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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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Psicanalista ajuda os ‘viciados’ em crédito

Categoria: Consumo, Crédito, educação, Serviços

Fernando Nakagawa

Viver permanentemente no cheque especial e no cartão de crédito pode indicar um problema: é a ilusão da vida baseada no crédito. “Isso tem criado ilusão de posse, de renda, na vida das pessoas que passam a consumir como se fossem muito mais ricas que efetivamente sãoâ€, diz a psicanalista Márcia Tolotti que tem viajado o Brasil para tentar ajudar pessoas a diminuir a dependência do crédito.

A psicanalista gaúcha é frequentemente contratada por empresas para ações de educação financeira que tentam acabar com o que ela chama de “vício de créditoâ€. “A partir do momento em que o crédito vira uma condição quase normal para viver, surge o problema. Do ponto de vista racional, todos sabem que isso não deveria acontecer. Mas a necessidade de posse fala mais alto e as pessoas passam a agir para ter o que não podem e o cheque especial e o cartão são os caminhos mais fáceisâ€, diz.

Empresas têm contratado pessoas como Márcia porque o fenômeno começa a prejudicar a produtividade de algumas companhias. Normalmente, o comportamento que chama atenção dos empregadores começa com o funcionário que toma empréstimo com desconto em folha, o crédito consignado. Várias semanas depois, ele aparece no departamento de recursos humanos e pergunta se é possível pegar um vale ou antecipar o pagamento das férias. Algum tempo depois, o destino muda para o ambulatório, onde ele declara problemas de saúde como a depressão. “A empresa também passa a sofrer com a baixa produtividadeâ€, diz .

Após promover cursos e seminários para mais de 10 mil pessoas, Márcia diz que a “urgência da satisfação†é, aparentemente, o fator que mais deflagra o uso exagerado do crédito nos brasileiros. “É a desculpa do ‘eu mereço’ e preciso me satisfazer agora. A ciência já mostrou que quando as pessoas compram é liberada dopamina no corpo, que é uma substâncias muito prazerosa e vicianteâ€, diz. “Mas as pessoas precisam ter estrutura para entender que essa alegria gerada pela compra é momentânea e não existe vida com bem estar supremo e constanteâ€.

Servidor público

A psicanalista observa que não é a renda que determina o descontrole das contas. “Já atendi pessoas com salário de R$ 700 e R$ 40 mil. Não há diferença no patamar do salário, é uma questão psicológica e de educação financeiraâ€, diz. Mas a especialista nota que há uma categoria que, proporcionalmente, parece ter mais problemas que a média: os servidores públicos.

“Talvez porque ele sabe que, aconteça o que acontecer, o salário estará na conta no próximo mês. Esse é um sujeito que é mais propenso a ficar exposto. Para ele, pode ser mais fácil tomar uma dívida porque ele continuará com o emprego, já que há estabilidade”, diz Márcia.

Experientes ganham nova chance no call center

Categoria: Empresas, Serviços, Trabalho

LUCIELE VELLUTO

A operadora de call center Vera Lúcia Vilela Arigussi atende clientes de uma empresa de energia elétrica do Espírito Santo. Do outro lado da linha telefônica o consumidor dificilmente sabe disso, mas é uma pessoa de 63 anos que responde à ligação. Assim como quando alguém recebe uma chamada de cobrança de uma conta que está em atraso, a voz de quem busca o dono da fatura é de Paulo Oliveira, de 72 anos, ou de Maria Cecília de Lima, de 65 anos.

A rotina desses trabalhadores são exemplos da mudança pela qual passa o setor de telemarketing no País, que não quer ser conhecido somente como a porta de entrada para quem começa sua vida profissional, mas também como alternativa para aqueles com experiência e que não são mais aproveitados pelo mercado de trabalho devido à idade.

Tanto é verdade que, de acordo com dados da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), há 1,1 milhão de pessoas que trabalham no setor, sendo que 10% tem mais de 40 anos.

E foi a necessidade de continuar a trabalhar que fez com que os três personagens da reportagem voltassem à ativa. “Ainda não sou aposentada. Trabalhei anos sem carteira assinada e precisava achar algo com registro. Foi quando soube que havia uma empresa que dava curso gratuito para quem quisesse trabalhar na área. Fiz e fui contratadaâ€, relembra Vera Lúcia, que há dois anos e meio trabalha na Dedic GPTI.

No andar onde ela trabalha há cerca de 70 pessoas por turno. E lá ela é chamada de mãe, tia e sogra. É a conselheira da turma. “Eles admiram a minha calma para atender e é isso que tento passar para eles. E o ambiente é bom. Nunca sofri preconceito aqui por ser mais velhaâ€, conta Vera. “Eu tenho idade, mas não sou de idade, gosto de conviver e aprender com a juventude. Isso faz com que eu veja o mundo como ele está agoraâ€, acrescenta a atendente.

Para Vera Lúcia, a experiência ajuda a lidar com as pressões da sua nova profissão. “Minha filha achava que eu não iria aguentarâ€, conta ela, que antes de ser operadora já havia trabalho como recepcionista e também na área administrativa de outras empresas.

Há um ano e nove meses na Contax, outra empresa do ramo, o professor de inglês aposentado Paulo Oliveira admite não conseguir se manter só com o que recebe da Previdência Social. “Eu trabalho por necessidade. A aposentadoria é pouca. Preferia estar em casa, mas não dá. E tenho sorte de ter um emprego nessa idadeâ€, conta.

Vera Lúcia, de 63 anos, trabalha há dois em uma empresa de telemarketing (Foto: Daniel Teixeira/AE – 20-12-10)

Rejuvenescer

O operador de call center acredita que o trabalho, porém, o rejuvenesce. “Tenho cabeça de uma pessoa de 19 anos. Acho que isso faz a diferença. Mas aqui me chamam de senhor Paulo, mesmo dizendo que não precisam me chamar de senhor. Mas não tem jeito. É assim que os mais jovens me tratamâ€, afirma o trabalhador.

Recém-contratada, Maria Cecília está há um mês e meio no novo emprego porque também precisava complementar a aposentadoria. “Eu estava procurando um trabalho como auxiliar de limpeza. Não imaginava que esse setor contratava gente da minha idadeâ€, afirma Maria Cecília, que tem 65 anos e costumava trabalhar como inspetora de alunos antes da aposentadoria.

Para a operadora, o trabalho também lhe devolve a juventude. “Me sentia com 18 anos no primeiro dia de treinamento na empresa. Estar com a garotada me rejuvenesce. Aqui é a junção da experiência com a jovialidadeâ€, explica ela.

A Dona Cecília — como os jovens companheiros de trabalho a chamam — acredita que o setor de contact center é um dos poucos que abre portas para quem tem mais experiência e estava fora do mercado de trabalho. “Desde 1997 estava em casa. E esse serviço me trouxe motivaçãoâ€, revela.

SP tem menor desempregados desde 2002

Categoria: Indicadores, Trabalho

Carolina Dall’Olio

O número de desempregados na região metropolitana de São Paulo nunca foi tão baixo. São 577 mil pessoas, o menor contingente já apurado pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002.

Esse grupo encheria, no máximo, nove estádios como o Morumbi. Não é pouco. Mas frente à população de quase 20 milhões de pessoas que residem na região, a estatística pode ser considerada positiva. Tudo isso, é claro, se deve ao bom momento da economia, que impulsiona o crescimento do emprego e acelera a criação de vagas. Em agosto, por exemplo, foi aberto um posto de trabalho por minuto na Grande São Paulo. No ano, os novos funcionários da região já somam 300 mil.

Mariana Gaddi, de 26 anos, é uma delas. Tradutora e intérprete, Mariana havia largado o antigo emprego de professora de inglês para estudar, durante três meses, na Europa. Quando voltou ao Brasil, bastaram duas semanas para que ela encontrasse exatamente a vaga que procurava: um trabalho numa agência de intercâmbio, a World Study.

“Queria ajudar outros jovens que, como eu, querem viajar para estudarâ€, conta Mariana, que começou no novo emprego há três dias. “Para que eu fosse contratada, contou muito a experiência que eu já tinha como professora, além da minha formaçãoâ€, afirma ela, que fala inglês, espanhol e alemão.

Em apenas duas semanas, Mariana Gaddi encontrou o emprego que procurava. Ela agora trabalha numa agência de intercâmbio de estudantes (Foto: Marcio Fernandes/AE)

Combate ao desemprego

Para pessoas como Mariana, que têm boa escolaridade, especialização e experiência profissional não faltam oportunidades de trabalho. “As pessoas que permanecem desempregadas hoje são, em sua maioria, os jovens ou os trabalhadores de baixa escolaridade e baixa rendaâ€, aponta Hélio Zylberstajn, coordenador do Observatório do Emprego, ligado à Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho.

“Chegamos a um ponto em que o desemprego não pode mais ser combatido apenas com o crescimento econômicoâ€, analisa Zylberstajn. Para ele, a única saída para reduzir ainda mais o desemprego é criar postos de trabalho compatíveis com o perfil desses trabalhadores. “Seriam vagas, principalmente, na construção civil, no setor público e em serviços, desde que exigissem baixíssima qualificação.â€

Cláudio Salvadori Dedecca, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), faz uma análise mais otimista. Para ele, ainda há espaço para a redução do desemprego na Grande São Paulo. “As vagas temporárias geradas em função das festas de fim de ano podem se tornar efetivas logo no início de 2010â€, afirma Dedecca. “Além disso, como os trabalhadores mais escolarizados e experientes já estão empregados, as empresas tendem a contratar agora a mão de obra menos experiente. E é nessa hora que o jovem ganha uma oportunidade.â€

O bom momento da economia já está beneficiando quem não tem experiência profissional. Segundo o Ministério do Trabalho, 206.790 pessoas conquistaram seu primeiro emprego entre janeiro e agosto deste ano na capital, ante 171.233 no mesmo período de 2009 — um crescimento de 20,76%. A oferta deste tipo de vaga é a maior desde 2000, quando este dado começou a ser apurado, e grande parte das oportunidades está no setor de serviços.

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Grupos se unem na disputa pelo trem-bala

Categoria: Empresas, Serviços, Tecnologia

Incentivadas pelo resultado do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte (PA), vencido por um consórcio de empreiteiras de médio porte, 16 empresas de engenharia e construção se uniram para tentar disputar o trem-bala, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. As empresas, boa parte desconhecida do grande público, são sócias da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) e têm faturamento anual que varia de R$ 80 milhões a R$ 1 bilhão.

O empreendimento que as empresas (instaladas em território nacional) querem disputar custará, pelo menos, R$ 33 bilhões. Mas o grupo não deve entrar sozinho no jogo. O presidente da Apeop, Luciano Amadio, conta que as empresas devem assinar um acordo de entendimento com dez companhias espanholas. “Não está assinado, mas há um compromisso para os dois grupos se unirem na disputa.â€

Uma das empresas mais importantes do grupo espanhol é a Renfe Operadora, estatal que explora a rede ferroviária do país europeu. Além dela, outras espanholas que devem participar são a Consultrans, Ineco Tifsa, Talgo, Cobra, Semi, Invecsa, Dimetronic, Indra e Adif, outra operadora ferroviária. Do lado brasileiro estão Encalso, Tejofran, CVS, Marquise, Cartellone, Calas Engenharia, Construbase, Fidens, Barbosa Melo, Interpa, CCI, Aterpa, Equipav, Planova, Grupo Advento e Cowan.

Amadio, da Apeop, conta que as 16 empresas foram divididas em grupos de trabalho para estudar a parte técnica do empreendimento, parcerias estrangeiras e aspectos jurídicos do processo, entre outros itens. Todas as semanas os grupos se reúnem para discutir as tarefas executadas e estabelecer novos pontos que precisam ser esclarecidos. A cada 15 dias, todas as empresas se encontram para avaliar o trabalho.

O grupo não está fechado. Até a disputa, novas companhias podem se associar e outras podem deixar o “consórcioâ€. “Mas o fato é que, sozinhas, elas não terão capacidade para disputar um empreendimento dessa magnitude. As garantias exigidas para entrar na concorrência são pesadas até mesmo para as grandes construtorasâ€, diz Amadio, que comanda o grupo.

Ele comenta que uma consultoria, a Deloitte, já foi contratada para fazer a proposta das empresas para a disputa. Segundo ele, a ideia de montar um grupo para estudar o Trem de Alta Velocidade (TAV) surgiu das próprias empresas. Mas, hoje, elas contam com total apoio do governo federal. “Eles têm nos incentivado a buscar parceiros no mercado internacional. Já fizemos algumas reuniões com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que nos ajudou com alguns contatos.†(Renée Pereira)

Obra de construção do sistema de trem de alta velocidade brasileiro custará em torno de R$ 33 bilhões. Na imagem, uma das composições do Eurostar, que liga a Inglaterra à França (Foto: Pascal Rossignol/Reuters)

Obra de construção do sistema de trem de alta velocidade brasileiro custará em torno de R$ 33 bilhões. Na imagem, uma das composições do Eurostar, que liga a Inglaterra à França (Foto: Pascal Rossignol/Reuters)

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Consultor alerta para alta da energia

Categoria: Agenda, Análise, Serviços

Apontado como um dos maiores especialistas do setor de energia elétrica brasileiro, o consultor Mário Veiga, da PSR Consultoria, fez ontem projeções sobre uma possível explosão tarifária no País nos próximos cinco anos, apesar de o Brasil estar com folga na geração de energia. Segundo Veiga, a tarifa de energia elétrica deve saltar dos R$ 115 o MW/h em 2010 para R$ 147 em 2015. Um dos principais motivos apontados por ele para o aumento vem das termelétricas, que elevam o custo da energia.

“A boa notícia é que tem muita energia. A má notícia é que vai ser cara à beça. Nunca antes foi contratada tanta energia termelétrica. A conta cresceu sem crescer a demanda”, avaliou o especialista. O incidente ocorrido na hidrelétrica de Itaipu em novembro do ano passado, quando o País sofreu um mega apagão em vários estados, aumentou o temor de falhas e resultou na redução da quantidade de energia transmitida pela usina, mais barata que a térmica.

Até 2013, quase 10 mil MW médios de energia termelétrica entram no sistema. O montante foi contratado em 2008 em dois leilões com preço médio de R$ 130 e R$ 145 o MW/h, respectivamente. “Isso (10 mil MW) é equivalente (à produção) de uma usina de Santo Antônio, uma Jirau, uma Angra e uma Belo Monte juntas”, quantificou. (Sabrina Valle)