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Domingo, 19 de Maio de 2013
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Selic a 7,25% dá vantagem à poupança

Categoria: Agenda, Análise, Finanças pessoais, Indicadores, Inflação, Investimentos, Juros

Luiz Guilherme Gerbelli

O novo corte na taxa básica de juros anunciado ontem pelo Banco Central reforçou ainda mais o bom desempenho da poupança na comparação com os fundos de renda fixa.
A poupança antiga – cujo rendimento permanece em 0,5% ao mês mais a Taxa de Referência (TR) – continua com a rentabilidade preservada em 6,17% ao ano e bate todas os investimentos em fundo de renda fixa, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Já a nova poupança – atrelada a 70% da Selic – vai passar a ter um rendimento de 0,4138% ao mês (ou 5,08% ao ano mais a TR) e, mesmo assim, mantém rendimento superior a boa parte dos fundos de renda fixa. A nova poupança só vai perder para os fundos de renda fixa com taxas de administração entre 0,5% e 1% (ver ao lado). Com a Selic em 7,5%, a aplicação tinha um rendimento de 5,25% ao ano.

Na prática, se a Selic permanecer estável em 7,25% ao ano, um montante de R$ 10 mil aplicado na poupança antiga vai render R$ 617 no período. Na nova poupança, esse mesmo montante vai render R$ 508.
“A poupança antiga continua imbatível e a nova poupança, como não cobra taxa de administração, ganha na maioria das situações dos fundos de investimentoâ€, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac. Ele recomenda que o investidor sempre avalie a taxa de administração cobrada para obter o melhor ganho na aplicação. “Se a taxa for superior a 1% ao ano, o investidor deve avaliar a aplicação porque o fundo deve estar perdendo da poupançaâ€, afirma.

Mais pesquisa. As seguidas reduções da taxa básica de juros – a de ontem foi a décima seguida – tiraram da zona de conforto o investidor acostumado com o ganho fácil do juro alto. Agora, na avaliação dos especialistas, um ganho maior pode ter como contrapartida mais risco e menor liquidez. “É natural que o investidor comece a enfrentar essa situação de baixo ganho e passe a ter mais risco e diversificação no portfólioâ€, diz Michael Viriato, professor do Insper. Entre as alternativas, ele sugere, por exemplo, aplicação na Bolsa de Valores ou em fundos imobiliários.

Para aplicação em Bolsa de Valores, o professor do Insper recomenda que o investidor descubra qual o seu perfil: mais moderado ou arrojado. “De acordo com esse perfil, se o investidor for mais moderado, por exemplo, sempre que ele fizer uma aplicação, deve alocar um porcentual escolhido para a Bolsa. Se fizer sempre isso, o investidor vai comprar tanto em momentos favoráveis como nos desfavoráveisâ€, afirma.
Na avaliação de Viriato, a diversificação no portfólio de investimento já deveria ter sido iniciada pelos investidores, pois as sucessivas quedas dos juros deixaram o investimento em renda fixa pouco atrativo há bastante tempo.

Para Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), uma possibilidade de investimento pode ser em títulos indexados à inflação. “É uma possibilidade que o investidor fica garantido com a inflação. Num prefixado, corre o risco de a inflação subir e o rendimento ficar negativoâ€, afirma ele, para quem “há um risco muito grande de a inflação voltar a subir no ano que vemâ€.

No longo prazo, apesar do espaço mais curto para uma queda da taxa de juros nas próximas reuniões do BC, o cenário dos investimentos não deve ser muito alterado.
“A tendência é de uma estabilidade daqui para frenteâ€, afirma o vice-presidente da Anefac.

BC reduz juro para 7,25%

Categoria: Agenda, Análise, Inflação, Investimentos, Juros

Eduardo Cucolo

O Banco Central reduziu ontem o ritmo de corte dos juros, que passaram de 7,5% para 7,25% ao ano, e indicou que não deve mexer novamente na taxa básica por um período “suficientemente prolongado†para garantir a queda da inflação. Pela primeira vez desde março, a decisão não foi unânime.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, e outros quatro diretores da instituição votaram pela queda da taxa. Houve, no entanto, três votos pela manutenção dos juros, outro sinal que reforçou as apostas de que o ciclo de queda da Selic iniciado em agosto de 2011, quando a taxa estava em 12,5%, terminou. Votaram pela manutenção os diretores Carlos Hamilton (Política Econômica), Anthero Meirelles (Fiscalização) e Sidnei Corrêa Marques (Organização do Sistema Financeiro).

No comunicado sobre a decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC diz que “a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linearâ€. O BC citou ainda os riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional como fatores para a decisão.

Desde agosto do ano passado, foram dez cortes de juros. O de ontem foi o menor, de apenas 0,25 ponto porcentual. Em agosto, na reunião anterior do Copom, os juros caíram 0,5 ponto. Na época, no entanto, o BC disse que se houvesse espaço para mais um corte ele se daria “com máxima parcimôniaâ€.

Expectativa. A próxima reunião do Copom, a última deste ano, está marcada para os dias 27 e 28 de novembro, e a expectativa da maioria dos economistas é de manutenção dos juros. Em relação à decisão de ontem, o mercado financeiro estava dividido, pois muitos acreditavam que os juros ficariam estáveis.

A aposta de corte ganhou força na semana passada, quando o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Luiz Awazu Pereira, destacou a persistência de um quadro de crescimento “medíocre†na economia mundial, “por um período mais prolongado do que originalmente se antecipavaâ€. O diretor, que havia feito comentários pessimistas sobre a crise exatamente na véspera do primeiro corte de juros de 2011, afirmou ainda que é importante “calibrar o ponto mais favorável†para que o crescimento do Brasil continue a acelerar sem riscos para a inflação.

No início desta semana, o Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento mundial para 3,3% e a do Brasil para 1,5%. A estimativa do BC também caiu, para 1,6%, desempenho que o Ministério da Fazenda já classificou como “piadaâ€.

Para 2013, a perspectiva é que os juros voltem a subiu a partir de outubro. As previsões do mercado para o índice oficial de preços para 2012 e 2013 estão próximas de 5,5%, acima do centro da meta de 4,5%, mas dentro do intervalo de tolerância que é de até 6,5%.

Os dados mais recentes do BC mostram que os juros para o consumidor já caíram cerca de 10 pontos porcentuais nos 12 meses encerrados em agosto deste ano.

Vendas no setor de varejo sobem 1,4%

Categoria: Agenda, Análise, comércio

As vendas no varejo registraram forte alta na passagem de junho para julho pelo segundo mês consecutivo. O aumento foi de 1,4%, após avanço de 1,6% no mês anterior, informou o IBGE.
O resultado comprova que as políticas de incentivo ao consumo estão surtindo o efeito desejado pelo governo.

O corte na taxa básica de juros, a maior oferta de crédito e a inflação sob controle ajudaram o comércio, assim como a redução do IPI. “Parece que está dando resultadoâ€, avaliou Reinaldo Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. “Não tenho como dizer que o comércio deu uma engrenada olhando só os últimos dois meses. Tenho que aguardar, ver os próximos resultados. Há uma tendência na curva (das vendas) que é de crescimento, mas não posso afirmar que no mês que vem cresça de novo.â€

O avanço de julho foi disseminado, com sete entre oito atividades registrando expansão nas vendas. Mas o bom desempenho dos setores de supermercados e móveis e eletrodomésticos tiveram grande influência no resultado.

“Apesar da disparada nos preços dos alimentos, o crescimento real da renda ainda é positivo e vem beneficiando o setor de supermercados. Ao mesmo tempo, as melhores condições de crédito e as isenções fiscais continuam mantendo a atividade de móveis e eletrodomésticos num ritmo forteâ€, explicou Bruno Fernandes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). ::
Daniela Amorim

BB e Caixa anunciam redução de taxa de juros do cartão de crédito

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Juros

João Villaverde

Horas antes de a presidente Dilma Rousseff cobrar, em cadeia nacional de televisão, o corte nas taxas de juros ao consumidor, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa anunciaram cortes nas taxas dos cartões de crédito.
O expediente seguiu o mesmo roteiro inaugurado em 3 de abril, quando BB e Caixa iniciaram o movimento de reduzir o custo de diferentes linhas de crédito. No dia anterior, Dilma havia aproveitado a cerimônia de ampliação do plano Brasil Maior para cobrar publicamente os bancos a cortarem os juros.

O BB reduziu as taxas para o parcelamento das faturas dos cartões de crédito Ourocard em cerca de 30% – do intervalo de 2,88% a 5,70% ao mês para 1,94% a 3,94% ao mês.
A medida anunciada ontem já vale para as faturas com vencimento a partir do próximo dia 17, uma segunda feira.

Caixa
Já a Caixa reduziu a taxa anual do rotativo dos cartões de crédito em até 52%, mas com prazo de validade: a medida, que vale para todos os clientes do banco, termina em 31 de dezembro. Já a taxa anual cobrada quando o pagamento com o cartão de crédito é parcelado foi reduzida em até 36,87%.
As novas taxas oferecidas pela Caixa estão disponíveis para compras feitas desde o início deste mês, lançadas nas faturas a partir de outubro. O prazo de parcelamento é de até 36 meses.
O movimento de queda nas taxas de juros tem sido possível devido aos níveis reduzidos de inadimplência, afirmou ao Estado o vice-presidente do Banco do Brasil para Novos Negócios, Atacado e Mercado de Capitais, Paulo Caffarelli.

Calote
Enquanto a inadimplência do setor financeiro como um todo estava em de 3,78% em julho, segundo dados do Banco Central (BC), as contas em atraso no BB no mesmo mês representavam 1,77%.
Se levado em consideração o critério de BB amplo, que contabiliza também as operações geradas pela parcela de 50% detida pelo BB no Banco Votorantim, a taxa de inadimplência era de 2,15%.

Como antecipou ontem a Agência Estado, o estoque de crédito do BB acumulou R$ 516,8 bilhões entre janeiro e agosto deste ano. Até então, o banco divulgara em seu balanço mais recente que o saldo atingira R$ 508,1 bilhões no primeiro semestre de 2012.

Estoque de crédito. O BB estima que os contínuos cortes nas taxas de juros vão levar o estoque de operações de crédito a R$ 560 bilhões no fim do ano – alta, se confirmada, de 20% ante os R$ 465 bilhões registrados em dezembro do ano passado.

O forte crescimento no crédito tem ocorrido mesmo com a desaceleração da economia do País.
Enquanto o mercado estima que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dificilmente atingirá um avanço de 2% entre 2012 e 2011, numa taxa ainda menor que a alta de 2,7% registrada entre o ano passado e 2010, o BB, diz Caffarelli, tem aproveitado “todos os caminhos para crescer forteâ€.

Entre os caminhos descritos pelo vice-presidente do Banco do Brasil estão a troca de dívidas dos clientes. Isto é, o consumidor tem aproveitado as taxas de juros menores para zerar o crédito tomado a bancos com juros maiores.

“Nossa missão tem sido duplaâ€, diz Caffarelli, “porque priorizamos o corte nos juros e, uma vez conquistado o novo cliente, oferecido uma gama de serviços para mantê-lo num banco, num cenário de grande concorrênciaâ€.

Dilma anuncia corte na conta de luz e ataca taxa de juros

Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Serviços

Tânia Monteiro

O governo vai reduzir em 16,2%, em média, o preço da energia elétrica para os consumidores residenciais. Para a indústria, o corte será de até 28%. Os descontos, no entanto, só entram em vigor no início do ano que vem.

O anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff, em pronunciamento oficial transmitido em cadeia obrigatória de rádio e TV na noite de ontem, em comemoração ao aniversário da independência do País. Em sua fala, que durou 11 minutos e 32 segundos, a presidente Dilma fez ainda uma dura cobrança às administradoras de cartão de crédito para que reduzam as taxas de juros cobradas dos consumidores e avisou que “não descansará†enquanto isso não acontecer.

Depois de comemorar a redução da taxa de juros básica da economia (Selic), hoje em 7,5% ao ano, a presidente exigiu maior empenho do setor financeiro para reduzir os encargos aos consumidores. “Isso (o corte da Selic) me alegra, mas confesso que ainda não estou satisfeita porque os bancos, as financeiras e, de forma muito especial, os cartões de crédito podem reduzir ainda mais as taxas cobradas ao consumidor final, diminuindo para níveis civilizados seus ganhosâ€, desabafou a presidente. “Sei que não é uma luta fácil, mas garanto a vocês que não descansarei enquanto não vir isso se tornar realidadeâ€, emendou.

A cobrança foi feita no mesmo dia que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram cortes nos juros do cartão, de 30% em média no caso do Banco do Brasil e de até 58% no caso da Caixa. Os bancos públicos têm saído à frente em ações que o governo quer que sejam seguidas pelos bancos privados. Foi assim com a redução de juros de empréstimos e cheque especial.

Dilma alertou ainda em seu pronunciamento que “também não descansará†na busca de novas formas para diminuir impostos e tarifas, sem causar desequilíbrio às contas públicas e sem levar prejuízo às políticas sociais. Após lembrar medidas que têm sido adotadas pelo governo para restabelecer a capacidade produtiva do País, com redução de impostos em vários setores, a presidente falou da crise internacional, citando que o Brasil, apesar de sofrer uma “redução temporária†do crescimento, não enfrentou desemprego, nem perda de direitos trabalhistas ou de salário dos trabalhadores. “Somos um dos poucos países que houve ganho real de salário.â€

A presidente Dilma fez questão de dar uma explicação sobre os motivos que levaram o governo a reduzir mais o preço da energia para o setor produtivo do que para o consumidor. Ela disse que, no caso do setor produtivo, a diminuição da conta chegará a 28% “porque os custos de distribuição são menoresâ€. Esse fato, justificou, “torna o setor produtivo mais competitivoâ€.

Salientou ainda, o significado da palavra competitividade, que está sendo buscada pelo governo, para incorporar ao tripé: estabilidade, crescimento e inclusão social. Para a presidente, a queda no custo da energia que será obtida beneficiará as exportações e ajudará a evitar demissões.

Segundo Dilma, a redução dos preços da energia não é a única medida adotada pelo governo para reduzir o custo da produção, aumentar o emprego e reativar a economia. Em seguida, citou o plano de R$ 133 bilhões de investimentos em ferrovias e rodovias e lembrou que um programa de melhoria na eficiência de portos e aeroportos está sendo preparado.

O anúncio oficial do pacote de energia, inclusive com a renovação de algumas das concessões de hidrelétricas será feito no Palácio do Planalto, na próxima terça-feira, às 11 horas. A redução será possível graças à desoneração de impostos federais do setor, assinada pela presidente, em medida provisória a ser encaminhada ao Congresso. O governo desejava que os Estados também tivessem contribuído, com diminuição de seus impostos, para que o benefício fosse ainda maior, mas não obteve sucesso.

Críticas a FHC. A presidente também atacou o modelo de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso. “Ao contrário do antigo e questionável modelo de privatização de ferrovias que torrou o patrimônio público para pagar dívidas e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência, o nosso sistema de concessão vai reforçar o poder regulador do Estado, para garantir qualidade, acabar com os monopólios e assegurar o mais baixo custo de frete possívelâ€, declarou a presidente em seu discurso, se referindo à Rede Ferroviária Federal RFFSA, privatizada por Fernando Henrique.

No encerramento de seu pronunciamento, Dilma disse ainda que quer negociar uma mudança no sistema de impostos brasileiro. “Estou disposta a abrir um amplo diálogo, com todas as forças políticas e produtivas para aprimorarmos o nosso sistema tributário.â€