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Sábado, 18 de Maio de 2013
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Pesquisa do BC apura queda na oferta de crédito

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Crédito

Marcelo Portela

Projeção feita pelo Banco Central junto a bancos mostra perspectiva de queda na oferta de crédito em praticamente todos os segmentos no último trimestre do ano, em relação aos três meses anteriores.

O levantamento divulgado ontem ouviu 46 instituições financeiras responsáveis pela grande maioria da carteira de crédito no Brasil. O resultado da pesquisa, que mostra uma média da avaliação dos bancos, foi dividido em índices que variam entre -2 (retração forte), -1, (retração moderada), 0 (estabilidade), 1 (crescimento moderado) e 2 (crescimento forte).

O segmento com maior previsão de retração é o de grandes empresas. O BC consultou 22 instituições, responsáveis por 94,1% da carteira de crédito deste mercado, e constatou expectativa de retração de 0,77 na oferta de financiamentos em relação ao terceiro trimestre. Segundo o diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, a justificativa mais usada para a projeção foi a “condição geral da economia doméstica”.

No mesmo segmento, o mercado prevê também redução de 0,27 na aprovação de financiamentos e de 0,14 na demanda por crédito, motivada, segundo as instituições, por uma “menor necessidade de capital de giro”.

Micros
Já entre micro, pequenas e médias empresas, a necessidade de capital de giro, na projeção de 40 instituições financeiras consultadas pelo BC – responsáveis por 90,5% da carteira de crédito no País – deve impulsionar a demanda por financiamentos em 0,75 no quarto trimestre, com aumento de 0,05 na aprovação. No entanto, o mercado prevê também uma retração de 0,70 na oferta de crédito. De acordo com Araújo, o motivo mais alegado para a redução nesta fatia é a “preocupação com o nível de inadimplência”.

Outro segmento pesquisado é o de crédito a pessoas físicas voltado para o consumo, no qual o mercado financeiro prevê crescimento da demanda (0,35) e na aprovação (0,12) de crédito, mas também com expectativa de redução na oferta, de 0,35. O levantamento, neste caso, foi feito com 17 instituições financeiras, detentoras de 96,6% da carteira de crédito para essa fatia.

“O comprometimento da renda é o motivo alegado para a diminuição da oferta”, afirmou o diretor do BC. “O nível de emprego e as condições gerais são as justificativas para o aumento da demanda”, disse. “O 13.º (salário) impacta nas projeções. A renda das pessoas dobra e elas precisam de menos crédito”, avaliou.

O único segmento em que o mercado prevê apenas números positivos é o de financiamento habitacional. As oito instituições consultadas pelo BC, responsáveis por 99,7% da carteira, projetam crescimento de 0,13 na demanda, impulsionado, segundo Araújo, pela “concorrência” e de 0,50 na aprovação e na demanda por crédito, provocada, na visão dos bancos, pela “confiança no mercado” e pela “evolução nos preços” dos imóveis.

Dívida equivale a 41% do salário

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Juros

Fernando Nakagawa

O brasileiro tem, na média, uma dívida total que equivale a 41,3% do salário. Esse valor cresce sem parar desde 2006, quando o total dos empréstimos correspondia a menos de 25% da renda. Ou seja, o endividamento médio dos clientes dos bancos quase dobrou em cinco anos.

Apesar disso, brasileiros seguem destinando cerca de um quinto da renda ao pagamento mensal dessas dívidas. O último dado disponível mostra que famílias destinam todo mês 21,1% do salário para financiamentos. Essa fatia destinada a carnês e boletos está praticamente estável desde 2006, período em que o comprometimento girava em torno de 20%.

Os dados foram divulgados ontem pelo diretor de política econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo. Mesmo com o crescimento da dívida dos brasileiros nos últimos anos, o tema não preocupa o BC.

“Percebe-se que o endividamento das famílias cresce, mas o comprometimento da renda tem se mantido”, disse o diretor do BC em audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre o endividamento dos consumidores.

Aos poucos senadores presentes, Araújo disse que a autoridade monetária não vê o tema com preocupação.
De acordo com o diretor do BC, a dívida total cresceu, mas as parcelas seguem parecidas proporcionalmente porque o prazo dos financiamentos cresceu e os juros têm caído. Além disso, renda maior também explica os pagamentos mensais parecidos.

Novo empréstimo
Teoricamente, a dívida dos brasileiros poderia ser quitada rapidamente, em dois meses – já que o endividamento médio é de 41% do salário e mensalmente paga-se metade desse montante. Isso, porém, não ocorre porque muitos tomam um novo empréstimo assim que a dívida antiga é quitada.

Durante a audiência, o número do BC foi questionado pelo economista José Marcio Camargo, debatedor convidado. Para o professor da PUC do Rio de Janeiro, o pagamento mensal das dívidas consome, na verdade, 43,3% do salário dos brasileiros.

De acordo com o economista, a fatia destinada ao pagamento das dívidas é maior porque inclui compras parceladas sem juros no cartão de crédito e algumas operações no cheque especial, transações que não são incluídas no conceito usado pelo BC.

Apesar da preocupação, Camargo avalia que o Brasil está longe de uma situação de crise de crédito, como ocorre nos Estados Unidos e na Europa.

Brasil está perto do pleno emprego, diz diretor do BC

Categoria: Agenda, Análise

FERNANDO NAKAGAWA

O diretor de política econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, disse hoje que a recente evolução do mercado de trabalho aponta para uma situação que se aproxima do pleno emprego. “O Brasil vive um momento certamente muito próximo do que os economistas acham que é o pleno emprego”, disse em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Além do emprego sem sinais de deterioração, o diretor chamou atenção para o crescimento – classificado como “substancial” – da massa salarial nos últimos anos. “Isso repercute na confiança dos consumidores”, disse. Mais confiantes, explica Araújo, brasileiros têm mais segurança para tomar crédito.

Araújo também disse que o mercado de crédito às pessoas físicas dá sinais de acomodação desde o fim do ano passado. “Depois da forte aceleração a partir de 2008, no fim de 2010 e início de 2011 começamos a observar acomodação do crédito pessoa física”, disse.

Araújo falou que o BC não encontra nenhum sinal preocupante em relação à inadimplência dos empréstimos para pessoas físicas. Segundo ele, não há “nenhuma mudança grande” nos indicadores de calote. Durante a apresentação aos senadores, porém, o gráfico apresentado mostra que a inadimplência cresceu de um patamar pouco superior a 5,5% no fim do ano passado para os atuais 6,8%.

Diretor do BC indica manutenção da Selic

Categoria: Crédito, Indicadores, Inflação

Fernando Nakagawa

Inflação em ritmo mais lento, crédito em desaceleração, economia menos aquecida e piora do cenário internacional. O quadro descrito ontem pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, não lembra em nada o tom de preocupação da mesma instituição há alguns meses, quando o BC começou a elevar o juro. O discurso reforça a aposta de que a Selic deve interromper trajetória iniciada em janeiro e deverá ser mantida nos 12,5% na próxima decisão, dia 31 de agosto.

Ao apresentar o Boletim Regional do BC, Carlos Hamilton exibiu vários indicadores que apresentaram forte reversão desde o início do ano. Entre os dados mais recentes, estão a criação de emprego e a concessão de novos empréstimos nos bancos. Ambos mostram clara desaceleração ante 2010.

“É possível observar alguma moderação na margem na criação de postos de trabalho e no crédito”, disse diretor da autoridade monetária, num discreto tom de comemoração.

O diretor também chamou a atenção para o recuo dos índices de inflação entre abril e junho. “É uma resposta às medidas de política introduzidas no primeiro semestre de 2011 e no fim de 2010.”

Concessão de empréstimos deve cair

Categoria: Crédito, Inflação

Fernando Nakagawa

Bancos estão mais pessimistas sobre os próximos meses no mercado de crédito. A percepção das maiores instituições financeiras é que, com juro mais alto e incertezas internacionais, a oferta de empréstimos deve diminuir nas agências. Ao mesmo tempo, a economia em desaceleração deve reduzir a demanda por novos financiamentos entre os clientes.

A pesquisa Indicadores de Condições de Crédito, divulgada ontem e que passará a ser atualizada trimestralmente pelo Banco Central, mostra que o setor que sofre mais descrédito é justamente o que mais ajudou a manter a demanda no Brasil em 2008: o crédito para consumo das famílias.

Os resultados da pesquisa e a recente evolução do crédito foram bem recebidos no Banco Central, já que sinalizam a desaceleração de um dos motores da demanda interna.

Após apresentar indicadores que também revelam aumento dos juros, o diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, avaliou que “o mercado de crédito respondeu da maneira que esperávamos às medidas anunciadas, tanto as macroprudenciais como o aumento da taxa de juro”.

O pessimismo do sistema financeiro foi observado na pesquisa do BC que ouviu um seleto grupo de 46 instituições financeiras com perguntas qualitativas sobre a expectativa dos próprios bancos para o próximo trimestre em três temas relativos ao crédito: oferta, demanda e aprovação dos empréstimos.

Casa própria
Por outro lado, mesmo com o aumento do juro, crise e a esperada desaceleração da economia brasileira, as instituições bancárias não esperam piora do crédito imobiliário.

O levantamento da autoridade monetária mostra que a expectativa dos bancos pela demanda das famílias pelos financiamentos para a compra da casa própria cresceu de 0,75 ponto em março para 0,88 ponto em junho.