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Domingo, 26 de Maio de 2013
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Mercado plus size aposta em tendências

Categoria: Consumo

SUZANE G. FRUTUOSO

A dupla camiseta e legging, uniforme das gordinhas até pouco tempo atrás, deu lugar a peças descoladas, com cortes e caimento de qualidade. As curvas são valorizadas – e a autoestima mais ainda. O mercado plus size feminino, voltado para pessoas que vestem manequim entre 46 e 58, ganhou força nos últimos cinco anos. A base foi o sucesso do segmento nos Estados Unidos, com inúmeras grifes, modelos com cachês poupudos, desfiles oficiais no calendário de moda de Nova York, e o próprio termo (um jeito mais antenado de definir “extra grandeâ€).

O outro impulso ficou por conta do aumento de peso do brasileiro. Segundo dados do Ministério da Saúde, 48,1% da população está acima do peso e 15% são obesos. E como os quilinhos que vão além aparecem na tenra idade e a jovialidade se estende na vida adulta, a indústria percebeu a necessidade de introduzir uma linguagem jovem em seus produtos. Resultado: crescimento anual de 10%.

“No Brasil, cerca de 200 confecções investem em tamanhos grandes. Em São Paulo, são 60â€, diz a diretora da Fashion Weekend Plus Size Renata Poskus Vaz, evento semestral de moda com desfiles e salão de negócios que começou em janeiro de 2010 e chega a sexta edição em agosto. “Ainda é pouco para a demanda.†A previsão é receber 2 mil visitantes em dois dias e apresentar 20 marcas nas passarelas.

A empresária de 30 anos percebeu o nicho ao criar em 2009 o blog Mulherão, para dividir experiências com moças que, como ela, sofriam com o peso e a dificuldade de encontrar roupas que a fizessem se sentir bonita. “Tinha 40 acessos por mês. Hoje, são 300 mil. Muitas meninas se escondiam com vergonha do corpo. Trocando informações, as grifes boas foram encontradas e outras surgiramâ€, diz Renata.

Ela mesma criou uma loja virtual em outubro, com o nome do blog, para revender grifes que aprova e dá a dica para quem quer empreender na área: roupas de festa, de noivas e para adolescentes. “Tem muito o que expandir em geral. Mas nesses três casos a carência é enorme.â€

Há seis meses, a estilista Paula Kouwen fundou com a sócia Andreia Kely a grife de vestidos de festa Excesso de Charme, em São Paulo. Trabalhando há 15 anos com moda, Paula diz que as opções para as cheinhas envelheciam. “Estudamos como deveria ser uma boa modelagem e como usar, por exemplo, volumes nesse biotipo.†Com peças a partir de R$ 150 (o vestido longuete, até o joelho), o público da Excesso de Charme cresceu 50% desde seu início. A meta para o segundo semestre é atender outros Estados com vendas online. “Recebemos muitos e-mails de pessoas de outras cidades querendo saber como adquirir os modelos.â€

Valorização
Há 22 anos no mercado e com 13 lojas, a Kauê Plus Size sempre buscou nas tendências da moda a inspiração para suas coleções. Mas acrescentou o “plus size†ao nome recentemente, justamente para ampliar o público. “É uma atualização para uma melhor comunicação com o clienteâ€, diz Eliana Chican, supervisora de marketing da Kauê. “É um bom mercado para investir, que deve demorar para saturarâ€, diz. “E não importa o peso, mas saber os pontos fortes do corpo e valorizá-los.â€

A modelo Samantha Rebello, de 29 anos, aprendeu o truque. “Ao entender o que usar, deixei de ser insegura.†Com a aceitação física, mulheres acima do peso não têm mais vergonha de dizer que usam tamanhos grandes. “Nem de exigir qualidade. Por isso, oferecemos materiais bons, tecidos com sustentação, sem deixar o charme de ladoâ€, diz a coordenadora de desenvolvimento da marca de lingeries My Lady, Clarisse Navas. “Tudo tem renda, brilho, estampas de bicho.†Nada é proibido. E a vaidade é proporcional ao manequim.

MODA GG

UMA ÃREA EM EXPANSÃO
 
> > O setor cresce em média 10% ao ano e só começou a ganhar força nos últimos cinco anos. Ainda há muito o que melhorar

> > No Brasil, são calculadas em cerca de 200 as confecções que trabalham com tamanhos grandes

> >  Em São Paulo, são cerca de 60 grifes de moda GG

COMO CONQUISTAR ESSA CLIENTELA
 
> > Grifes masculinas tradicionalmente já têm tamanhos maiores. Marcas femininas, não. Criar algo voltado só para as gordinhas é uma sacada

> > Aposte em tendências e charme. Cada vez mais bem resolvidas, mulheres acima do peso querem rendas, brilhos,
cores e modelos da moda

> > Qualidade é fundamental. Tecidos precisam dar sustentação, mas com conforto. Corte e caimento devem valorizar curvas e esconder imperfeições

> > Há espaço para expansão em geral. Mas quem se dedicar à confecção de vestidos de festa, de noivas, moda adolescente e looks mais sociais para o trabalho pode se dar muito bem, já que não existe quase nada nessa área

Brasileiro é conservador ao investir

Categoria: Renda

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Ter recursos guardados para aquela compra, viagem ou mesmo para uma emergência todo mundo quer. O problema é que poucos fazem as contas para saber qual aplicação rende mais. Muitos não têm informação suficiente ou simplesmente receiam entrar em novos investimentos e optam por uma postura conservadora. Isso explica porque guardar dinheiro para o brasileiro é sinônimo de caderneta de poupança, segundo detectou pesquisa do Instituto de Pesquisas de Mercado Fractal.

A poupança, com quase 50% da preferência, nem sempre é a melhor opção. Os títulos de capitalização – que chegam a ser a escolha de cerca de 16% dos entrevistados – vêm em seguida e sequer são considerados investimento.

De acordo com o presidente do Fractal, Celso Grissi, é interessante que a pessoa saiba que guardar dinheiro não é a mesma coisa que investimento bem sucedido. “A maioria conhece muito pouco os produtos de investimento e faz confusões desse tipo. Por conta até da confiança cega no que o gerente do banco diz, acabam aplicando seu dinheiro muito mal.â€

A escolha pelo título de capitalização também tem a ver, muitas vezes, com a relação do cliente com o gerente. “Os gerentes de banco costumam ter cotas para vender o título de capitalização e oferecem o produto. As pessoas têm de questionar issoâ€, diz Samy Dana, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A poupança tem tido retorno um pouco menor do que outras modalidades de renda fixa, como o Tesouro Direto e CDB, mas só porque a Selic (taxa básica de juros) caiu para 9% ao ano. “Há até pouco tempo, a poupança só servia para que o dinheiro fosse corrigido para compensar a inflaçãoâ€, explica Marcio Cardoso, sócio diretor da Título Corretora. Isso porque ficava bem abaixo do rendimento dos títulos de renda fixa, que acompanham a Selic. “A poupança está mais vantajosa agora que a renda fixa, que perdeu por conta dos juros em queda, mas a maioria dos brasileiros não deve saber disso. É falta de conhecimentoâ€, completa Grisi.

Por conta da resistência de muitos a migrar para a renda variável, como fundos mistos ou bolsa de valores, – “o que faria mais sentido, já que os juros estão em quedaâ€, diz Grisi –, a poupança ganha destaque. Ainda mais porque, se os juros recuarem para 8,5%, o rendimento da caderneta vai superar o da renda fixa. Como o governo pode perder compradores dos papéis do Tesouro Direto, que financiam sua dívida, estuda uma mudança na remuneração da poupança.

“As próximas gerações terão de mudar essa cultura se quiserem ter maior rentabilidade e perder o medo da renda variável. Em outros países, como os Estados Unidos, onde os juros são baixos, investir na bolsa é mais comumâ€, diz Francisco Carlos B. dos Santos, professor de economia e finanças da Fipe. Se depender do engenheiro Gustavo Bohme, de 27 anos, o dinheiro vai continuar na poupança. “Investir na bolsa ia demandar mais tempo e desgaste. Prefiro segurança.â€

SAIBA MAIS

RENDA FIXA
> > Investimentos com rentabilidade determinável. Geralmente são indexados à taxa básica de juros (Selic) ou
vinculados a um índice inflacionário, como IPCA ou IGP-M

TESOURO DIRETO
> > É um programa do governo de venda de títulos públicos. O investidor pode optar pelo papel pós-fixado e atrelado à inflação (IPCA), que terá seu rendimento conforme a variação do índice; ou pelos papéis indexados à  taxa Selic (pré-fixados)

CDB
> > Certificado de Depósito Bancário é uma modalidade da renda fixa. Não tem taxa de administração, mas um resgate fora do prazo resulta em menor rendimento

Título de  capitalização como reserva

 A professora universitária Janeide Albuquerque Cavalcante tem 55 anos e há mais de 30 compra títulos de capitalização para ter sempre uma reserva em dinheiro. Mesmo sabendo que poderia ter maiores rentabilidades com outros tipos de investimento, prefere continuar como está. Afinal, o gerente do seu banco apoia e ela ainda ganha prêmios de tempos em tempos. “Já fui premiada em dinheiro duas vezes. Prefiro comprar títulos de capitalização, porque, assim, me comprometo em guardar dinheiro sempre e não fico tentada a gastarâ€, conta.

Essa é a vantagem dos títulos de capitalização, segundo a presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap).

“Colocando o dinheiro na poupança, a pessoa pode sacar a qualquer hora, já o título de capitalização, ela tem mais disciplina, concorre a prêmios e, no final do período, ainda resgata a quantia com rendimento mensal da TR (cerca de 0,5%)â€, explica Rita Batista, presidente da Comissão de Produtos e Coordenação da Fenacap.

Cada instituição tem suas regras. Mas, no geral, o cliente escolhe um período e um valor para pagar por mês. Existe um tempo de carência de seis meses, no qual ele não pode resgatar a quantia. Após isso, se sacar antes do final do prazo contratado, pode pagar multa.

Rita faz questão de destacar que o cliente não deve confundir o produto com modalidades como a poupança. “Esta não é uma forma de investimento.â€

Menos brasileiros aumentam suas dívidas

Categoria: Bancos, Consumo, Indicadores

SUZANE G. FRUTUOSO

O brasileiro parece dar os primeiros passos (ainda tímidos) para aprender a brecar as dívidas. Segundo levantamento sobre o perfil do inadimplente realizado a cada seis meses pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), 29,7% dos entrevistados declararam que elevaram suas dívidas em março, enquanto esse porcentual era de 41,3% em setembro de 2011. São os endividados controlando novos gastos.

“É um indicador otimista, resultado da combinação entre melhores salários, menos desemprego, aumento da renegociação de dívidas e maior conscientização das pessoas em relação às despesasâ€, diz Fernando Cosenza, diretor de inovação da Boa Vista.

A recuperação de crédito (renegociação da dívida) foi maior no primeiro trimestre de 2012, com 16,8%, ante 16,3% de 2011. O dado é mais positivo se comparado com os registros de inadimplência do mesmo período. No primeiro trimestre deste ano o calote ficou em 16%, enquanto nos três primeiros meses do ano passado o número chegava a 19,7%.

Não significa, porém, que o endividamento cairá. Ele vai apenas desacelerar em 2012. “A inadimplência continuará crescendo. Mas nossa previsão é que não chegue a 10%. Em 2011, o indicador foi de 22,3%â€, diz Cosenza.

O cartão de crédito é o vilão dos endividados, representa 39,8% das pendências. Em setembro de 2011, pelo menos 20% dos brasileiros tinham dívidas no cartão.

Lição
O estagiário de publicidade Thales Rodrigues, de 20 anos, aprendeu a se controlar. Ele ficou sem emprego cinco meses, mas continuou gastando com celular e lazer o mesmo de quando tinha salário. “Fiquei com R$ 500 negativos no banco.†Logo, Thales conseguiu trabalho. Mas ao pagar o que devia, resolveu que poderia gastar ainda mais. “Em outubro minha dívida alcançou R$ 1.400.†Hoje, graças a um empréstimo – já quitado – e bicos aos finais de semana, se livrou do problema. Diz ter aprendido a manter o orçamento com os R$ 900 que ganha.

A pesquisa da Boa Vista também mostra que o desemprego é o principal fator que leva as pessoas com renda de até três salários à inadimplência (44,8%). Para as faixas acima de dez salários o descontrole financeiro é a principal causa (37,3%).

Segundo Fabio Gallo, professor de finanças da PUC-SP e da FGV, é cedo para otimismo. “Os níveis de endividamento e inadimplência no País ainda são altos. As pessoas estão longe da conscientização necessária para saberem poupar e controlar gastos.†A Bolsa de Valores de São Paulo, o Procon e a própria Boa Vista oferecem cursos grátis de educação financeira para o público em geral.

IR: morava no exterior mas retornou

Categoria: Imposto de Renda

Morei em Portugal 12 anos e sempre fiz o IR por lá. Agora voltei para o Brasil e tenho dinheiro na caderneta poupança, inclusive tirei para comprar um carro e vendi um terreno e coloquei dinheiro na poupança. Como declarar?
Priscila Abreu

Primeiramente, na saída deveria ter sido entregue a Declaração de Saída Definitiva do País. No retorno, o brasileiro que volta ao Brasil com ânimo definitivo de aqui residir passa a ser residente a partir da data da chegada. Ao elaborar a declaração de Imposto de Renda, na ficha de “Bens e Direitos” informaria na coluna “31 de dezembro de 2010†o valor do dinheiro em posse na data de chegada, seja poupança ou aplicação financeira, e na coluna “31 de dezembro de 2011†o valor do saldo. Sobre o carro, lançar em “Bens e Direitos” e no campo “Descrição” informações sobre a compra do veículo. No terreno, dar baixa na ficha “Bens e Direito”, no campo “Descrição” os dados do comprador e forma de pagamento da venda do terreno, no campo “31 de dezembro de 2010″ o valor e no campo “31 de dezembro de 2011″ deixar o valor zerado.

Desde o dia 1º de março, o JT, em parceria com o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP), têm respondido às dúvidas dos leitores sobre a declaração de IR. Envie sua pergunta para o e-mail caroleao@grupoestado.com.br.

Medo de ficar sem trabalho diminui

Categoria: Indicadores, Trabalho

O medo do brasileiro perder o emprego diminuiu em março. Isso é o que mostra o estudo “Termômetros da Sociedade Brasileiraâ€, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a pesquisa, o desaquecimento da economia não afetou os humores da população.

O índice de medo do desemprego ficou em 73,5 pontos em março, o que representa queda de 3,9% ante os 76,5 pontos de dezembro de 2011, quando foi divulgado o estudo anterior.

A redução reflete o que ocorreu na região Nordeste, explica a CNI, onde o índice caiu de 81 pontos, no levantamento de dezembro, para 71,9 pontos, no divulgada ontem, ou seja, houve uma retração de 11,4%. Na região Sul estão atualmente os brasileiros que mais temem ser afetados pelo desemprego, com índice de 77,3 pontos.

Satisfação
O estudo mede também o índice de satisfação com a vida, que marcou 104,8 pontos em março, um recuo de 0,5% em relação ao que era apurado em dezembro, de 105,3 pontos. Segundo a CNI, a população da região Sudeste é a mais satisfeita com a vida, com índice de 106,6. A satisfação com a vida também é maior entre os residentes em cidades com mais de 100 mil habitantes, com índice de 106,1.

Segundo o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, a crise econômica mundial que atinge a indústria ainda não chegou à população.

“Apesar da redução do ritmo de crescimento da atividade econômica, a criação de emprego continua aumentando, a renda e o crédito também estão se elevando, o que intensifica o consumoâ€, diz Fonseca.

“Soma-se a isso o crescimento da classe média, que também impulsiona a demanda no mercado interno. Por todos esses fatores, o otimismo dos brasileiros está altoâ€, acrescenta o gerente da CNI.