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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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70% da alta do crédito vem do BB e da Caixa

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Crédito

Leandro Modé

Os bancos públicos responderam por 71% do aumento do estoque de crédito no País em 2012, enquanto os privados nacionais tiveram participação de 17% e os privados estrangeiros, de 12%. Os dados, extraídos do relatório de política monetária e crédito do Banco Central (BC) de agosto, foram compilados pelo economista Roberto Luís Troster, que durante anos dirigiu a área econômica da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A diferença no desempenho repete o cenário de 2008 e 2009, quando as instituições controladas pelo governo federal também expandiram os empréstimos em velocidade muito superior à dos concorrentes privados. Para muitos analistas, porém, as semelhanças param por aí. Eles argumentam que, lá atrás, a conjuntura era de crédito travado em razão da crise global. Hoje, o dinheiro circula normalmente.

O abismo entre os números é explicado pela estratégia distinta adotada pelos dois ramos da indústria financeira em 2012. Por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o público vem atuando conforme a orientação do governo de 1) estimular a atividade econômica com mais crédito e 2) aumentar a concorrência no setor financeiro.

Os privados, de seu lado, sofreram durante boa parte do ano com o aumento da inadimplência, que os levou a ficar mais cautelosos na concessão de empréstimos. A tendência para os calotes, aliás, é de queda neste último trimestre do ano, de acordo com especialistas.

“O problema é que os índices de eficiência das instituições públicas é pior e elas não suportam as reduções de taxas de juros (aos clientes) como as que têm sido feitasâ€, argumenta Troster. “A conta vai chegar e será necessário mais reforços de capital. Quem pagará é o contribuinte. Há uma socialização do prejuízo.â€

Troster ressalva que concorda com o argumento dos dirigentes dos bancos públicos de que é possível reduzir taxas as taxas cobradas dos clientes. “Mas, para tanto, é preciso reduzir custos e não subsidiar preços baixos.â€

O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, também tem uma visão crítica em relação à estratégia dos bancos públicos, ainda que menos ácida que a de Troster. “A exposição dessas instituições ao risco aumentouâ€, afirmou.

Ele observa que, se houver um problema econômico inesperado, como o recrudescimento da crise global, os bancos públicos poderão ter problemas. “Só então saberemos se a política de crédito do BB e da Caixa hoje está sendo bem feita.†Santacreu lembra que, hoje, não é possível saber. “Em um primeiro momento, os índices de inadimplência de quem expande fortemente o crédito tendem a se manter estáveis ou até melhorar.â€

Defesa da estratégia. Em conversa com o Estado, o vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil, Alexandre Abreu, defende a estratégia da instituição e rebate os críticos. “Discordo veementemente da ideia de que estamos elevando o risco de nossas operaçõesâ€, disse. “Não alteramos em nada nossa política de concessão de crédito, embora estejamos crescendo mais do que os concorrentes.â€
Abreu destaca dois dados. O primeiro deles é uma medida que aponta, mês a mês, o porcentual de operações de crédito que registraram atrasos já na terceira prestação do financiamento. “Esse indicador tem mostrado estabilidade, até com uma certa melhoraâ€, afirmou. “Se percebêssemos alguma piora, certamente faríamos ajustes em nossa operação.â€
O segundo dado é o que mede o risco dos clientes do banco. Uma resolução do Banco Central (BC) define que um cliente do sistema financeiro nacional deve ser enquadrado conforme uma escala que começa com AA e termina com H. “No nosso caso, a participação de clientes no intervalo AA até C vem aumentando trimestre após trimestre, o que significa que a qualidade da carteira está até melhorandoâ€, garante.
De acordo com Abreu, essa melhora em meio à forte expansão do crédito é explicada por dois fatores: clientes que não tomavam empréstimos passaram a fazê-lo por causa do custo do dinheiro mais baixo; e as taxas de juros inferiores abriram espaço na renda dos clientes para mais endividamento.
O vice-presidente de finanças da Caixa, Marcio Percival, também rechaça as críticas. “Estamos crescendo com responsabilidade, com qualidadeâ€, disse. Assim como Abreu, ele destaca alguns pontos para sustentar seu argumento. Em primeiro lugar, afirma que a Caixa está crescendo sobretudo em linhas de menor risco – imobiliário e consignado. Em segundo, lembra que o banco vem crescendo nesse ritmo desde 2008. “E não tivemos alta da inadimplênciaâ€, disse.
O terceiro ponto, segundo Percival, é que o banco adota modelos de avaliação de risco “extremamente conservadores†e monitora frequentemente os dados de inadimplência. Por fim, o executivo cita que o crescimento da base de clientes tem se dado nas faixas de menor risco de clientes – de AA a C, como no Banco do Brasil. “Eu convido os analistas a se debruçar com profundidade sobre os balanços da Caixa.â€

Bancos terão de explicar custo de tarifas

Categoria: Agenda, Análise, Bancos

Célia Froufe

Com o aumento da oferta de crédito no País, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, quer monitorar os custos efetivos das operações financeiras e vai começar colocando uma lente de aumento sobre as tarifas dos bancos.

“Queremos verificar quanto, de fato, se cobra na ponta ao consumidor”, afirmou a secretária Juliana Pereira da Silva, que discutirá hoje com representantes do Banco Central (BC) como se dará esse monitoramento.

A ação será mais uma ofensiva do governo na área financeira. Brasília está insatisfeita com o pequeno repasse da redução dos juros ao consumidor, com a alta das tarifas cobradas pelos bancos e com as elevadas taxas de cartão de crédito para clientes e lojistas. Para acirrar a concorrência no mercado, o governo tem acionado os bancos públicos.

Esta não é a primeira batalha da Secretaria Nacional do Consumidor em relação ao setor. A secretaria esteve, junto com o Banco Central, por trás da unificação dos nomes das tarifas bancárias, mas o avanço é considerado insuficiente para que o consumidor compare os serviços oferecidos pelos diferentes bancos.

Hoje, as instituições financeiras têm de contar ao BC qual o teto de tarifas cobrado aos clientes. O problema, segundo a Senacon, é que a obrigatoriedade é insuficiente para que correntistas saibam de antemão exatamente quanto vão pagar de encargos.

A avaliação é de que é preciso um detalhamento maior, unificado e transparente dos serviços ofertados. O ideal seria poder fazer escolhas de tarifas como se faz opções por compra de televisões, comparando marcas e lojas a partir de parâmetros únicos como tecnologia (LED ou LCD) e número de polegadas.

‘Bola da vez’
A cobrança de abertura de crédito é considerada a “bola da vez”, porque os consumidores têm ganhado ações na Justiça nesse âmbito. De acordo com o site do Banco Central, elas podem chegar a R$ 5 mil, mas não se sabe quanto o cliente paga, em média, por esse tipo de operação. Há relatos de pagamento de R$ 1 mil para essa operação embutida em financiamento de veículos, e que o consumidor nem se dá conta de que está pagando.

“Esse valor corresponde a uma parcela da compra de carro, e poderia ir para o consumo de um bem”, afirmou Juliana.

A alta taxa de um serviço não é vista como um problema em si, pois cabe ao consumidor optar por esse ou aquele estabelecimento na hora de contratá-lo. A questão, enfatizou Juliana, é que o correntista tem de saber, antes de fechar um negócio, quais são exatamente as taxas cobradas pelas instituições para que possa fazer comparação e tomar sua decisão, o que nem sempre ocorre. “O mercado tem liberdade, mas falta ao consumidor condições para fazer comparações”, disse.

As listas das maiores tarifas e taxas cobradas por banco pode ser acessada no site do BC. Mas isso não basta, avalia Juliana. “Não adianta falar que a informação está no site do Banco Central ou no da Federação dos Bancos, pois o cliente não acessa. É preciso tratar a informação de forma transparente”, defendeu.

Outra frente que a secretária promete explorar é a dos juros embutidos nos produtos comprados em várias vezes, os famosos parcelamentos “sem juros”. “Isso tem de avançar e queremos aproveitar as normas e nosso convênio com o Banco Central para criar instrumentos para o consumidor.”

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que se pronunciará sobre o assunto “oportunamente”.

Fabricantes de cerveja já repassam imposto maior

Categoria: comércio, Consumo, Indústria, Inflação

Agência Estado

Os alimentos vêm sendo apontados como os vilões da inflação ao consumidor nos últimos meses. Entretanto, as bebidas também estão pesando mais no orçamento das famílias. O avanço foi superior ao do Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado sugere uma antecipação do aumento de impostos sobre o produto.

Nos últimos 12 meses, a cerveja consumida dentro de casa ficou 12,97% mais cara, enquanto a cerveja consumida na rua subiu 12,58%. O avanço representa mais do que o dobro da inflação oficial no período, que acumulou uma alta de 5,24%, informou o IBGE.

“As cervejas têm aumentado muito. Parece que houve uma antecipação do aumento do imposto”, avaliou Irene Machado, técnica da Coordenação de Ãndices de Preços do instituto.

Irene refere-se ao aumento de impostos determinado por decreto publicado em 31 de maio no Diário Oficial. À época, os fabricantes calcularam que a mudança no método de cálculo do IPI e do PIS/Cofins incidentes sobre cervejas e refrigerantes resultariam em uma elevação de 27% nos impostos sobre a cerveja e de 10% sobre os refrigerantes.

“É o maior aumento de imposto da história do País. Nunca houve um aumento de imposto tão grande”, disse Alexandre Loures, diretor de Comunicação da Ambev, que detém 68% do mercado brasileiro de cerveja.

Nova tabela
A nova tabela de cálculo passa a vigorar em outubro, mas os fabricantes já começaram a repassar os custos maiores com os tributos. No Rio de Janeiro, um restaurante decidiu acalmar os ânimos dos frequentadores aborrecidos com o aumento na garrafa de cerveja, que saiu de R$ 7,00 para R$ 9,00, com cartazes colados no estabelecimento que creditavam o encarecimento a um reajuste de 18% no produto praticado pela Ambev.

Os avisos tiveram repercussão entre os clientes e a cervejaria acabou negociando com a casa um aumento menor, segundo funcionários do lugar.

A Ambev nega que tenha praticado um aumento de 18% em qualquer uma de suas marcas de cerveja. Mas a empresa confirmou que espera aumentar em 10%, em média, o preço do produto este ano, sendo que 5% seriam apenas do repasse dos impostos mais altos. Desde junho, a Ambev já aumentou em 7% o preço da cerveja. Os outros 3% serão repassados até o fim do ano.

“Conforme já havíamos anunciado, o aumento do imposto implicará em um aumento de 5% na cerveja. Mas também costumamos repassar nessa época do ano as perdas com a inflação. E agora ainda tem a pressão do câmbio, que, com o dólar subindo, aumenta muito os custos com os nossos insumos importados, como malte e lúpulo”, explicou Loures.

A Agência Estado procurou os demais grandes fabricantes de cerveja do País para comentar os aumentos nos preços da bebida. O Grupo Petrópolis informou que não comenta suas estratégias em relação a preços ou impostos. A cervejaria Heineken também se negou a comentar reajustes de preços, enquanto a Schincariol não deu retorno à demanda da reportagem.

Procon mira a compra coletiva

Categoria: Agenda, Análise

LIGIA TUON

Os sites de compra coletiva tiveram aumento de 400% no número de reclamações no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2011, conforme divulgou o Procon-SP. O órgão fez ainda uma lista com as empresas mais reclamadas e convocou-as para assumirem compromisso com o consumidor de reduzir as queixas e aumentar o índice de solução.

“Algumas dessas empresas têm menos de dois anos de existência e já apresentam um aumento grande no número de reclamaçõesâ€, afirma a diretora de atendimento do Procon-SP, Selma do Amaral. E, apesar de os site de compras coletivas terem entrado na rotina dos internautas, como destaca o órgão, Selma ressalta que a alta na base de clientes não é justificativa para o aumento das queixas. “É claro que o mercado se expande, mas tem de estar preparado. Não pode dar sinais de mau planejado e problemas com parceiros.â€

Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), divulgada em agosto, 63% dos paulistanos fazem compras pela internet, o que significa um crescimento de 11 pontos percentuais em relação ao ano passado.

A porta voz do órgão comenta, ainda, que mesmo que o aumento das reclamações seja notável, os sites de compras coletivas ainda não se despontavam em 2011 como os mais reclamados. “Com exceção do Groupon, que está em 17° lugar no ranking geralâ€, aponta Selma. O ranking online é atualizado diariamente pelo órgão com as empresas mais reclamadas. Segundo o Procon-SP, a maioria das queixas diz respeito a compras que não foram entregues e descumprimento da oferta.

Comprometimento
Das empresas destacadas pelo órgão, o Peixe Urbano, o Clickon e Groupon já se comprometeram em reduzir a demanda ao Procon-SP. “As outras ainda estão sendo chamadasâ€, completa Selma.
O site Pesca Coletiva afirmou já ter aceitado o acordo do Procon de reduzir as queixas e aumentar o índice de solução, e deve ter uma reunião com o órgão na próxima segunda-feira, dia 24 de setembro. A reportagem ainda aguarda o posicionamento das outras empresas.

O Groupon informou por meio de nota que “está direcionando seus esforços para garantir não apenas o cumprimento do acordo, mas também índices de satisfação ainda maioresâ€. Já a Privalia informou ter enviado nesta sexta-feira seu posicionamento quanto ao compromisso de melhorias no atendimento ao consumidor ao Procon. “A empresa reitera que não tem poupado esforços com relação à melhorias.â€

Emprego industrial cresce 0,2% em julho

Categoria: Agenda, Análise, emprego

Daniela Amorim

O emprego na indústria teve leve recuperação na passagem de junho para julho, assim como o número de horas pagas aos trabalhadores. O resultado acompanha a ligeira melhora da produção industrial, que acumulou ganho de 0,5% nos últimos dois meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto houve aumento de 0,2% na geração de vagas em julho, o número de horas pagas avançou 0,3%. O IBGE credita a melhora nos indicadores às políticas de incentivo do governo ao setor, como o corte na taxa básica de juros, a desoneração da folha de pagamento e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“Foi o primeiro resultado positivo no pessoal ocupado após quatro meses de perdas. O número de horas pagas teve o mesmo movimento. O emprego industrial começa a esboçar reação, mas é preciso esperar a próxima leitura para ver se não foi um resultado pontualâ€, ponderou Fernando Abritta, analista da Coordenação de Indústria do IBGE.

A cautela também foi adotada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que espera uma oscilação no número de ocupados na indústria nos próximos meses, com recuos e avanços, embora numa trajetória ascendente.

“São números tímidos (os resultados de julho), que dificilmente levarão o emprego industrial a obter resultados mais robustos neste anoâ€, diz o relatório o Iedi, ressaltando que ainda há uma queda acumulada de 1,3% nos postos de trabalho de janeiro a julho deste ano. A expectativa do instituto é de um segundo semestre melhor para o emprego industrial.

O aumento no número de horas pagas, o avanço na produção e o freio no aumento dos salários por hora trabalhada em julho resultaram em recuo de 1,1% no custo unitário do trabalho (CUT), segundo cálculos da Tendências Consultoria Integrada.

“Essa combinação perversa envolvendo salários em alta e produtividade em queda, que tem atuado decisivamente para a derrubada da competitividade da indústria, pode entrar numa fase de acomodaçãoâ€, avaliou Rafael Bacciotti, economista da Tendências.

Na comparação com julho do ano passado, porém, o resultado do emprego industrial ainda é negativo. Houve queda de 1,6% no número de vagas, além de recuo de 2,5% nas horas pagas, puxado pelo mau desempenho da indústria paulista. As vagas no parque industrial do Estado caíram 3,1% no mesmo período, com resultados negativos em 14 dos 18 setores investigados. Já o número de horas pagas encolheu 4,4% na região. “São Paulo tem quase 40% do pessoal empregado na indústriaâ€, lembrou Abritta.