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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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Planeje-se para a virada na carreira

Categoria: Carreira, Trabalho

 ELENI TRINDADE

Quando a insatisfação com o trabalho se torna insustentável e a vontade é dar uma virada na carreira, a palavra de ordem é planejamento pessoal. Consultores ouvidos pelo JT são unânimes em afirmar: é preciso se preparar para fazer essa transição para evitar frustrações.

“A virada na carreira não precisa acontecer de forma abrupta. Sempre que possível, é um processo que deve ser feito de maneira cuidadosa, a menos que o trabalhador receba uma proposta irrecusável”, acredita Luiz Edmundo Rosa, diretor nacional de Educação da Associação Brasileira da Recursos Humanos (ABRH Nacional).

“Quando a decisão é por impulso, a pessoa entrega a própria vida à sorte e a vida não é um jogo. Outras pessoas ligadas ao trabalhador, como filhos e pais, podem ser prejudicadas”, acrescenta o especialista.

Um dos primeiros passos é fazer um diagnóstico do momento presente. “O trabalhador deve se perguntar por que se sente frustrado, como pode melhorar suas habilidades técnicas e comportamentais e com qual área mais se identifica”, explica Izabel de Almeida, diretora executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos. “Feita essa análise, o profissional deve buscar formas de colocar em prática suas resoluções.

E isso inclui desde terapia para ganhar mais confiança, fazer cursos e mudar hábitos. O que não pode é ficar insatisfeito em um lugar por medo.”

No processo de autoconhecimento está incluída a opinião de colegas, amigos e parentes. “É importante ouvir de pessoas de confiança a imagem que têm de você. Eles são a melhor referência porque nem sempre temos consciência total sobre em que realmente somos bons”, destaca Luiz Edmundo Rosa, da ABRH Nacional.

Seja qual for o motivo da mudança (insatisfação, oportunidade única ou intuição) é sempre importante conter os gastos para eventuais desapontamentos.

“Quem é pego de surpresa por uma oferta única, pode não ter tempo de se planejar, mas em outros casos é importante guardar um dinheiro para se manter com tranquilidade nessa fase de transição”, opina o consultor de carreiras Carlos Hilsdorf.

 <b>Hora de mudar</b>

Por discordar dos valores da empresa onde estava, Elaine Poltronieri, 44 anos, decidiu dar uma virada na carreira após mais de 20 anos de experiência em grandes companhias, exercendo cargos de média gerência selecionando candidatos e dando treinamentos. “Meu sonho, como psicóloga formada, era ajudar no desenvolvimento de pessoas”, diz ela.

Com a decisão tomada em 2008, ela fez MBA, curso de coach e reviu os gastos para montar uma reserva financeira. Na mesma época, surgiu uma oportunidade na empresa em que trabalhava para treinar executivos e escrever manuais e Elaine decidiu abraçar o projeto.

Depois de um ano de trabalho intenso no novo cargo, tudo mudou. “Estava tão exausta que tive estafa mental e fiquei com a coluna travada. Fiquei mais quatro meses afastada e só depois me desliguei da empresa”, diz.

Hoje ela atua como psicóloga, coach e escritora. “Atendo meus clientes pessoalmente e pela internet, tenho mais qualidade de vida e me sinto realizada.” O percurso, no entanto, nem sempre é fácil.

Elaine Poltronieri: virada na carreira. Foto: ERNESTO RODRIGUES/AE