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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
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Alívio com a Grécia dura pouco e Espanha assusta

Categoria: Economia Internacional

A lua de mel não durou mais do que algumas poucas horas e o aparente fim do suspense na eleição na Grécia não deu alívio à Europa. Ontem, a crise jogou a Espanha à beira de um precipício financeiro e mergulhou o continente numa indefinição até então desconhecida.

O resultado da eleição na Grécia no fim de semana foi recebido com alívio, com a vitória de partidos que defendem o acordo de resgate com a Europa e a aparente formação de um governo de coalizão entre a Nova Democracia e os socialistas. O resultado afasta a possibilidade de que um governo de extrema esquerda assumisse o poder e decretasse o fim dos acordos entre Bruxelas e Atenas, na prática expulsando a Grécia da zona do euro.

Para analistas, porém, a eleição fracassou em dar garantias ao bloco e deixou claro que a crise grega apenas encobria uma incerteza generalizada. A lua de mel nos mercados foi mais curta do que se esperava. O foco de instabilidade se transferiu para a Espanha e deixou evidente a falta de estratégia da UE para lidar com a crise e o fato de que a quarta maior economia do bloco ainda não tem solução para a crise.

“O mercado escancarou uma realidade que os europeus descobrem a cada dia: a de que resolver a situação de Atenas já não resolve a crise da UEâ€, disse um negociador europeu ao

Ontem a Espanha viveu seu pior dia nos mercados financeiros desde o início da crise. O risco país bateu novo recorde e a bolsa de Madri despencou, numa indicação de que o país está a ponto de ver as portas do mercado de crédito se fecharem.

O dia começou com sinais positivos, com o resultado das eleições gregas. Madri chegou a ver a bolsa subir 2%. Mas o otimismo logo deu lugar a uma onda de tensão sem precedentes na Espanha desde a criação do euro.

Madri anunciou há dez dias que havia fechado um acordo para um resgate de até 100 bilhões de euros para seus bancos. Mas ontem a própria UE admitiu que o pacote não estava pronto. Sem uma definição de quem receberia esse dinheiro, quais seriam os critérios, quem ficaria responsável e nem mesmo quando o dinheiro chegaria, o mercado reagiu. A bolsa fechou em queda de 2,9%, mesmo índice de Milão. Já a taxa de juros da dívida espanhola atingiu o recorde de 7,2%, o que, na prática, impede que o governo tenha acesso sustentável a um financiamento no mercado.

Ontem, o governo espanhol se limitava a tentar dar garantias ao mercado, em vão. Enquanto isso, no México, a nova onda de turbulência deixou a chanceler alemã Angela Merkel sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do restante do G-20, para que seja flexível em seu receituário para o continente e ofereça uma nova alternativa para superar a crise. Em ano de eleição, Obama não quer ver a crise europeia atingir as costas americanas.

Instabilidade global deve continuar em 2012

Categoria: Economia Internacional, Trabalho

Peter Apps *

Os antigos maias conferiram uma importância especial ao ano de 2012, que para eles seria o possível fim dos tempos. O que tem levado à uma busca desenfreada de literatura apocalíptica nesta temporada de festas de fim de ano.

Mas não é preciso achar que o mundo está chegando ao fim para entender que o próximo ano deve abranger talvez os maiores riscos políticos para a economia global nunca vistos na história recente.

Com eleições e mudanças de liderança nos países mais poderosos, a Europa em crise, a ebulição no Oriente Médio e as dificuldades econômicas se agravando, provocando distúrbios e descontentamento por todo o lado, 2012 poderá ser um ano tão volátil como 2011, talvez pior.

Mas este ano ainda pode trazer algumas más surpresas, uma vez que as preocupações com o euro e a inquietação sobre um possível ataque israelense contra o Irã devem, provavelmente, manter os mercados financeiros e as autoridades políticas em suspense até a chegada do próximo ano.

Mais de três anos depois de o colapso do Lehman Brothers levar à maior crise financeira desde a Grande Depressão, as incertezas econômicas estão provocando uma agitação política que pode se tornar um círculo vicioso particularmente negativo.

Os estresses econômicos – desde o aumento dos preços dos alimentos até as dificuldades econômicas se agravando no mundo desenvolvido – estão no centro de muitos dos fatos políticos de 2011. À medida que se intensificam, a volatilidade política, a paralisação da atividade, os confrontos e conflitos – domésticos ou internacionais – deverão piorar.

“Tudo vai piorar e não melhorarâ€, disse Jonathan Wood, analista de assuntos globais na consultora Control Risks com sede em Londres. “Se examinar o que vem provocando os acontecimentos este ano, vai verificar que nenhum dos fatores deve desaparecer e muitas das causas propulsoras da crise ainda estão crescendo.â€

Nas urnas
As eleições presidenciais nos Estados Unidos, França e Rússia e a transição de poder na cúpula do Partido Comunista chinês aumentam as incertezas. Será mais difícil para os líderes políticos conseguirem compromissos ou adotar medidas políticas mais difíceis.

Obstáculos cada vez maiores? Muitos analistas alertam que todos esses fatos aumentam o risco de uma paralisação política no momento em que o mundo mais necessita de lideranças. O fracasso da “supercomissão†do Congresso dos Estados Unidos em não chegar a um acordo quanto à redução do déficit de orçamento é um sinal do que pode ocorrer futuramente em outros países.

O presidente Barack Obama enfrentará uma disputa muito dura em busca da reeleição, seja qual for o candidato escolhido pelos republicanos, isso por causa da economia morosa, uma taxa de desemprego de 8,6% e os apertos que a classe média vem sofrendo com a queda dos preços dos imóveis e das ações. * REUTERS

Nos EUA, 15,1% da população é pobre

Categoria: Indicadores, Trabalho

Gustavo Chacra *

Em mais uma má notícia para o presidente Barack Obama, 46,2 milhões de americanos estão abaixo da linha de pobreza, o que equivale a 15,1% da população. O número absoluto é recorde histórico. Já o porcentual atingiu o maior patamar desde 1993. Em 2009, eram 43,6 milhões de americanos (ou 14,3%).

As informações foram divulgadas ontem pelo Censo dos Estados Unidos que compila os dados sobre a pobreza há mais de meio século. Segundo analistas, o cenário atual se complica ainda mais se for levado em conta a taxa de 9,1% de desempregados.

A pobreza cresceu entre 2009 e 2010 entre os hispânicos, negros e brancos, não tendo alteração entre os asiáticos, de acordo com o governo americano. Entre os menores de 18 anos, a situação ainda é mais grave — 22% vivem abaixo da linha de pobreza. Além dos que já são considerados pobres, outros 3,2 milhões são mantidos acima desse patamar graças ao seguro-desemprego e 20,3 milhões através do seguro social.

Cada vez mais, os americanos procuram instituições como o Centro de São Francisco, em Los Angeles. A agência sem fins lucrativos, especializada em serviços de alimentação aos necessitados, oferece assistência diária em programas e serviços para famílias de baixa renda, jovens e moradores de rua.

A média de renda familiar teve uma queda de 6,4% em relação a 2007, último ano antes da crise econômica que os Estados Unidos ainda lutam para sair.

O valor está atualmente em US$ 49.445. Em valores brutos, quando comparado ao ano 2000, a diminuição foi de mais de US$ 6.000.

Parâmetro
Nos Estados Unidos, as pessoas são consideradas abaixo da linha da pobreza quando uma família de quatro pessoas possui uma renda anual abaixo de US$ 22.113, em critérios muito mais rigorosos do que no Brasil. Em reais, seriam R$ 37 mil por ano, ou um salário mensal de mais de R$ 3 mil, o que colocaria a pessoa na classe média.

Quando se leva em conta a linha de miséria, abaixo dos US$ 11 mil anuais, há 20 milhões de americanos, ou 6% do total da população, Em outro dado considerado alarmante, quase 50 milhões de habitantes dos Estados Unidos com menos de 65 anos não possuem seguro saúde.

Apesar desses números, a questão do crescimento da pobreza tem sido abordada apenas indiretamente, quando ligada ao desemprego. Na semana passada, o presidente apresentou um ambicioso plano de US$ 450 bilhões ao Congresso para criar novos postos de trabalho. (* correspondente em NOVA YORK)

Divisão em banco central europeu agrava crise

Categoria: Bovespa, Economia Internacional

O dia já não tinha começado bem, depois de os mercados receberem friamente o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de medidas para estimular o emprego no país, considerando os problemas que podem se apresentar para uma aprovação do plano pelo Congresso americano.

Mas ficou pior com a informação de que Juergen Stark, da diretoria executiva do Banco Central Europeu (BCE), deixará o cargo no fim do ano, bem antes do término do mandato, e com a iminente ameaça de um calote da Grécia.

As principais bolsas encerraram com forte queda. Na Europa, Londres perdeu 2,35%; Frankfurt, 4,04%; e Paris, 3,60%. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 2,69% e o Nasdaq, 2,42%.

No Brasil, o Ibovespa perdeu 3,2% e o dólar ampliou para 5,46% o ganho no mês. Com a alta de ontem, a moeda americana superou as perdas do ano no Brasil e passou a ficar positivo em 1,02%.

Segundo o BCE, Stark pediu demissão por “razões pessoaisâ€, mas por trás de sua saída estariam divergências sobre o programa de compra de bônus conduzido pela autoridade monetária.

Stark é o segundo alemão a deixar o banco neste ano. Axel Weber, presidente do banco central alemão, já havia saído em fevereiro, também por causa de sua oposição ao programa de compra de bônus.

Mais cedo, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que os riscos de queda no crescimento em todo o mundo aumentaram e os países precisam agir agora, de maneira decisiva e coordenada. Neste fim de semana, o G-7 se reúne em Marselha sob forte pressão.

Somou-se ao pessimismo os rumores de que a Grécia poderia declarar calote neste fim de semana – negados pelo governo. Uma fonte no Ministério de Finanças da Grécia qualificou os boatos como “lixoâ€.

Mas, segundo a agência Bloomberg, a Alemanha já teria um plano B para blindar seu sistema financeiro no caso de um calote grego. Informação descartada pelo ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.

Segundo o ministro alemão, o foco continua sendo a implementação do acordo concluído com a Grécia em julho. “O que ficou acertado será implementado. Especular sobre resultados não faz sentido.â€

Autoridades da zona do euro chegaram a um acordo em julho sobre os termos de um segundo pacote de resgate financeiro à Grécia, assim como ampliaram em tamanho e flexibilidade a Linha de Estabilidade Financeira Europeia.

Com tudo isso, a aversão ao risco acentuou-se. O custo da dívida pública europeia contra a moratória subiu para níveis recordes, enquanto os mercados de títulos soberanos de países periféricos sofreram nova onda de vendas, levando o BCE a intervir, comprando títulos da dívida pública da Itália e da Espanha. / Agências Internacionais

China quer acesso a segredos do Volt, da GM

Categoria: Empresas, Indústria, Tecnologia

Keith Bradsher *

Para a General Motors e o governo de Barack Obama, o novo carro híbrido Chevrolet Volt representa o futuro do automóvel, a coroação de décadas de pesquisa em alta tecnologia financiada, em parte, com dinheiro federal. Mas agora que a GM se prepara para vendê-lo na China até o fim deste ano, o governo chinês está exercendo uma forte pressão sobre a companhia para compartilhar parte da tecnologia básica do carro.

O governo chinês está se recusando a qualificar o Volt para subsídios que totalizam até US$ 19.300 por carro, a menos que a GM concorde em transferir os segredos de engenharia de uma das três tecnologias principais do Volt a uma joint venture na China com uma fabricante chinesa, segundo executivos da GM.

Alguns especialistas em comércio internacional disseram que a China se arriscará a violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) se impuser esse requisito.

Para a General Motors e o governo de Barack Obama, o novo carro híbrido Chevrolet Volt representa o futuro do automóvel (Foto: Rebecca Cook / REUTERS)

O pedido do governo é o mais recente exemplo da disposição da China de usar a alavancagem que é o acesso do Ocidente ao vasto mercado chinês para extrair concessões sobre tecnologias avançadas.

Políticas para forçar transferências de tecnologia ajudaram o país a construir grandes indústrias em áreas como turbinas eólicas, trens de alta velocidade e purificação da água. Empresas ocidentais se queixaram de que a tática cria um campo de jogo desigual para quem tenta competir com indústrias domésticas chinesas.

A disputa sobre o Volt ameaça levar a outra disputa comercial com o Ocidente e poderá afetar a dinâmica de uma visita à China, neste mês, do secretário americano de Energia, Steven Chu.

Os subsídios ao consumidor em questão são considerados cruciais para ajudar veículos elétricos e híbridos a “emplacarem†na China, que se tornou o maior mercado mundial de carros em 2009.

O governo chinês tornou prioritária dar um passo à frente em relação aos carros que queimam combustíveis fósseis e emitem gases poluentes. Em uma conferência setorial em Tianjin, cidade portuária perto de Pequim, no último fim de semana, autoridades do governo conclamaram os fabricantes automotivos chineses a colocar uma nova ênfase na produção de modelos tecnologicamente avançados e com consumo mais eficiente de combustível, incluindo híbridos movidos a gasolina e a eletricidade e carros inteiramente elétricos.

Subsídio local
Por enquanto, os subsídios estão disponíveis para carros elétricos fabricados por montadoras chinesas, como o e6, fabricado pela BYD, dando-lhes uma enorme vantagem competitiva.

O Volt, se a GM prosseguir com o plano de começar a vendê-lo na China, será o primeiro carro para o mercado de massa predominantemente elétrico importado para a China por uma fabricante estrangeira.

O Volt ainda não teve seu preço estipulado na China. Mas os subsídios chineses são quase a metade do preço de varejo sugerido para o Volt nos Estados Unidos, US$ 41 mil, antes de incluir um abatimento fiscal de até US$ 7,5 mil que Washington oferece.

O abatimento fiscal americano não se limita a carros domésticos, nem exige transferências de tecnologia. (* do THE NEW YORK TIMES / tradução de CELSO PACIORNIK)