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Domingo, 20 de Abril de 2014
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Bovespa volta a liderar ranking de investimento

Categoria: Tecnologia

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou ao topo do ranking dos investimentos em julho, o que não ocorria desde fevereiro. A valorização no mês passado foi de 3,21%, na frente do ouro (alta de 2,56%) e do dólar (1,84%).

O bom desempenho da Bovespa em julho não foi suficiente para deixar a aplicação com rendimento positivo no ano. Ontem, com o recuo de 2%, a aplicação passou do terreno positivo para o negativo este ano, com desvalorização acumulada de 1,16%.

“Nos últimos dias de julho, a Bolsa teve uma subida muito forte por causa das declarações do presidente do Banco Central Europeu, (Mario Draghi). Os investidores acreditaram que poderiam existir medidas que tirassem as incertezas do mercado”, afirmou Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Inflação
Na semana passada, Draghi afirmou que faria de tudo para proteger o euro da crise econômica. Além disso, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, prometeram união para a salvar o bloco. A forte alta de 1,34% do IGP-M no mês passado fez com que os fundos de Renda Fixa e DI, além dos CDBs e da poupança, tivessem os rendimentos corroídos pela inflação.

Em julho, os ganhos dos fundos de renda fixa e da poupança também foram influenciados por mais uma redução da taxa de juros básico, agora em 8% ao ano.
“Na renda fixa, nós estamos na mesma toada há alguns meses com o Banco Central reduzindo a Selic e o rendimento real caindo”, diz Fábio Colombo, administrador de investimento. “O juro real está caindo e, por isso, as pessoas têm de procurar a renda variável se quiserem um ganho no longo prazo. Acho que nós nunca mais vamos ver os juros reais nos patamares que tivemos no ano passado”, afirma Colombo.

Em 2012, o IGP-M tem alta de 4,57%. No ano, os melhores investimentos são ouro (alta de 11,58%) – bastante procurado em períodos de crise-, o dólar (9,52%) e os fundos de renda fixa (5,15%).
“O que a gente vem percebendo esse ano, com a Bolsa subindo e descendo, é que ficou valorizada a importância de o investidor diversificar e realizar o balanceamento dos seus investimentos”, aconselha Michael Viriato Araújo professor de finanças do Insper.

Bolsa tem pior resultado desde outubro de 2008

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Marcelo Rehder

Sob impacto das incertezas provocadas pelo agravamento da crise na zona do euro, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu quase 12% em maio. Foi o seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008, quando a perda foi de 24,8%, no auge da crise global detonada pela quebra do banco americano Lehman Brothers.

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, conseguiu mostrar melhora no fim do pregão de ontem, reagindo a rumores de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia estariam preparando um plano de socorro à Espanha. Fechou a quinta-feira em alta de 1,29%, em relação ao dia anterior.
Mesmo assim, o índice acumulou queda de 11,86% no mês. De longe, foi o pior opção de investimento no mês. No ano, também: o Ibovespa já acumula baixa de 3,99% desde janeiro.

“O cenário pessimista que se instalou desde a metade de março deste ano se agravou ainda mais em maio”, diz o administrador de investimentos Fabio Colombo. Ele ressalta que a crise da Grécia voltou à cena em razão da indefinição das eleições, trazendo dúvidas sobre o cumprimento de acordos financeiros e a permanência do país na zona do euro.

O fato provocou temores de contágio em relação a Espanha e Itália. Além disso, a mudança de governo na França e indicadores da China e Estados Unidos, confirmando o desaquecimento dessas economias, trouxeram mais nervosismo aos mercados.

“Como consequência, a maioria dos mercados acionários ao redor do mundo, inclusive o Brasil, apresentou perdas de até 15% em dólares no mês”, afirma o especialista. Ele acrescenta que os dados continuam a indicar fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2012.

A piora do humor externo fez o dólar se fortalecer em relação às principais moedas no mundo. Ontem, a cotação da moeda americana subiu 0,10% em relação ao real e fechou o mês com alta de 5,82%, negociado a R$ 2,018. Foi o melhor desempenho no ranking de investimentos de maio.

As demais modalidades, que são aplicações a juros, como é o caso dos fundos DI, os de renda fixa, a caderneta de poupança e os CDBs, estão sofrendo achatamento de rentabilidade por causa redução dos juros no Brasil. “Estamos vivendo uma situação inédita de juros tão baixos no País”, argumenta Colombo. A poupança, por exemplo, rendeu 0,55% em maio, ante uma inflação projetada para o IPCA de 0,42%. Se comparar com o IGP-M, que foi de 1,02%, a poupança está negativa em 0,5%.

Risco de Grécia deixar euro derruba bolsas

Categoria: Economia Internacional

A instabilidade política na Grécia provocou ontem nova onda de choque no mercado financeiro global. Sob o impacto da possibilidade cada vez mais concreta de saída de Atenas da zona do euro – processo inédito e de consequências imprevisíveis –, os investidores levaram as bolsas de valores ao vermelho. No Brasil, o dólar se aproximou de R$ 2 e o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou no menor nível do ano.

Em Londres, maior bolsa da Europa, o índice FTSE 100 caiu 1,97%, porcentual muito similar ao DAX, de Frankfurt, que recuou 1,94%. Em Paris, o pessimismo foi maior: o CAC 40 fechou com baixa de 2,29%. O pior resultado ocorreu em Atenas, onde o índice ASE perdeu 4,56%.

Segundo analistas de mercado, pesaram sobre as decisões dos investidores as recentes declarações de autoridades da UE desfavoráveis à Grécia. José Manuel Durão Barroso, presidente do Conselho Europeu, advertiu na sexta-feira sobre a necessidade de excluir o país da zona do euro, caso as regras acertadas não sejam cumpridas.

Em Berlim, Paris e Bruxelas, cresce a impaciência da opinião pública e, por extensão, da classe política em relação aos desacertos políticos gregos. Outro motivo de instabilidade é a posse do novo presidente da França, François Hollande, que sucede hoje Nicolas Sarkozy.

À noite, o chefe de Estado encontrará em Berlim a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para negociar uma saída para outro impasse político, dessa vez em torno do Pacto de Estabilidade, assinado por 25 dos 27 países europeus em março. Hollande deseja a renegociação do texto, que prevê regras estritas de austeridade e responsabilidade fiscal, propondo a inclusão de cláusulas em favor do estímulo ao crescimento econômico.

Embora a perspectiva seja de um encontro de interesses entre Merkel e Hollande, os dois líderes políticos trocaram declarações intransigentes nos últimos dias – algo que não traz segurança aos investidores.

Nesse cenário de instabilidade, a Espanha sofre. Ontem, os juros cobrados por títulos da dívida soberana com vencimento em 10 anos chegaram à marca de 6,27%, recorde desde dezembro.

Com a alta de 1,79% ontem, a moeda americana acumula valorização de 6,31% no ano. Do fim de fevereiro até ontem, o real é a moeda que mais perdeu em relação ao dólar no mundo: 13,24%. Mesmo assim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o movimento não preocupa o governo.

“O dólar alto beneficia a economia brasileira, porque dá mais competitividade aos produtos brasileiros. Significa que a indústria brasileira pode competir melhor com os importados, que ficam mais caros, e pode exportar mais barato. Portanto, não preocupa.”

Bolsa tem melhor 1º trimestre desde 1999

Categoria: Dólar, Indicadores, Investimentos

ROBERTA SCRIVANO
LUIZ GUILHERME GERBELLI

Pela primeira vez no ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)registrou queda mensal (-1,98%) e ficou na lanterna do ranking das rentabilidades. Na liderança de março está o dólar, com alta de 6,47%. No primeiro trimestre de 2012 o resultado é inverso ao observado em março: Bovespa no topo, com alta de 13,67% — melhor número para o período desde 1999, quando o Ibovespa subiu 16,72% –, e a moeda americana em último lugar, queda de 2,25%.

Especialistas explicam que a queda mensal na cotação das ações ocorreu por conta da saída de alguns investidores da modalidade. “A Bovespa está vindo bem desde dezembro do ano passado. Em março, houve um movimento de venda de ações para a realização do lucro”, explica Leandro Ruschel, diretor da corretora Leandro & Stormer.

A boa onda vivida entre dezembro e este mês ocorreu pela melhora do cenário externo. “A crise da Europa está em stand by. Isso estimulou a melhoria dos ânimos”, detalha Ruschel.

Para o administrador de investimentos Fábio Colombo, porém, a divulgação de indicadores econômicos da China que mostraram um certo desaquecimento da economia do país asiático em relação às expectativas anteriores, também impactou as cotações do mercado acionário. “As altas dos mercados ao redor do mundo, em março, se reverteram bem na metade do mês e mostram indefinição de rumo neste momento”, considera Colombo.

A Bolsa de Valores ficou em último lugar no ranking de rendimentos de março; dólar teve a maior valorização (Foto: THIAGO TEIXEIRA/AE – 9/8/2011)

E é justamente por essa indefinição e pelas fortes oscilações que a Bolsa têm apresentado de um ano para cá que André Massaro, educador financeiro, não considera um bom momento para e entrada na Bolsa. “Nosso juro ainda é muito alto na comparação com outros países. O investidor deve aproveitar essa taxa e aplicar em renda fixa”, afirma o especialista.

Renda fixa
Em março, todas as alternativas de investimentos da renda fixa superaram a inflação medida pelo IGP-M (0,43%). Os fundos de renda fixa foram os melhores colocados, com ganho de 0,75%. Na sequência aparecem os fundos DI (0,67%). Depois, vêm os CDBs (0,65%) e a caderneta de poupança (0,61%).

Massaro aproveita para alertar sobre os riscos de se considerar o dólar um investimento. “O pequeno investidor não deve se deixar entusiasmar ao ler que o dólar foi o mais rentável do mês”, diz.

O educador financeiro reforça que a moeda americana, diferentemente das ações das empresas, tem sua cotação totalmente lastreada em especulação e não é garantia de renda ao fim do mês.

Bolsa sobe 15,96%, a maior alta no 1º bimestre desde 1999

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Roberta Scrivano

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve o melhor desempenho para o primeiro bimestre do ano desde 1999. Desta vez, o Ibovespa subiu 15,96% de janeiro até fevereiro — em 99, a alta foi de 25,39%. A valorização dos primeiros meses de 2012, no entanto, ainda não superou a perda de 18,1% durante 2011. Ainda assim, especialistas em finanças pessoais já recomendam a venda parcial de ações para que o investidor embolse o lucro obtido até aqui.

Levando em conta apenas fevereiro de 2012, a valorização das ações foi de 4,34%, o que colocou a modalidade na liderança das rentabilidades do mês. A única aplicação que deu prejuízo ao investidor em fevereiro foi o dólar (-1,66%). Desde o início do ano até agora, a moeda americana já perdeu 8,19%.

Diante da atual configuração do ranking das rentabilidades, somada às incertezas sobre o desenrolar dos problemas europeus – que pode impactar diretamente o mercado acionário nacional -, especialistas em investimentos reforçaram as recomendações de venda de parte das ações que o investidor tem na carteira.

“A indicação que estamos dando aos nossos clientes é a venda de cerca de 20% do total que está alocado em ações”, diz Rogério Bastos, diretor da consultoria financeira FinPlan. “Agora, com tamanha alta, quem não está na Bolsa, deve permanecer fora”, frisa o especialista.

Bastos explica que sua recomendação está diretamente relaciona às incertezas internacionais. “Tem muita nuvem negra no horizonte”, diz o especialista. “A qualquer momento, a tempestade pode cair e o mercado poderá ter uma reviravolta.”

As turbulências externas impactam as cotações da Bovespa sobretudo por causa da forte participação de estrangeiros no mercado nacional. Rafael Paschoarelli, professor de finanças da Universidade de São Paulo (USP), explica que, se a situação lá fora se complica, a aversão ao risco dos estrangeiros aumenta e, portanto, eles sacam seus recursos alocados em ativos de risco, como a bolsa. O saque maciço derruba as cotações.

Renda fixa
Todas as opções de investimento que integram a renda fixa tiveram ganhos superiores à inflação medida pelo IGP-M (-0,06) em fevereiro. Os fundos de renda fixa e os CDBs com aplicação maior que R$ 100 mil renderam 0,64% no segundo mês do ano. Os fundos DI renderam 0,59% também em fevereiro. A caderneta de poupança, como esperado, subiu 0,50% no período.

“Mas preocupa a evolução da inflação nos próximos meses e a queda forte dos juros”, comenta Fábio Colombo, administrador de investimentos. A taxa básica de juros (Selic) está em queda e a expectativa do mercado é que o movimento continue até, pelo menos, o fim deste ano. Com isso, a rentabilidade da renda fixa ficará cada vez menor – já que a Selic é um dos principais componentes da fórmula que calcula esses rendimentos.

A comparação dos ganhos das modalidades da renda fixa em fevereiro deste ano com o mesmo mês do ano passado já mostra o impacto da redução da Selic na rentabilidade. Os fundos de renda fixa, por exemplo, que renderam 0,64% no mês passado, ganharam 0,76% em fevereiro de 2011. A Selic, que hoje está em 10,5% ao ano, estava, na época, em 11,25% ao ano.

Outro ponto salientado por especialistas, e que também é fruto da redução do juro, é que a poupança passa a ficar mais competitiva diante de alguns fundos de investimento quando a Selic atinge um dígito. Isso ocorre porque a caderneta não tem custo ao investidor nem incidência de IR. Os fundos têm taxa de administração e IR, o que corrói a rentabilidade. “Precisa colocar na ponta do lápis para ver se a poupança não está mais vantajosa”, diz Colombo.