma recolocação, a diretora corporativa da consultoria Thomas Case & Associados/Case Consultores Izabel de Almeida aconselha o profissional a ter consciência de seus objetivos. “É importante o candidato entender qual tipo de empresa almeja, qual a cultura da companhia, remuneração, benefícios, plano de carreira e relacionamento. Ele precisa ter a percepção do que ele quer para a vida no curto, médio e longo prazosâ€, afirma.

Durante a análise das propostas, o candidato precisa avaliar o quanto elas estão próximas das suas expectativas. Foi o que fez Vânia Pilão Navarro, de 51 anos. Depois de se desligar do emprego anterior onde trabalhou por 12 anos, ela iniciou a busca por uma nova ocupação no início do ano. Foram sete entrevistas e quatro ofertas. Ela fechou com uma agência especializada em marketing de incentivo. “Gostei da estrutura, do pessoal, do desafio, da proposta financeira e dos benefíciosâ€, conta Vânia, que assumiu o cargo de gerente de negócios há quase cinco meses.

A seu favor, ela acredita que pesou sua experiência de 20 anos no mercado com atuação em atendimento ao cliente, feiras, campanhas de incentivo, eventos de lançamento e prospecção de novos clientes. “Não sou jovem e fiquei preocupada com minha recolocação no mercado, mas minha vivência ajudouâ€, conta.

Tempo de resposta
A consultora Izabel destaca que, ao receber uma proposta, o candidato não pode demorar muito para dar uma resposta. “A empresa e o profissional devem combinar um prazo para dar um retorno. Não pode demorar muito, caso contrário, corre-se o risco de perder a oportunidadeâ€, orienta a consultora.

Ronflard afirma que o profissional desempregado precisa decidir logo. No entanto, é importante ter certeza da escolha para evitar risco de frustração e a consequente volta ao mercado. “É muito importante considerar as oportunidades como um todo, sem dar atenção apenas à parte salarial, mas também contar com a possibilidade de crescimento e de formação de uma boa trajetória profissionalâ€, ressalta Ronflard.

O desespero não deve fazer parte da hora da decisão pelo emprego. “Quem está se sentindo inseguro deve avaliar os prós e contras da proposta. O indicado é manter o foco e considerar o planejamento inicialâ€, completa Izabel.

Consumidor quer selo de qualidade em produtos

Categoria: Agenda, Análise, Consumo

CAROLINA MARCELINO

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais atentos à qualidade dos produtos que compram. Levantamento encomendado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) mostra que 69% dos entrevistados dizem ser influenciados pelo selo de segurança do órgão ao comprar algum produto, mesmo que o item custe 10% mais.

Em 2011, 53% dos consumidores consultados admitiam pagar mais por uma mercadoria com a certificação do Inmetro. Para o chefe da Divisão de Gestão Corporativa do Instituto, Silvio Ghelman, o nível de confiança está cada vez maior. “Este resultado é muito positivo para nós. A partir deste levantamento podemos traçar novos planos de pesquisaâ€, diz o especialista.
O selo do Inmetro é um certificado que atesta a qualidade do produto e se obedece padrões de fabricação e segurança.

Na pesquisa, o Inmetro detectou que as pessoas ficam mais atentas se há o selo de certificação em seis itens: brinquedos, panela de pressão, preservativo, capacete, pneu e fósforo. “As pessoas focam mais em produtos que podem colocar a saúde e a segurança em riscoâ€, explicou Ghelman.
Mas o estudo aponta um comportamento dividido do consumidor: ao mesmo tempo em que 53% dos brasileiros se importam em checar o selo de segurança em brinquedos, 45% afirmaram comprar artigos infantis de camelôs, que vendem itens falsificados e, portanto, sem nenhum tipo de garantia.

Os dados ainda mostram que 59% dos consumidores preferem adquirir um item de marca desconhecida, mas que tenha o selo. Já outros 34% responderam que dão preferência para artigos de marcas conhecidas, mesmo sem o certificado.
Quando o assunto é economizar, o brasileiro demonstra estar atento. As etiquetas de eficiência energética – que classificam eletroeletrônicos, veículos e até imóveis entre as faixas A “Procel†(mais eficiente no consumo de energia) e E (menos eficiente)- são lembradas por 92% dos entrevistados. Entre eles, 94% sabiam o que de fato a etiqueta significa.

Outro número expressivo foi o de pessoas que conhecem a marca Inmetro – 83% dos entrevistados já ouviram falar do Instituto. Dessas, 51% souberam dizer o que a entidade faz.
Segundo o Inmetro, a renda das pessoas e o local de moradia influenciaram em algumas perguntas.
Por exemplo, jovens de 25 a 34 anos do Sudeste têm nível maior de conhecimento sobre a marca Inmetro. Já na questão de confiança, consumidores que estudaram ao menos até a 4ª série são os que mais confiam no órgão.

A Pesquisa de Imagem e Satisfação da População 2012 foi feita entre 15 e 29 de janeiro pela MDA Pesquisa. Foram entrevistadas 2.726 pessoas com idade a partir de 16 anos e escolaridade entre analfabeto e pós-graduado. As perguntas foram feitas em 52 municípios de dez Estados.

Cresce a inadimplência entre jovens de até 30 anos

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Investimentos, Juros

GISELE TAMAMAR

Menos experientes e mais impulsivos, os jovens com até 30 anos estão cada vez mais presentes na lista de inadimplentes. Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Boa Vista Serviços mostra que a faixa etária já representa 44% dos entrevistados que não conseguiram pagar as dívidas em setembro em São Paulo. Há um ano, o porcentual era menor: 36%. Para não ficar com o nome sujo, as orientações dos especialistas incluem análise crítica, organização e força de vontade.

As tentações são muitas: baladas, roupas da moda, sapatos e eletrônicos. E justamente os gastos com roupas e calçados lideram a lista dos produtos comprados que causaram inadimplência. O desemprego também continua na liderança dos fatores que levaram ao calote com 51%, mas o descontrole dos gastos é o que mais cresceu nos últimos 12 meses, passando de 11% para 18%.

“A oferta excessiva de crédito em conjunto com a ausência de educação financeira entre os jovens que entraram no mercado de consumo resultaram na inadimplência nessa faixa etáriaâ€, destaca o educador e consultor financeiro Ãlvaro Modernell. Segundo ele, a inadimplência foi causada por uma soma de pequenas dívidas, o que caracteriza descontrole financeiro.

Na avaliação de Edson Sadao, professor do mestrado profissional em finanças da Fundação Escola de Comércio Ãlvares Penteado (Fecap), o jovem endividado precisa repensar seu padrão de consumo.

“Muitas vezes o jovem se endivida por causa do consumo imediato. Eles são seduzidos pelo consumoâ€, afirma.

Durante o processo de avaliação, é preciso descobrir para onde está indo o dinheiro. A orientação dos especialistas é anotar as despesas, incluindo os pequenos gastos, como o café da tarde e o doce de sobremesa.

Para quem gosta de shoppings, a dica é simples: diminuir a frequência e ir até o local com objetivos específicos. “Algumas pessoas buscam lazer nos shoppings, mas a partir do momento que você entra no local, será seduzido a comprarâ€, afirma Sadao. No caso das baladas, a orientação também é diminuir a frequência e prever os gastos no orçamento. “O jovem pode levar uma quantia preestabelecida. Se pretende gastar R$ 50, leve R$ 50â€, afirma Modernell.

Única parcela
O educador financeiro reforça a orientação para o pagamento à vista. “Se não tem como pagar, junte o valor para depois gastar. Assim, o jovem não fica endividado e ainda consegue negociar um descontoâ€, aconselha.

A orientação é seguida pelo empresário Ricardo de André Motta, de 29 anos. Ele se enrolou com as finanças apenas uma vez, quando era adolescente. “Foi com o primeiro cartão de crédito e precisei pagar os jurosâ€, lembra.

Desde então, ele segue com o orçamento controlado e há seis anos organiza os gastos em planilhas. “Anoto todos os gastos, analiso mês a mês e um terço do meu salário é destinado para investimentosâ€, conta Motta, que aplica em renda fixa, previdência privada e tem planos de se dedicar mais ao homebroker, programa eletrônico de venda de ações.

O empresário tem dois cartões de crédito, mas a preferência é pelo pagamento à vista. “Os cartões ficam em casa. Pago mais com o cartão de débito e com dinheiro mesmo.â€

O professor da Fecap explica que o planejamento financeiro envolve aspectos racionais e emocionais. “É preciso avaliar como a pessoa é. O cafezinho da tarde pode ter importância diferente de acordo com o perfil da pessoa. Se ela precisa tomar o café, se a faz sentir bem, será preciso olhar para outros gastosâ€, esclarece Sadao.

Empresários mais otimistas com o 4º trim

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Consumo, Crédito, Empresas, Inflação, Juros, Serviços

CAROLINA MARCELINO

Os empresários brasileiros estão mais otimistas para o quarto trimestre. Segundo pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial, divulgada ontem, 82% dos 1.020 entrevistados disseram que vão rever para cima o faturamento de seu negócio nos últimos três meses de 2011. No terceiro trimestre esse índice era de 79%.

Ante o quarto trimestre do ano passado, porém, o número diminuiu. Em 2010, 87% acreditavam que iriam aumentar o faturamento. O economista da Serasa Carlos Henrique de Almeida, diz que a queda não é preocupante. Para ele, o aumento nos juros e o endividamento dos consumidores é o que contribuiu para o recuo. “Depois dos Dia das Crianças o cenário voltará a ser favorávelâ€, afirma.

O setor que se mostrou mais otimista foi o comércio, com 88% dos empresários afirmando que vão rever para cima o faturamento no quarto trimestre do ano.

Para a professora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração (FIA), Dariane Castanheira, os empresários que não lidam com exportação e importação não devem se preocupar. “O mercado nacional está intacto. O que influenciou o resultado da pesquisa foi a crise internacionalâ€, explica.

No geral, 65% acreditam que seu faturamento será superior ao de 2010. Para 22%, será igual e para 13%, inferior.