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Domingo, 19 de Maio de 2013
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Demitido terá que se qualificar

Categoria: educação, qualificação, Trabalho

SUZANE G. FRUTUOSO

Trabalhador que solicitar o seguro-desemprego pela terceira vez em dez anos terá de fazer um curso de qualificação, com carga mínima de 160 horas. A regra foi publicada ontem no Diário Oficial da União decreto.

A mudança regulamenta a Lei 12.513/2011, que instituiu em outubro passado o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O objetivo é democratizar e expandir o acesso à educação profissional e técnica, sempre com aulas gratuitas. Mas muitos detalhes de como funcionará todo o processo ainda não estão claros.

A regra vale para profissionais com ensino médio. A execução dos programas de qualificação será competência do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e do Emprego. Os ministérios devem se reunir nos próximos dias para definir as portarias com seus critérios exatos. O esperado é que a nova lei passe a valer ainda este semestre. Só então a pessoa que pedir o benefício pela terceira vez em uma década precisará se qualificar.

A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informa que os critérios para participação do curso e das atividades obrigatórias ainda serão discutidos. Uma certeza, porém, deve causar polêmica.

Exceção
Segundo o ministério, se o trabalhador não tiver na região em que mora um curso de qualificação em sua área, ficará livre da exigência e receberá de qualquer maneira o seguro. Quem for obrigado a realizar a qualificação, nesse caso, poderá se sentir lesado.

“É uma crítica ao programaâ€, diz Wolnei Tadeu Ferreira, diretor jurídico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional). Abre um precedente para o profissional entrar na Justiça. “A pessoa precisaria provar que alguém em situações absolutamente semelhantes à sua — atividade, carga horária, função — recebeu o benefício sem passar pelo curso enquanto ela teve que se submeter à qualificação.â€

Outra maneira de o trabalhador conseguir o benefício sem curso é comprovar que nos últimos dez anos passou por programas de qualificação no setor em que atuava.

As qualificações serão oferecidas pelos serviços nacionais de aprendizagem (como o Senai) e instituições de educação profissional e tecnológica habilitadas pelo Ministério da Educação (MEC), mesmo particulares.

O Senai-SP informou que já sabe que oferecerá diferentes modalidades de capacitação a mais de 40 segmentos da indústria.

Benefício
Têm direito ao seguro, cujo teto está, hoje, em R$ 1.163,76, trabalhadores desempregados que tiverem sido demitidos sem justa causa. Carteira assinada entre 6 e 11 meses dá direito a até três parcelas do seguro.

Já o profissional que trabalhou de 12 a 23 meses no período pode receber até quatro parcelas. Registrado por mais de dois anos pode receber até cinco parcelas.

Setor de estética oferece 2 mil vagas

Categoria: Carreira, educação, Trabalho

GISELE TAMAMAR

Profissionais de estética qualificados estão em falta no mercado. Estimativa do Sindicato dos Empregadores em Empresas e Profissionais Liberais em Estética e Cosmetologia do Estado de São Paulo (Sindestética) aponta a existência de 2 mil vagas disponíveis no Estado, sendo 1,2 mil na capital, para profissionais especializados em estética facial e corporal, massagem, depilação e maquiagem definitiva.

Desde janeiro, a profissão de esteticista é reconhecida por meio da Lei 12.592, regulamentação que ajudou a aumentar a busca por trabalhadores qualificados, com cursos técnicos. O salário desses profissionais varia de R$ 900 a R$ 1,2 mil – mais comissão. Quem atua como autônomo chega a ganhar até R$ 3,5 mil. Além das tradicionais clínicas de estética, resorts, hotéis, navios de luxo, academias e hospitais também estão em busca de mão de obra.

Quem quiser se candidatar a uma das vagas pode entrar em contato com o sindicato, que terá seu currículo avaliado e encaminhado a uma empresa próxima de sua residência. “O profissional precisa sempre se especializar. O campo de atuação é muito amplo, o ideal é escolher a área que gosta para atuarâ€, explica a presidente do Sindestética, Daniela Lopez.

Empresas do ramo têm dificuldade em encontrar trabalhadores especializados para preencher seus quadros (Foto: EVELSON DE FREITAS / AE – 27/7/2010)


Os autônomos também têm a possibilidade procurar ajuda do sindicato, que pode direcionar o trabalhador para atuar em hotéis e navios, por exemplo.

A Onodera Estética — empresa que tem 53 unidades no País — tem dificuldade em achar profissionais dentro do perfil desejado. “Além da qualificação técnica, buscamos um profissional que saiba se relacionar com o cliente, saiba trabalhar em equipe e tenha interesse em se atualizar, por exemploâ€, diz a diretora da rede de franquias Onodera, Lucy Onodera.

A companhia chega a pagar entre 20% a 30% a mais do que há dois anos a seus funcionários em razão da situação do mercado.

Cursos
Na área de qualificação, uma opção é o curso técnico do Centro Avançado de Estética Payot, que registra crescimento de 15% a 20% ao ano. De acordo com a diretora de ensino do centro, Solange Gonçalves de Oliveira Hid, a faixa etária das alunas é bem diversificada. Mas a maioria (50% a 60%) está em busca da primeira profissão. O restante pretende mudar de área ou busca ampliar seus conhecimentos.

Já a Universidade Anhembi Morumbi oferece o curso de graduação com duração de três anos. “É um mercado crescente, que inclui o consumo de cosméticos, serviços de beleza e bem-estar. Com isso, os profissionais do setor têm mais oportunidades de atuaçãoâ€, destaca Cristina Duarte, coordenadora da graduação em Estética da instituição de ensino superior.

Alternativa
Segundo Cristina, atuar na indústria é uma alternativa para o profissional, que pode atuar nos centros técnicos para ministrar treinamentos e fazer testes de eficácia de cosméticos. A bolsa-auxílio do estágio em estética varia de R$ 800 a R$ 2 mil.

“O profissional de estética tem três focos: saúde, beleza e tecnologia. E pode escolher uma entre diversas áreas de atuaçãoâ€, diz Cristina.

O curso também inclui aulas de marketing e gestão para quem pretende abrir negócio próprio. “Cada empresa emprega, em média, entre seis e 12 profissionais. Temos um mercado crescente, mas pouca mão de obra qualificadaâ€, finaliza Daniela Lopez, do Sindestética.

Procura por intercâmbio em família cresce 40%

Categoria: Carreira, educação, Empresas

SUZANE G. FRUTUOSO

Adultos que devem se manter atualizados no mercado de trabalho. Jovens que precisam ingressar no mundo profissional cada vez mais preparados, com inglês na ponta da língua e encaminhados em mais um idioma. Tanta exigência, para todas as gerações, impulsionou o intercâmbio em família, tendência que cresceu 40% apenas nos últimos dois anos, de acordo com agências do setor.

A melhora do poder aquisitivo do brasileiro também influencia o movimento. Muitos já puderam viajar a lazer. Investir numa experiência de estudos, absorvendo ao mesmo tempo a cultura de outro país, é uma segunda etapa.

“É uma necessidade dos pais e um incentivo para os filhos se prepararem e arriscarem viagens maiores no futuroâ€, diz Marcia Mattos, gerente de Cursos no Exterior do Student Travel Bureau (STB). Ela afirma que a procura só no segundo semestre de 2011 aumentou em 80%. Para Marcelo Albuquerque, diretor da IE Intercâmbios, a valorização do Brasil criou novas oportunidades de trabalho. “E as pessoas sentem que qualificação é indispensável.â€

O que pode mudar no modelo de intercâmbio em família é a acomodação. “É comum o aluguel de um apartamentoâ€, diz Tereza Fulfaro, diretora de educação da CI, Central de Intercâmbio. Mas a opção de casa de família ainda é a mais procurada pelos estudantes. Todos podem frequentar o curso de idiomas na mesma escola, mas em turmas diferentes. As crianças já são aceitas nos programas a partir dos 8 anos. As horas de passeio são aproveitadas em conjunto, assim como tarefas cotidianas, como a ida ao mercado, que se torna um outro jeito de aprender.

Em média, as famílias optam por 30 dias de estudo no exterior. Mas há opções de duas semanas em diante. Um curso de um mês no Canadá, por exemplo, para quatro pessoas com passagem aérea e acomodação incluídas sai por cerca de R$ 20 mil. As escolas costumam dar dicas de atividades com descontos, como indicação de dias com entrada gratuita em museus ou locais em que crianças não pagam, o que ajuda no custo-benefício.

O sonho de conhecer Paris da aposentada Eneida Catanho Vargas Ramos, 57 anos, foi realizado na companhia da filha, a universitária Larissa, 23 anos. Elas estudavam francês na mesma escola há dois anos. Desde o princípio mãe e filha tinham a ideia de fazerem juntas o intercâmbio na França. Ao procurarem a agência, souberam que muita gente também vivia esse mesmo momento em família. Animaram-se ainda mais.

Eneida e sua filha Larissa fizeram uma viagem de intercâmbio para França juntas (Foto: Daniel Teixeira/AE)

A jovem, aluna de comércio exterior e que antes já havia participado de intercâmbios no Canadá, Inglaterra e Argentina, afirma que ao estudar em outro país se conhece melhor a cultura do local. E como gosta de estudar com a mãe, a viagem ficou mais interessante. “Fui exigente na viagem. Não deixava a gente falar em português, nãoâ€, afirma Larissa. Ela e a mãe dividiram um quarto numa casa de família.

A desvantagem dessa viagem entre pais e filhos seria justamente o risco de falar português mais do que seria recomendado, prejudicando o desempenho nos estudos. Tem que ser determinado, como Eneida e Larissa.

“Ainda assim não acredito que o impacto de falar português entre si seja tão grande. Eles estarão falando em outro idioma seis, oito horas por dia. O raciocínio é no novo idioma. Não prejudica a imersãoâ€, diz Albuquerque.

Os destinos mais procurados para a experiência em família são Estados Unidos – em especial Nova York, Flórida e Califórnia –, pelos preços atrativos; Canadá, também com valores acessíveis e povo amigável; e Inglaterra, onde a moeda local, a libra, nunca esteve tão barata. A escolha pela Europa traz como vantagem a chance de se visitar vários países.

Microempresas são boa opção de estágio

Categoria: Carreira, Empresas, Trabalho

Quem está a procura de um estágio não deve voltar sua atenção apenas para os processos seletivos das grandes companhias. Isso porque 66% das vagas se concentram nas micro e pequenas empresas, segundo o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube).

Já as grandes empresas respondem por 20% das vagas e as médias, 14%. Atualmente o Nube tem 2.625 vagas de estágio para o Estado de São Paulo. Já o Centro de Integração Empresa-escola (CIEE) prevê 36 mil oportunidades até o fim de fevereiro para o Estado.

A possibilidade de ascensão rápida é uma das vantagens de estagiar em uma empresa pequena. Depois de uma experiência de seis meses em uma grande companhia, a estudante de administração Rhaiza Rodrigues de Oliveira, de 19 anos, passou a fazer estágio em uma firma de porte menor. Ontem, após cinco meses de contrato, ela foi efetivada pela Total IP, empresa de soluções integradas de telefonia para call centers. “Na Total tive uma chance maior de crescimentoâ€, relata.

Outra vantagem para quem estagia em empresas microempresas é enfrentar um processo seletivo mais rápido. Porém, os especialistas fazem questão de destacar: seja na pequena ou na grande companhia, a experiência adquirida será um diferencial na carreira.

“A oportunidade vai surgir em função do desempenho do estagiárioâ€, destaca o superintendente de operações do CIEE, Eduardo de Oliveira. E trabalhar em uma pequena empresa não significa que o estagiário vai ganhar menos. O valor da bolsa-auxílio vai variar de acordo com o curso, carga horária, qual semestre o aluno está cursando, faculdade e qualificações, assim como conhecimento de outro idioma.

Atrativos
No caso da empresa de tecnologia da informação Blue Service, o diretor Rodrigo Jorge Resegue decidiu pagar bolsa-auxílio 5% maior do que o oferecido no mercado para atrair bons estagiários.

Um dos aprendizes contratados foi o estudante de ciência da computação Gabriel Miquilin Cucick, 23 anos. “O desafio é crescer junto com a empresa. E por ser de menor porte, o trabalho é avaliado mais de perto, mas a possibilidade de crescimento é maior.â€

O presidente do Nube, Carlos Henrique Mencaci, também destaca que o estagiário da pequena empresa tem contato com todas as áreas e tem uma visão global do que está acontecendo no dia a dia.

Porém, trabalhar em pequenos negócios também tem desvantagens. Isso porque as grandes organizações, principalmente as multinacionais, têm estruturas mais organizadas. “O estágio possibilita um contato com procedimentos mais modernosâ€, diz Mencaci. :: Gisele Tamamar

Planeje-se para a virada na carreira

Categoria: Carreira, Trabalho

 ELENI TRINDADE

Quando a insatisfação com o trabalho se torna insustentável e a vontade é dar uma virada na carreira, a palavra de ordem é planejamento pessoal. Consultores ouvidos pelo JT são unânimes em afirmar: é preciso se preparar para fazer essa transição para evitar frustrações.

“A virada na carreira não precisa acontecer de forma abrupta. Sempre que possível, é um processo que deve ser feito de maneira cuidadosa, a menos que o trabalhador receba uma proposta irrecusável”, acredita Luiz Edmundo Rosa, diretor nacional de Educação da Associação Brasileira da Recursos Humanos (ABRH Nacional).

“Quando a decisão é por impulso, a pessoa entrega a própria vida à sorte e a vida não é um jogo. Outras pessoas ligadas ao trabalhador, como filhos e pais, podem ser prejudicadas”, acrescenta o especialista.

Um dos primeiros passos é fazer um diagnóstico do momento presente. “O trabalhador deve se perguntar por que se sente frustrado, como pode melhorar suas habilidades técnicas e comportamentais e com qual área mais se identifica”, explica Izabel de Almeida, diretora executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos. “Feita essa análise, o profissional deve buscar formas de colocar em prática suas resoluções.

E isso inclui desde terapia para ganhar mais confiança, fazer cursos e mudar hábitos. O que não pode é ficar insatisfeito em um lugar por medo.”

No processo de autoconhecimento está incluída a opinião de colegas, amigos e parentes. “É importante ouvir de pessoas de confiança a imagem que têm de você. Eles são a melhor referência porque nem sempre temos consciência total sobre em que realmente somos bons”, destaca Luiz Edmundo Rosa, da ABRH Nacional.

Seja qual for o motivo da mudança (insatisfação, oportunidade única ou intuição) é sempre importante conter os gastos para eventuais desapontamentos.

“Quem é pego de surpresa por uma oferta única, pode não ter tempo de se planejar, mas em outros casos é importante guardar um dinheiro para se manter com tranquilidade nessa fase de transição”, opina o consultor de carreiras Carlos Hilsdorf.

 <b>Hora de mudar</b>

Por discordar dos valores da empresa onde estava, Elaine Poltronieri, 44 anos, decidiu dar uma virada na carreira após mais de 20 anos de experiência em grandes companhias, exercendo cargos de média gerência selecionando candidatos e dando treinamentos. “Meu sonho, como psicóloga formada, era ajudar no desenvolvimento de pessoas”, diz ela.

Com a decisão tomada em 2008, ela fez MBA, curso de coach e reviu os gastos para montar uma reserva financeira. Na mesma época, surgiu uma oportunidade na empresa em que trabalhava para treinar executivos e escrever manuais e Elaine decidiu abraçar o projeto.

Depois de um ano de trabalho intenso no novo cargo, tudo mudou. “Estava tão exausta que tive estafa mental e fiquei com a coluna travada. Fiquei mais quatro meses afastada e só depois me desliguei da empresa”, diz.

Hoje ela atua como psicóloga, coach e escritora. “Atendo meus clientes pessoalmente e pela internet, tenho mais qualidade de vida e me sinto realizada.” O percurso, no entanto, nem sempre é fácil.

Elaine Poltronieri: virada na carreira. Foto: ERNESTO RODRIGUES/AE