Cheque é o preferido para pagar contas mais altas
- 21 de julho de 2011 |
- 7h51 |
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Categoria: comércio, Consumo, Crédito, Indicadores
GISELE TAMAMAR
Apesar do uso do cheque estar em declínio, o valor médio das transações feitas com essa modalidade de pagamento segue em direção contrária. De 2005 até 2010, o valor médio aumentou 79,74% de R$ 558 para R$ 1.003 como mostram os dados do Banco Central (BC). Por outro lado, o número de operações realizadas teve queda de 33,71% no mesmo período, de 2,5 bilhões para 1,6 bilhão.
Na avaliação dos especialistas, o recuo no número de transações está relacionado ao avanço dos cartões de crédito e débito nas compras do brasileiro. Já a alta no valor médio reflete o momento econômico positivo com os consumidores gastando mais. O conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) e economista da Planning Consultoria, Cláudio Gonçalves, afirma que a entrada de mais pessoas no mercado bancário, impulsionada pela alta dos empregos com carteira assinada, contribuíram para os números positivos do cheque.
Os recordes de vendas de veículos e de imóveis no ano passado também podem ter ajudado a impulsionar o valor médio das transações. Isso porque a entrada da compra do carro ou da moto e até as transações relacionadas a aquisição do imóvel, como pagamento de corretores e cartório, envolvem o uso do cheque.
Para Gonçalves, outra situação que pode estar relacionada ao aumento do valor do cheque é o uso da modalidade como alternativa para quem já está com outras linhas de crédito comprometidas. “Ainda existe a cultura do uso do cheque e ela deve continuar por muito tempo”, diz o economista.
O assessor econômico da empresa de análise de crédito Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, ainda inclui entre os fatores influentes para a alta do valor médio o uso do cheque pelos micro e pequenos empresários. “O pequeno empresário têm usado o próprio cheque, como pessoa física, para pagar fornecedores da empresa”, afirma.
Cheque, cartão e dinheiro
Na comparação entre cheque, cartão de crédito e dinheiro, o professor Marcelo Cambria, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), explica que o consumidor ainda prefere o cheque para quitar compromissos de maior valor por dois motivos. O primeiro é que não há limite de valor na hora de preencher, assinar e transferir o cheque ao credor. Já o cartão tem um limite de crédito diferente para cada cliente. No caso do dinheiro, pagar débitos de maior valor com as cédulas é inconveniente e arriscado para se transportar.
“O talão de cheque deixou de estar na carteira do brasileiro. Está mais na gaveta, no cofre. Por causa do medo de roubo, as pessoas andam com, no máximo, três folhas de cheque”, destaca o professor Marcos Crivelaro, da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap).
Necessidade eventual
Segundo o professor da Fiap, o cheque é usado só em casos pontuais. É o caso da comerciante Regina Oliveira, 49 anos, que só carrega algumas folhas na bolsa.
“Uso cheque em uma eventual necessidade, só quando o estabelecimento comercial oferece algum desconto ou só aceita esse tipo de pagamento”, diz a comerciante que usou o cheque na semana passada em uma loja no Bom Retiro.
O motorista Sidinei Batista, 32 anos, dificilmente anda com o talão de cheque na carteira. Mas a última vez que usou foi para comprar material de construção para sua casa. “O limite do cartão era pouco e usei o cheque pré-datado”, lembra.
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‘Juros subirão até inflação de 12 meses cair’
- 9 de junho de 2011 |
- 17h14 |
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Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Indicadores, Inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deverá manter a trajetória de elevação de juros enquanto a inflação acumulada em 12 meses permanecer elevada, disse nesta quinta-feira, dia 9, o professor de economia da USP e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), Heron do Carmo.
O IPCA acumulado em 12 meses até maio está em 6,55%. Apesar de a inflação perseguida pelo BC se restringir ao ano-calendário, o acumulado em 12 meses supera o centro da meta, que é de 4,5%, e o teto que é de 6,5%.
Sobre a elevação ontem de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, de 12% para 12,25% ao ano, Heron diz não ter havido nenhuma surpresa, já que esta medida era esperada por quase todo o mercado.
O presidente do Corecon-SP lembrou que a autoridade monetária já havia sinalizado, por meio da ata do Copom de maio, que iria manter a trajetória de alta da Selic enquanto a inflação anualizada estiver acima da meta.
“A não ser que o cenário de inflação melhore muito daqui para frente, a taxa de juros continuará a subir”, disse Heron. Mas ele se diz otimista com relação ao cenário inflacionário para o próximo ano. “Acho que convergiremos para o centro da meta (4,5%) em 2012″, acrescentou o professor de economia.
Francisco Carlos de Assis — Agência Estado
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Inflação aponta para cima e BC eleva juros
- 20 de janeiro de 2011 |
- 0h05 |
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Categoria: Indicadores
GISELE TAMAMAR
A previsão do mercado se confirmou ontem e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 10,75% para 11,25%. Diante da alta, cujo objetivo é conter a inflação, os investimentos pós-fixados se tornam mais atrativos que os pré-fixados, que têm a mesma rentabilidade independentemente do avanço dos juros. No entanto, especialistas alertam que é preciso fazer contas antes de investir em CDBs, Fundos DI ou em títulos do Tesouro Direto indexados à Selic.
De acordo com o pesquisador do Instituto Assaf Fabiano Guasti Lima, a princípio, os investimentos atrelados à Selic são as melhores opções no médio e curto prazo, ainda mais com a expectativa da taxa básica subir mais ao longo do ano. Uma das opções é o Fundo DI para uma estratégia de seis meses a dois anos. Como este fundo é atrelado à variação da taxa Selic, o ganho nunca será maior que o juro básico. Mas poderá ser menor por causa da taxa de administração, que pode comprometer o rendimento.
O investidor também pode aplicar seu dinheiro no Certificado de Depósito Bancário (CDB). O valor pode ser resgatado em prazos de 60, 90 e 180 dias ou até 2 anos. O CDB não tem taxa de administração, mas um resgate fora do prazo resulta em menor rendimento. Outro ponto a se considerar é o imposto de renda. Quanto menor o prazo de aplicação, maior será a alíquota do imposto na hora do resgate.
Mas antes da aplicação, o investidor não deve pensar apenas a rentabilidade. É preciso considerar prazos, taxas de administração e imposto de renda de cada investimento. “Dependendo do peso desses fatores, a rentabilidade de um investimento de R$ 20 mil não é muito diferente da poupança. O investidor não deve se deixar influenciar pelo aumento da Selic e já sair aplicando em outras opções”, afirma o conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Manuel Enriquez Garcia. Por isso, em sua opinião, a poupança é a melhor forma de acumular dinheiro com depósitos mensais até atingir uma quantia razoável para um investimento que cobra taxas e imposto.
É o que faz a bancária Irani Aparecida de Carvalho Decicino, 47 anos. Há 20 anos ela investe seu dinheiro e do marido Luís Antonio Decicino na poupança. “Acredito que é a forma mais segura de investir o dinheiro da família. Eu também já precisei recorrer à poupança diversas vezes para pagar dívidas. Situação que seria mais difícil em outras aplicações que ficamos presas a um prazo”, conta. Ela já pensou em investir no Tesouro Direto, mas ainda não se informou totalmente a ponto de se sentir segura para aplicar as economias da família nessa alternativa.
A postura de Irani em relação ao Tesouro Direto é recomendada pelos especialistas. Segundo o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Mario Amigo, o Tesouro Direto é uma boa opção, mas demanda conhecimento do investidor. No próprio site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto) é possível comprar títulos da dívida pública com valores a partir de R$ 100. Antes de começar a investir, é preciso estar cadastrado em uma corretora ou banco habilitado. A aplicação também inclui taxas de negociação, custódia e de serviço.
“O Tesouro Direto não faz parte do cotidiano do pequeno investidor, mas é uma boa forma de investir com taxas menores e baixo risco”, recomenda Fabiano Lima. Há vários títulos, cada um indexado a um indicador diferente e com vencimento em data diferente. Os indexados à Selic, LFT, ganham rendimento em tempos de alta da taxa, em relação aos prefixados (LTN e NTNF).
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Consignado: fim da exclusividade
- 15 de janeiro de 2011 |
- 8h00 |
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O Banco Central (BC) determinou o fim da exclusividade no crédito consignado. Por meio de uma circular, divulgada ontem, o BC veda a criação de convênios, contratos ou acordos de instituições financeiras que impeçam ou restrinjam o acesso de clientes a operações de crédito por outras instituições. Na opinião dos especialistas, a medida é positiva e poderá resultar em juros menores com o aumento da concorrência.
O mais afetado com a medida é o Banco do Brasil, que fechou contratos com várias prefeituras e governos estaduais para operar com exclusividade no consignado.
Na opinião do vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), José Dutra Vieira Sobrinho, a tendência natural é uma queda das taxas de juros, já que existem bancos interessados nesse segmento que precisarão oferecer taxas atrativas para ganhar o mercado. “Não deve ser imediato e não vai cair substancialmente”, afirma Sobrinho.
Efeitos
Segundo o professor de economia da ESPM, José Eduardo Amato Balian, o crédito consignado é uma modalidade atrativa para o consumidor por oferecer uma taxa de juros mais baixas, média de 2% ao mês. Do lado dos bancos, o desconto na folha de pagamento gera uma garantia de recebimento. “Acredito que essa medida em conjunto com a aplicação do cadastro positivo de bons pagadores resultará em taxas mais baixas, mas isso não deve ter efeitos imediatos”, explica o docente.
Para o analista Daniel Malheiros, da corretora Spinelli, a medida do BC já era esperada pelo mercado, diante da forte pressão exercida pelos demais bancos para pôr fim à exclusividade do consignado. Ele considera a notícia positiva em especial para os bancos médios que operam com a linha.
Malheiros avalia, porém, que a expectativa de maior concorrência no segmento deve ter impacto limitado para o Banco do Brasil. “Não será tão simples tirar as carteiras do BB, uma vez que o banco já é bastante competitivo em termos de taxa”, afirma.
Além de aumentar a concorrência do setor com o fim do monopólio, a autoridade monetária quer diminuir o spread – diferença da taxa de juros obtida pelos bancos e repassada ao consumidor.
A norma que proíbe a exclusividade é válida para todas as modalidades de crédito, mas o procurador do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, explica que o caso do consignado é o mais evidente. Isso porque muitos convênios para repassar a folha de pagamento de servidores entre bancos e prefeituras, por exemplo, eram condicionados a esse monopólio. “A exclusividade pode trazer risco ao cliente, pois ele não tem a possibilidade de escolher a taxa mais barata e esse aspecto é importante para o BC que quer estimular a competição no setor.”
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