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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013
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Carros ficam mais caros em agosto

Categoria: comércio, Consumo

DANIELA AMORIM

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou que os automóveis novos ficaram 0,34% mais caros em agosto, mesmo sob o regime de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Um levantamento da Agência Estado, do Grupo Estado, que edita o Jornal da Tarde, sobre os preços médios de tabela de veículos no mercado nacional apurados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apontou que os carros ficaram mais baratos logo após a isenção do IPI, em vigor desde 23 de maio, mas recuperaram parte da redução nos preços em agosto. O fenômeno se repetiu em modelos de quatro montadoras: Fiat, Ford, GM-Chevrolet e Volkswagen.

O encarecimento do produto foi causado pelo aumento da demanda de consumidores gerado pelo próprio benefício do governo para estimular o setor, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o aumento também já tinha sido constatado na porta de fábrica pela leitura de julho do Índice de Preços ao Produtor (IPP).

Reajuste
Segundo os dados da Fipe, um automóvel Fiat Palio Celebration 1.0 0km saía, em média, a R$ 26.998 em maio, antes da isenção do IPI, que só passou a vigorar no fim do mês. Em julho, o mesmo modelo custava R$ 25.054. Entretanto, em agosto, o preço subiu para R$ 25.477. Em maio, um Ford KA 1.0 0km era vendido a R$ 26.397. Com a redução do imposto, o modelo passou a R$ 23.492 em julho, mas aumentou para R$ 24.009 em agosto.

O mesmo movimento ocorreu com o modelo Agile LT 1.4 0km da GM-Chevrolet, que custava R$ 37.540 em maio, caiu a R$ 35.433 em julho, mas teve ligeira recuperação para R$ 35.600 em agosto.
O Fox 1.0 0km da Volkswagen também custava mais em maio, R$ 32.423, baixou para R$ 30.115 em julho, mas aumentou para R$ 30.686 em agosto.

A Fipe presta serviço a 25 Unidades da Federação, fazendo o levantamento dos preços médios de veículos nas regiões para servir como base de cálculo na cobrança do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), informou que os modelos usados na coleta do Índice de Preços ao Consumidor não captaram a alta divulgada pelo IBGE em agosto. “A taxa de FGV ficou em 0% para o mesmo período”, disse Braz.

O pesquisador acredita que a alta possa estar relacionada com a chegada ao mercado dos modelos 2012/2013. “Contudo, não tenho certeza se é isso que está acontecendo”, ponderou.

Entretanto, a série histórica do IBGE aponta para uma queda nos preços dos automóveis, tanto novos quanto usados, nesse mesmo período do ano passado. Em agosto de 2011, os preços dos carros novos recuaram 0,37%, enquanto os usados ficaram 0,61% mais baratos.

Preço de refrigerante e cerveja vai subir

Categoria: Tecnologia

FLAVIA ALEMI
LUCIELE VELLUTO

Refrigerantes, águas, cervejas e bebidas isotônicas vão ficar mais caros a partir de outubro. O governo anunciou ontem o aumento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a expectativa da Receita Federal é que esses produtos fiquem até 2,85% mais caros.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-Alcoólicas (Abir), Herculano Anghinetti, afirma que a indústria não tem como absorver esse aumento, o que fará com que ele seja repassado para o varejo e, consequentemente, para o consumidor final. “A experiência mostra que o aumento, na maioria das vezes, chega ao consumidor, pois os varejistas não têm capacidade de arcar com essas despesas extras.”

Anghinetti diz que a Abir estava ciente desse aumento desde o início de maio, mas se surpreendeu com o corte do desconto de 50% da alíquota de IPI que as bebidas à base de suco natural tinham. “Para esses produtos, o IPI vai dobrar e isso prejudica os pequenos fabricantes, que têm 70% de sua produção voltada para a fruta. O governo está compensando as desonerações de outros setores da economia com essa medida.”

O aumento de 2,85% foi calculado pela Receita Federal. De acordo com o subsecretário de Tributação e Contencioso do órgão fiscal, Sandro Serpa, o decreto terá um impacto de R$ 408,19 milhões na arrecadação federal neste ano e de R$ 2,449 bilhões em 2013. A carga tributária de cada tipo de bebida não foi informada, mas o imposto total de uma lata de refrigerante, por exemplo, somados PIS, Cofins e IPI, vai passar de 7,32% para 7,8%.

Dados da Abir referentes ao ano de 2010 mostram que o faturamento de bebidas não-alcoólicas atingiu R$ 78,7 bilhões e foram consumidos 24,36 bilhões de litros. O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) não se manifestou sobre o aumento.

Mais impostos
Outros produtos que também tiveram aumento de IPI ontem foram as motocicletas e os aparelhos condicionadores de ar tipo split e micro-ondas. A medida não deve afetar o preço dos produtos nacionais. O objetivo do governo é proteger a cadeia da concorrência com importados e estimular a produção na Zona Franca de Manaus.

Isso ocorre porque a maioria desses produtos é fabricada nessa região, em que a alíquota de IPI foi suspensa.

No caso das motocicletas, por exemplo, o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, explica que 97,9% do que é vendido no País é produzido na Zona Franca. O restante se divide em produção em outras cidades (0,15%) e importados (2%). Essa parcela do mercado deve ser atingida pelo aumento da tributação.

Atualmente, uma moto de até 150c³ paga 15% de IPI, a de 150c³ a 450c³ tem 25% desse imposto e a acima de 450c³ tem 35%. A partir de outubro, todas terão alíquota de 35%.

No caso dos artigos domésticos, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) afirma torna o mercado mais competitivo. Nesse setor, mais 90% dos produtos são fabricados em Manaus. Colaborou Iuri Dantas

Ovo de Páscoa 4% mais caro

Categoria: comércio, Consumo

GISELE TAMAMAR

Ovos de Páscoa começaram a tomar conta dos supermercados de São Paulo e chegaram até 4% mais caros para o consumidor em comparação com o ano passado, segundo estimativa da Associação Paulista de Supermercados (Apas). A alta fica abaixo da inflação medida pelo IPCA, de 6,22%, acumulada em 12 meses até janeiro, e também menor que o reajuste aplicado em 2011, de 6%.

Inicialmente, a indústria havia previsto uma alta de 9% nos produtos de acordo com o preço de tabela. Mas segundo o diretor de economia da Apas, Martinho Paiva Moreira, as negociações resultaram em reajustes menores, entre 3,5% e 4%. “No Natal sobrou muito panetone e o medo de sobrar mercadoria na Páscoa é grande”, destaca Moreira.

Setor supermercadista está abastecido de ovos de Páscoa e espera um aumento de 10% nas vendas dos produtos em relação ao ano passado (Foto: GISELE TAMAMAR/AE)

Mas a elevação de preços não deve atrapalhar as vendas. A Apas estima uma alta de 10% na comercialização dos itens. A orientação para o consumidor é começar a pesquisar o preço do ovo escolhido agora. “As crianças elegem um ovo que acaba sendo muito demandado. O recomendado é ficar de olho no comportamento do mercado e comprar, em média, uma semana e meia antes da Páscoa. É melhor pagar um pouco mais caro do que ficar sem o ovo”, diz o economista.

Orientação parecida é dada por Ubiracy Fonseca, vice-presidente do setor de chocolate da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). “O ideal é fazer a compra o quanto antes e não deixar para a última hora. Nos últimos dias é uma loucura no ponto de venda e alguns tipos de ovos começam a acabar”, afirma.

Consumidor
A encarregada de vendas Maria das Graças Amirábile, de 55 anos, já começou a pesquisar as novidades para esta Páscoa. Ontem, ela estava com seu chefe e comerciante Marcos Picerni, de 45 anos, em um supermercado.

“Vou comprar ovos para minhas duas filhas, quatro netos e o meu também. Não deixo para última hora porque encontramos muitos ovos quebrados, mas ainda estou só dando uma olhada”, diz Maria.

E o consumidor terá uma grande variedade de ovos para escolher. A Abicab estima mais de 90 lançamentos para a data. Uma das novidades é o ovo de colher. A Nestlé lançou o Suflair de Colher e a Kopenhagen, a Lajotinha de colher. As empresas também apostam nas opções para as crianças. A Garoto traz ovos dos Smurfs, Crepúsculo e Transformers, por exemplo. Gato de Botas, Hello Kitty e Ben 10 fazem parte do portfólio da Lacta. Já a Nestlé tem opções da Ariel, Justin Bieber e Piratas do Caribe.

As redes de varejo também apostam em linhas exclusivas. O Grupo Pão de Açúcar tem opções como Peixonauta, Red Nose e Penélope Charmosa. A expectativa é aumentar as vendas em 15%. O Walmart espera uma alta de 20%. Entre os ovos licenciados estão Max Steel e Happy Feet 2.

Preço de ultrabooks espanta consumidor

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Tecnologia

LIGIA TUON

Eles são finíssimos, leves, muito rápidos, mas são bastante caros também. Disponíveis no Brasil desde novembro do ano passado por um preço médio que gira em torno de R$ 3 mil, os ultrabooks, computadores portáteis que levam uma nova tecnologia propagada pela Intel, ainda esbarram nos valores para conquistarem o consumidor. No País, apenas algumas centenas de unidades foram vendidas até agora, segundo estima a consultoria ITData. Mas esse cenário deve mudar a partir do segundo semestre deste ano.

“A venda do produto precisa ter uma escala mundial maior para ter redução de preço. Além disso, ele ainda é importado no País”, afirma Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa da ITData. Segundo ele, é possível que algumas empresas já estejam fabricando o aparelho aqui e as vendas mundiais tenham aumentado até lá. “A previsão é que, depois de julho, o ultrabook ja deva estar custando, em média, R$ 2 mil”, diz.

O ultrabook leva o sistema operacional Windows e foi desenvolvido para fazer concorrência com o Macbook Air, da Apple, criado em 2008. No momento, duas marcas importam o produto no Brasil, a Acer e a Asus.
Hoje, o Zenbook, ultrabook da Asus, custa de R$ 3.999 a R$ 5.999, dependendo do tamanho da tela e do espaço de armazenamento. Já os modelos da Acer custam de R$ 2.799 a R$ 3.999. “De uma maneira geral, os ultrabooks ficam, em média duas vezes mais caros que o notebook convencional. Mas o preço não deve demorar para cair com os avanços da tecnologia e criação de outros modelos”, prevê o gerente de produtos da Asus Brasil Marcel Campos.

O que encarece o ultrabook, além do design fino e a composição de seu material (feito de alumínio), que o deixa mais leve, é a nova tecnologia de armazenamento, o solid-state drive (SSD), que substitui o HD. “Em vez de o sistema de armazenamento ser composto de discos giratórios, com leitura magnética, se assemelha à memória de um pen drive”, explica Ricardo Roverso, professor da faculdade de tecnologia da Mauá.

Com isso, o computador fica mais estável e também gasta menos energia. “A bateria do ultrabook pode durar até 10 horas sem precisar carregar”, ressalta Campos. Roverso explica: “Se o aparelho precisa de um motor que gira para funcionar, é claro que gasta mais energia. Esse modelo não precisa disso .”

A rapidez com que o computador e os programas são ligados também é maior. “O ultrabook demora menos de 16 segundos para ligar, quando totalmente desligado e dois segundos quando está no modo ‘sleep’”, explica Campos, da Asus. Fica muito mais ágil também abrir programas como o Word, Excel ou Outlook. “O acesso é quase instantâneo”, acrescenta ele.

Alta do dólar não altera preços de importados

Categoria: Consumo, Dólar, Tecnologia

SÍLVIO GUEDES CRESPO

A alta de 10% do dólar ante o real acumulada nos últimos quatro meses não teve efeito na inflação — ainda. Enquanto o índice oficial de inflação (IPCA) subiu 6,5% em 2011, muitos produtos importados ou com componentes estrangeiros, como computadores, TVs e máquinas fotográficas, ficaram até mais baratos.

Na avaliação do economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, ainda não deu tempo de o mercado repassar ao consumidor a variação do câmbio. Segundo ele, isso ocorre apenas quando a cotação se fixa em um novo nível por mais de três meses. No fim do ano passado, contudo, o dólar oscilou muito e não apresentou tendência definida.

No início de 2012, a crise na Europa e a recuperação da economia americana ainda provocam incertezas. Nesse cenário, a Tendências Consultoria Integrada avalia que o dólar permanecerá no nível de R$ 1,80 “nos próximos dois ou três meses”.

O economista da FGV avalia que a moeda americana poderá contaminar os preços de importados já no começo deste ano. Para ele, esse repasse seria evitado “se, de hoje para amanhã, melhorasse a confiança na Europa”, o que é pouco provável.

“Gradualmente, computadores e celulares podem ter descontos cada vez menores, ou mesmo ficarem mais caros”, afirma Braz.