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Domingo, 19 de Maio de 2013
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Petrobrás: 74% da frota flex deve usar gasolina

Categoria: Tecnologia

A estagnação na oferta de etanol e o aumento no consumo de combustíveis no País farão com que a participação do uso da gasolina atinja uma fatia de 74% na frota flex de veículos no Brasil, em 2012, ante 54% em 2011, segundo estimativa do coordenador do comércio de gasolina na Petrobrás, Diogo Bezerra.

Com o crescimento da participação, o consumo de gasolina C — já com a mistura de 20% de etanol anidro — deve superar 38 bilhões de litros este ano, alta de 6,5% sobre o anterior.

Após a crise de oferta do etanol, devido à quebra na safra de cana-de-açúcar em 2011 e agora em 2012, o consumo de gasolina C cresceu 40% nos últimos dois anos no País.

Somente no ano passado, a alta foi de 18,8%, segundo Bezerra. “Desse porcentual em 2011, 13 pontos porcentuais foram de ganhos de share da gasolina sobre o etanol”, explicou Bezerra, durante a reunião da consultoria Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Consumo de álcool
Já o consumo do álcool, que disparou 235% entre 2004 e 2009, com o avanço dos veículos flex fuel, recuou 35% nos últimos dois anos. Além da alta de 6,5% no consumo da gasolina e do aumento do combustível fóssil entre os automóveis flex, a Petrobrás avalia que a oferta de etanol, para consumo interno e externo, será estável entre 2011 e 2012 e ficará em torno de 23 bilhões de litros.

O aumento do consumo da gasolina poderia ser maior, caso houvesse uma restrição na oferta de etanol, ou uma disparada nos preços que tornasse inviável economicamente o uso do combustível de cana-de-açúcar.

Segundo projeções apresentadas pelo executivo da Petrobrás, se toda a frota flex consumisse somente gasolina, a demanda mensal do combustível cresceria 23%, de 2,529 bilhões de litros para 3,107 bilhões de litros.

Para Bezerra, o maior desafio no setor de combustíveis é prever justamente essa variabilidade de demanda com antecedência para “responder com rapidez à decisão do consumidor” de usar gasolina ou etanol.

“Por isso, a Petrobrás está aprimorando a flexibilidade do suprimento de gasolina, com a otimização da produção e a reforma de unidades em São Paulo e no Paraná para uma maior oferta”, explicou o coordenador da Petrobrás.

Gustavo Porto — Agência Estado

Navio movido a energia eólica chega ao CE

Categoria: Tecnologia

Navio atracou ontem no Porto de Pecém (Foto: Divulgação)

José Maria Tomazela

Como no período das grandes navegações, uma embarcação movida pelos ventos acaba de aportar no Nordeste. Nesse caso, a força do vento não enfuna as velas, mas fornece energia para os motores do E-Ship 1, navio de cargas desenvolvido pela Enercon GmbH, uma das principais fabricantes mundiais de usinas eólicas. A embarcação híbrida — tem também propulsão a diesel — atracou ontem no Porto de Pecém, no Ceará, carregada com pás e aerogeradores para usinas eólicas.

Os equipamentos se destinam às usinas que a Wobben, unidade brasileira da Enercon, com sede em Sorocaba, interior de São Paulo, constrói no País. Entre os projetos a serem beneficiados estão sete usinas da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e quatro da Petrobrás, projetadas pela Wobben no Rio Grande do Norte. O navio, que ontem mesmos seguiu para o Rio Grande do Sul, também traz equipamentos para a ampliação das usinas da empresa de energia Ventos do Sul, em Osório.

O navio, com 130 m de comprimento, 22,5 m de largura e peso de 12,8 mil toneladas, foi preparado para reduzir em até 40% o consumo de combustível fóssil e as emissões de CO2 em comparação a uma embarcação convencional do mesmo porte. O superintendente comercial da Wobben, Eduardo Leonetti Lopes, diz que o projeto é inovador. “A proposta da Enercon e da Wobben é mostrar que a energia eólica pode ter muitas aplicações, incluindo a navegação”, diz. O navio pode ser o piloto de uma frota que a transnacional passará a usar no abastecimento de seus mercados.

Ações da Petrobrás caem após anúncio de novo poço

Categoria: Empresas, Indicadores, Investimentos

Nicola Pamplona
Luciele Velluto

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou ontem ter encontrado um novo poço de petróleo na Bacia de Santos, o Libra. A jazida do combustível fóssil está a 5,4 mil metros de profundidade. A agência federal manteve as projeções feitas em setembro pela consultoria Gaffney, Cline & Associates (GCA), que fala em um volume entre 3,7 bilhões e 15 bilhões de barris de petróleo e gás.

Em nota oficial, a ANP ressaltou que a estimativa mais provável é de 7,9 bilhões de barris, conforme anunciado em setembro. Tal volume leva Libra a rivalizar com Tupi, operado pela Petrobrás, também na Bacia de Santos, pelo posto de maior reserva brasileira de petróleo — esta última tem volume projetado entre 5 e 8 bilhões de barris.

Já no caso de confirmação da estimativa mais otimista, Libra seria suficiente, sozinho, para duplicar as reservas brasileiras de petróleo, hoje na casa dos 14 bilhões de barris. A ANP informou que o poço continua em perfuração para a coleta de dados geológicos e deve atingir a profundidade final de 6,5 mil metros até o início de dezembro.

A divulgação de uma descoberta gigante já era esperada pelo mercado esta semana, a partir de rumores que movimentaram as ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis da Petrobrás caíram 0,87% (ON) e 1,56% (PN) no pregão de ontem. A notícia confirmou os boatos que circularam no mercado na quarta-feira.

A falta de informações mais específicas sobre o volume de reservas, porém, frustrou analistas. “É notícia requentada, esses números já constavam do relatório da GCA”, comentou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, que classificou a divulgação como “mais um anúncio para influir nas eleições.” Questionada anteontem sobre o tema, a diretora da ANP Magda Chambriard negou qualquer relação.

Exagerado

Para Pires, só o fato de o volume estimado ter uma diferença tão grande desanimou os investidores. “Isso derruba a credibilidade da agência e também da Petrobrás. A notícia é boa, mas exagerada”, disse.

O professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Bolivar Godinho, afirmou que a descoberta é importante, mas faltou a estatal petrolífera mostrar confiança suficiente sobre as perspectivas com o novo poço. “A empresa não está conseguindo apresentar otimismo para o mercado. A estatal e a agência precisam ser mais claras nas informações.”

Com uma área de 727 quilômetros quadrados, o reservatório de Libra está em área ainda não concedida da Bacia de Santos e, por isso, pertence à União. A ideia do governo federal é inclui-lo no primeiro leilão do pré-sal sob contrato de partilha, caso o novo modelo regulatório seja aprovados pela Câmara dos Deputados.

O presidente Lula e o governador do Rio, Sérgio Cabral, estejam a inauguração de uma nova plataforma de pretróleo da Petrobrás, em Angra dos Reis, no Rio (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

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