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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
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Classe C é a única que gasta mais do que ganha, diz consultoria

Categoria: Agenda, Análise, Consumo

Beatriz Bulla

SÃO PAULO – De todas as classes sociais brasileiras, a única que gasta mais do que ganha é a C. Em estudo sobre consumo realizado pela consultoria Kantar Worldpanel, o segmento aparece com déficit de 2% na relação entre renda e gasto. Tanto a classe AB quanto a DE ficaram com saldo positivo nesta análise, de 1% e 4% respectivamente. “Praticamente todo mundo está gastando o que ganha, porque esses 4% da classe DE significam muito pouco”, avalia a diretora comercial da instituição no Brasil, Christine Pereira.

O estudo é feito semanalmente em 8.200 domicílios do País e monitora o comportamento de 27.500 mil consumidores. O resultado divulgado hoje compila dados do ano de 2011.

De acordo com Christine, a classe C representa 41% da população brasileira, e seu endividamento colabora para a recente desaceleração do consumo. A Kantar Worldpanel considera para o estudo que a classe C ganha em média R$ 2.027,70 (renda familiar) e gasta R$ 2.060,12. Nos últimos dois anos, o segmento diminuiu o número de visitas mensais a pontos de venda de varejo tradicional em duas vezes, de 13 para 11 visitas no mês.

Despesas como educação e vestuário, classificadas como “outras despesas”, respondem pela maior parte dos gastos da classe C (38%). Na sequência, aparecem despesas fixas, como habitação, transporte e serviços públicos (33%), seguida por uma cesta de bens de consumo não duráveis definida pela entidade (28%).

Produtos
O estudo analisou ainda a penetração de 120 categorias e subcategorias de produtos nas classes sociais. A classe C já conquistou 46% das categorias, está em processo de conquista de 31% e ainda precisa conquistar 23%. O estudo considera como consolidada a conquista quando a categoria de produto tem 50% de penetração nos domicílios. Nesse caso, a análise foi feita entre julho de 2011 e junho de 2012.

Em uma lista reduzida de 25 categorias, a classe C tem defasagem no consumo de dez itens: TV cabo e ou satélite, CD laser, aspirador de pó, ar condicionado, câmera digital, congelador/ freezer, câmera de vídeo/filmadora, home theater, secadora de roupas e lava louça. A classe AB não conquistou os quatro últimos itens listados.

Gasto além da renda
A classe C reforça o grupo de 52% das famílias que gasta mais do que ganha. Dentro do número de brasileiros que gastam mais do que ganham, 27% estão “enforcados” e 25% se mantêm relativamente equilibrados – gastando pouco a mais do que ganham, de acordo com o estudo da Kantar Worldpanel. Em 2008, o porcentual de famílias que estavam com gastos acima da renda era de 49%.

A expectativa da diretora comercial da Kantar Worldpanel é de que a quantidade de pessoas que gastam além da renda continue acima dos 50% até o final do ano. “Há uma sofisticação do consumo do brasileiro, que está incorporando novas despesas à sua vida. À medida que houver emprego e renda, o consumo vai continuar a crescer”, afirma.

Expectativa
Outra análise feita pela instituição mostra que 72% das famílias paulistas e cariocas tem intenção de poupar. O número de pessoas que pensa em economizar dinheiro mais que dobrou desde 2008, quando o porcentual era de 29%. Na comparação com a América Latina, o País também sai na frente na intenção de poupar, já que 63% do bloco afirmou que pretende economizar.

Metade dos brasileiros que responderam que querem poupar afirmaram que gostariam de economizar 10% da renda. Em primeiro lugar na intenção de investir aparece a reserva para o futuro. Na sequência, vêm reformas e melhorias na casa e a compra da casa própria. O estudo foi realizado nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Mais aumento de salário para reter funcionário

Categoria: Agenda, Análise, Carreira, emprego, Trabalho

SAULO LUZ

Para evitar que seus funcionários sejam seduzidos por oportunidades oferecidas pela concorrência, cada vez mais empresas têm concedido aumentos salariais e até promoções a fim de segurar seus talentos. É o que indica pesquisa com mais de mil profissionais brasileiros realizada pela consultoria de seleção de executivos e profissionais especializados StautRH.

O levantamento mostrou que 38% dos profissionais receberam reajustes salariais para não mudar de emprego em 2011. Em 2010, isso ocorreu com 30% dos pesquisados, ou seja, houve crescimento de 27%. Além disso, o número de profissionais que foram promovidos para não deixar a empresa aumentou de 29% (2010) para 34% (2011) – alta de 17% de um ano para outro. Já a parcela de funcionários que decidiu ficar na empresa por conta do oferecimento de treinamento ou algum tipo de capacitação profissional se manteve estável em 47%.

“Em 2010 havíamos observado um mercado de trabalho extremamente aquecido, fruto da retomada da economia no Brasil e de uma demanda reprimida do ano anterior devido à crise de 2008 e 2009. Muitos profissionais se movimentaram, trocando seus empregos por outros com melhores salários e cargos de maior responsabilidade. As empresas, por sua vez, se deram conta disso e reagiram em 2011 promovendo seus melhores talentos e reajustando seus salários”, explica Luiz Alencar, sócio executivo da StautRH e coordenador da pesquisa.

Segundo Alencar, esse esforço para reter profissionais se passa, sobretudo, no caso de executivos (com salários acima de R$ 10 mil), mas também é visto em cargos não gerenciais de alguns setores. “Isso está acontecendo com especialistas – analistas financeiros, engenheiros, coordenadores e supervisores de setores – que ganham a partir de R$ 5 mil”, diz.

Renan Sinachi, consultor da Leme Consultoria de RH, confirma que muitos profissionais têm desistido de processos seletivos após contrapropostas salariais da companhia onde trabalham. “Isso ocorre em cargos gerenciais no setor de petróleo e gás. Mas também nos segmentos de tecnologia da informação, desde o cargo básico de programador até gerente de TI, e também na construção civil, do pedreiro ao engenheiro”, afirma. Sinachi acredita que o desaquecimento da economia este ano deve reduzir a disputa por trabalhadores. “No segundo semestre, prevemos que as empresas terão mais facilidade de encontrar bons profissionais.”

Paulo Teixeira, consultor da StautRH, viu na prática a dificuldade em contratar. Um dos finalistas de um processo seletivo recentemente avisou que havia desistido da vaga. “A empresa, ao perceber que vários de seus profissionais participavam de processos seletivos, convocou um a um e ofereceu ajustes funcionais e salariais na ordem de 20% para cada um deles, desencorajando-os a seguirem nos processos seletivos.”

Já Leandro Barbosa recebeu aumento para continuar como diretor de arte da agência publicitária em que trabalha. “No meu setor, há muita rotatividade e é normal receber propostas de outras agências. Mas não foi só o aumento que me segurou. Não adiantaria só isso, se o clima no trabalho não fosse bom”, conta.

É o que lembra a psicóloga Júlia Ramalho Pinto, que atua como coach (orientadora profissional): “Aumentar salário não é garantia de que vai reter o profissional. Isso é importante apenas para que não crie insatisfação, mas jamais vai criar motivação”, diz. Ela afirma que o que motiva o funcionário é reconhecimento, plano de carreira, bom ambiente e relacionamento com o chefe. “Sem isso, o salário só vai funcionar por um tempo e logo o empregado voltará a fica desmotivado.”

Consultoria grátis e em domicílio para micros

Categoria: Empreendedorismo, Empresas

GISELE TAMAMAR

“Eu não tenho tempo para nada. Olha só, hoje mesmo eu abri a loja sozinha, recebi fornecedor, mercadoria, contador. Tem que ser tudo rapidinho, senão não sobra tempo para atender minhas clientes queridas”, diz a dona de uma loja de roupas. É assim que começa o vídeo da campanha de divulgação do programa Negócio a Negócio do Sebrae, voltado para os microempresários que argumentam falta de tempo para não procurar auxílio. A partir de agora, não tem desculpa: o Sebrae vai até as empresas, presta consultoria e não cobra por isso.

O programa já existe em nível nacional há mais de um ano, mas começou efetivamente no Estado de São Paulo só em março. Anteriormente era trabalhado um roteiro parecido, mas sem as visitas. A expectativa nessa primeira rodada, entre abril e maio, é atingir mil empresas no Estado. Em todo o País, o Sebrae atendeu 440 mil empresas em 2011 e pretende elevar o número para 600 mil em 2012.

A consultoria do Sebrae inclui três visitas ao estabelecimento. A primeira delas serve para o agente fazer um diagnóstico em relação à gestão, operação e finanças. Na segunda visita, são entregues sugestões para melhorias no negócio e um plano de ação. Em seguida, na última visita, o agente verifica e acompanha a aplicação das melhorias sugeridas.

No Estado de São Paulo, foram capacitados 66 agentes de orientação. O relacionamento entre a entidade e o empresário pode continuar por meio de outros programas oferecidos, além de cursos.

“Culturalmente o microempresário acha que não tem tempo. Mas se ele não tem tempo para se aprimorar e planejar pode estar perdendo uma oportunidade ou deixando de ganhar”, observa Paulo Marcelo Tavares Ribeiro, gerente da Região Metropolitana de São Paulo do Sebrae-SP.

O foco do programa inclui microempresas com problemas básicos de gestão. Do total de interessados no programa que já procuraram o Sebrae, 60% tinham perfil diferente. Quando isso ocorre, eles são direcionados para outros programas da entidade.

Nos primeiros atendimentos feitos este ano em São Paulo, foi possível perceber as duas principais deficiências dos participantes. Segundo Ribeiro, muitas empresas têm dificuldades primárias de gestão, ou seja, não têm controles estabelecidos de suas operações ou não sabem montar o fluxo de caixa. A falta de planejamento também está entre as falhas mais graves identificadas.

Controle
A Belaluz Iluminação foi uma das empresas que participaram do programa. “Só de responder o questionário já vamos tomando consciência do que precisamos melhorar, das falhas, que nosso controle do estoque não era perfeito, de compras repetidas”, conta a proprietária Wanda Gonçalves Dias, de 58 anos. “O auxílio do Sebrae ajudou a abrir minha mente. Quero crescer, mas de maneira organizada”, diz.

A empresa de fabricação de CDs e DVDs Ponto 4 Digital participou do programa no ano passado, quando as visitas ainda não faziam parte do programa no Estado. Mas só a parte de diagnóstico já foi importante para o negócio. “Fomos descobrindo os pontos fortes e fracos da empresa”, afirma Fabio Henrique Pereira, um dos sócios.

Depois, ele incluiu no aprendizado os cursos de Gestão Financeira e de Estratégias Empresariais e recebeu visitas de consultores na empresa. Nesse caso, o atendimento foi em um nível mais avançado de gestão e teve custo. “Ver é diferente de explicar. A visita ajuda o empresário e o consultor a visualizarem a situação da empresa.”

Para participar do programa é preciso entrar em contato com o Sebrae-SP e responder um questionário. A partir disso, será feito o agendamento das visitas. “Com a demanda atual a agenda está sendo atendida em até dez dias”, diz Ribeiro.

Capacitação para o setor de telemarketing

Categoria: Agenda, Análise, Carreira, educação, emprego, qualificação, Trabalho

Os problemas com erros de português – tanto na fala quanto na escrita – são tão frequentes no setor de telemarketing que o mercado teve de se adaptar a essa deficiência dos candidatos.
“As empresas pararam de buscar profissional com português aceitável, por conta da dificuldade de achá-los e passaram a oferecer cursos após a contratação”, diz Ana Maria Moreira Monteiro, diretora do grupo AM3, que aconselha empresas do setor e presta consultoria para a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT).

Segundo ela, os erros podem ser muito básicos. “Temos de bater na tecla de que ‘mim’ não conjuga verbo e até ensinar a pronúncia correta da palavra problema.” Ana conta que a questão ficou ainda mais evidente quando o setor começou adotar os ‘chats’ online para se comunicar com o consumidor.
“Fiquei horrorizada com as redações dos candidatos. E a maioria estava cursando ou havia concluído a universidade.”
O setor sofre porque a proficiência na língua é fundamental para que o funcionário cause boa impressão ao telefone. “Do impacto que a empresa causa no consumidor, 82% estão na forma como o atendente fala.”

O primeiro milhão cada vez mais cedo

Categoria: Empreendedorismo, Empresas, Internet

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Eles têm em comum a juventude e o tino para os negócios. Empresários de setores tão distintos quanto o de animais de estimação e alimentação fora do lar, eles provam que idade não é de modo algum uma barreira para quem pretende dar certo como empreendedor.

Aos 14 anos, Daniel Nepomuceno, por exemplo, já desenvolvia sites. Hoje, aos 25, tornou-se CEO de um deles. Acostumado a desenvolver páginas na internet para empresas de amigos da família, ele entrou no comércio virtual aos 19, como funcionário de uma consultoria. Seu desempenho chamou a atenção de um grupo de investidores e em 2010 ele recebeu um convite para assumir o comando da marca Meu Amigo Pet, um pet shop virtual fundado em 2005.

“Empreender foi quase uma sina porque na minha área é natural oferecerem parcerias”, afirma. Ao assumir o negócio, Daniel Nepomuceno dedicou-se a uma série de pesquisas para conhecer melhor o mercado no qual havia ingressado.


Para Daniel Nepomuceno, é preciso ter base acadêmica e conhecer o mercado no qual pretende ingressar (Foto: CLAYTON DE SOUZA/AE)


Ele também visitou feiras e eventos ao redor do mundo para trazer novos produtos ao País. Os resultados apareceram rapidamente. Em 2011, a empresa conquistou prêmios, abriu lojas físicas e o faturamento chegou a R$ 1 milhão.

Para alcançar essas cifras, Daniel precisou ainda vencer o desafio de gerenciar pessoas, especialmente executivos mais velhos, com o triplo da sua idade. “No início é necessário ter humildade e mente aberta para saber o que funciona, mostrar o que você pensa, suas ideias, e fazer as pessoas comprarem seu projeto”, diz. Como benefício pelos bons resultados, Nepomuceno, até então funcionário contratado, ganhou participação minoritária no negócio.

Para os jovens empreendedores, segundo ele, a dica é buscar uma formação abrangente e também desenvolver amplo conhecimento sobre o mercado no qual atuará.

Ousadia
Uma boa dose de ousadia também não faz mal. Quando estava apenas no segundo ano da faculdade de administração, Juliano Simões, 26 anos, encontrou o ponto comercial perfeito para trazer para a capital paulista a rede de restaurantes por quilo Paulinhos Grill, criada por seu pai no interior de São Paulo.

A loja, aberta em 2006, representou um desafio duplo na vida do empreendedor: gerenciar por conta própria um negócio e adaptá-lo ao exigente mercado paulistano. “Foi um começo difícil”, lembra.

A estratégia adotada por Simões foi aparentemente simples, mas deu resultados. Ele sofisticou, em relação aos concorrentes, o ambiente do restaurante e o cardápio. “O público quer qualidade, higiene, ser bem atendido e ter comida boa, mesmo que para isso precise pagar um pouco mais.”

Simões amplificou a fórmula e abriu unidades nos principais centros de negócios da capital — Faria Lima, Berrini e Paulista. Em maio, ele inaugura uma nova unidade e espera aumentar em 30% o faturamento, que em 2011 foi de R$ 9 milhões.

Desconhecido
A história de sucesso dos empresários Tiago Campos, 25 anos, e Rafael Soares, 27 anos, foi diferente. Eles apostaram em um produto então pouco conhecido no País — o frozen yogurt — e conseguiram crescer rapidamente com a Yoguland.

Formatada para se tornar uma franquia, a rede possui 38 lojas. Hoje febre no País, a dupla precisou suar muito para provar a viabilidade da venda de iogurte como negócio. “Ninguém tinha ideia do que era esse produto por aqui”, relembra Campos. Cada sócio conta ter investido R$ 35 mil na empreitada e os R$ 280 mil restantes foram financiados pela mãe de Soares. Hoje, a empresa fatura cerca de R$ 16 milhões.

A dupla conta que planejou durante quase um ano cada detalhe do negócio e recorreu até a cursos para complementar a formação acadêmica. “Muitas vezes, o jovem empreendedor tem tudo na mão e não abre um negócio por não se sentir totalmente seguro. Acho que o importante é acreditar em você mesmo e quando tiver uma ideia, ir atrás dela”, recomenda Tiago Campos.