Dilma quer empresários investindo mais
- 22 de março de 2012 |
- 6h01 |
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Categoria: Consumo, Empresas, Impostos, Indicadores, Trabalho
A presidente Dilma Rousseff receberá hoje um grupo de empresários para discutir como tirar a indústria da apatia e, ao mesmo tempo, pedir para que não haja aumento de preços e do desemprego. O objetivo central do Palácio do Planalto é garantir os investimentos privados, fundamentais para que a economia tenha este ano desempenho mais forte do que o registrado em 2011.
O encontro foi definido há duas semanas com a divulgação dos primeiros indicadores de desempenho da indústria neste início de ano. Os dados evidenciaram que o setor foi, de fato, impactado pela crise mundial e pela intensa concorrência com os produtos importados e seus preços mais baixos.

Dilma: palavras de ânimo aos empresários para que apostem no País e não recuem em seus investimentos (Foto: MARCOS DE PAULA/AE)
A lista de convidados do Planalto conta com nomes como o do presidente da Vale, Murilo Ferreira, o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch e pesos pesados da construção, como José Roberto Ermírio de Moraes (Votorantim), Sérgio Andrade (Andrade Gutierrez) e Luiz Nascimento (Camargo Corrêa). O setor financeiro também estará presente. Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabucco, do Bradesco, participarão do encontro, assim como Roberto Setúbal (Itaú) e André Esteves (BTG Pactual).
O discurso da presidente tem um mote certo: palavras de ânimo aos empresários para que apostem no País e não recuem em seus investimentos. Dilma quer tranquilizar a classe empresarial e garantir que seu governo não é contra a indústria. O setor receberá estímulos tributários para manter a produção em alta para sustentar a demanda dos consumidores e a economia em atividade.
Desaceleração
Apesar de os empresários apontarem desde meados do ano passado que a indústria estava estacionando sua atividade, o governo, na época, foi pouco sensível aos apelos. É verdade que foi lançado o Plano Brasil Maior, mas foram poucas as medidas implementadas. A providência de maior inspiração — a desoneração da folha de salários — não foi bem-sucedida e está sendo agora reformulada.
O próprio Banco Central reconheceu no texto da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, que o setor industrial teve um desempenho abaixo do esperado.
Agora, a área econômica corre contra o tempo para relançar a economia e tirar a indústria da letargia. O objetivo é ambicioso: sair do crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), verificado em 2011, para atingir entre 4% e 4,5% do PIB este ano, como deseja a presidente Dilma.
A equação que o governo tenta resolver é mais complexa e envolve o equilíbrio entre a política monetária (controle da inflação por meio da taxa de juros), a cambial (contendo a excessiva valorização do real) e a fiscal, que tem exibido bons resultados. O ajuste das taxas de juros tem sido um coadjuvante importante na política para estimular a economia.
O diagnóstico do Palácio do Planalto é o de que a crise financeira internacional, que abate os Estados Unidos e países da zona do euro, não tem solução fácil e nem de curto prazo. Enquanto isso, o governo blinda o País ajustando a sintonia entre as políticas cambial, monetária e fiscal, para que possa manter a prosperidade conquistada pelas classes C e D. A ideia é consolidar a classe média, considerada grande fonte de consumo.
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Concessões travam 3º aeroporto em SP
- 31 de julho de 2011 |
- 16h53 |
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Categoria: Tecnologia
Depois de quase quatro anos na gaveta, o projeto de construção de um terceiro aeroporto na Grande São Paulo pela Andrade Gutierrez e a Camargo Correa está prestes a ter avaliada sua viabilidade operacional pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Detentoras do direito de compra de uma área de 9 milhões de metros quadrados em Caieiras, na região metropolitana, as empresas querem autorização para tocar o projeto em regime privado.
Em uma reunião realizada em julho na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Decea solicitou mais informações às empresas para estudar a viabilidade técnica do aeroporto, afirmou o chefe do setor que cuida do planejamento estratégico operacional no órgão, Julio Cesar de Sousa Pereira. Segundo ele, de posse desses dados, o Decea levaria um mês para concluir a análise.
De acordo com fontes, porém, o órgão já teria informado internamente ao governo que o projeto não é viável. O resultado reforça a pouca empolgação que o Planalto vem demonstrando em relação ao projeto. A Anac, agência reguladora do setor aéreo, nunca chegou a estudar a viabilidade de outorgar à iniciativa privada a construção e operação do novo aeroporto, revelou uma fonte.
Entre diretores da agência, as desculpas para a falta de ação mostram o caráter polêmico do projeto: o suposto rechaço da presidente Dilma Rousseff, a inviabilidade operacional alegada pelo Decea e até a contrariedade da Odebrecht, construtora rival da Andrade e da Camargo.
O novo diretor-presidente da agência, Marcelo Guaranys, porém, não seria contra a autorização, dizem fontes. Ele assumiu a Anac este mês. O governo de São Paulo é outro aliado à construção do terceiro aeroporto, embora não se posicione especificamente sobre o projeto de Caieiras. A visão é de que um investimento desse tipo seria uma solução para destravar os gargalos de infraestrutura, cujas pontas mais visíveis são as longas filas em Congonhas e Guarulhos.
Uma reunião entre a Secretaria Estadual de Logística e Transportes e a Anac para tratar do assunto, programada para junho, foi cancelada. A agência teria alegado problema de agenda, informou a assessoria de imprensa da pasta. O secretário Saulo de Castro tem uma reunião prevista com o ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, “para breve”, mas ainda sem data marcada. Pela assessoria, ele disse que prefere não dar entrevista antes do encontro.
Um dos motivos de o governo não incentivar um terceiro aeroporto em São Paulo é a convicção de que conseguirá tirar do papel o projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Rio, São Paulo e Campinas.
Para técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que trabalharam nos estudos para o edital do frustrado leilão do trem-bala, a ligação entre São Paulo e Campinas viabilizaria o Aeroporto de Viracopos como terceira opção para a Grande São Paulo. Os estudos do TAV foram conduzidos no BNDES sob a liderança do atual ministro Wagner Bittencourt, que foi diretor de infraestrutura do banco.
No caminho do aeroporto de Caieiras, a 35 quilômetros de São Paulo, está ainda a Infraero. O governo vê que a construção de um novo aeroporto na região pode atrapalhar uma futura abertura de capital da estatal. Mais um aeroporto na Grande São Paulo também poderia reduzir o valor ofertado pelos consórcios interessados nas concessões de Guarulhos e Viracopos.
Segundo um consultor, o governo também teme que a autorização do projeto seja vista como um favorecimento às empresas. No entanto, mesmo que o governo chamasse outros possíveis interessados, as duas construtoras seriam as vencedoras, pois outros grupos teriam dificuldades de encontrar um terreno.
Procurada, a Camargo Corrêa não quis comentar o assunto. A Andrade Gutierrez confirmou, em nota, que “continua interessada e trabalhando para o sucesso do terceiro aeroporto de São Paulo”. A SAC não respondeu às perguntas da reportagem. (Colaborou Alexandre Rodrigues)
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Grupo pede que ANTT adie leilão do trem-bala
- 5 de julho de 2011 |
- 10h18 |
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Categoria: Empresas, Serviços, Tecnologia
Renée Pereira
O principal interessado no trem-bala brasileiro, entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, vai pedir formalmente o adiamento do leilão, cuja entrega das propostas está marcado para segunda-feira. O Consórcio TAV Brasil, inicialmente conhecido como grupo coreano, enviará o pedido hoje à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), alertando que não terá condições de fechar uma proposta em uma semana.
Essa seria a terceira prorrogação do leilão do TAV, que nasceu como a grande aposta da presidente Dilma Rousseff para desafogar o tráfego entre Rio e São Paulo. Antes mesmo de o consórcio solicitar o adiamento, a ANTT já dava sinais de que o cronograma poderia ser alterado mais uma vez.
Na semana passada, o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, afirmou à reportagem que essa é uma decisão de governo, que deverá sair neste início de semana.
Para especialistas, o governo perdeu o “timing” do negócio ao sucumbir às pressões das construtoras e adiar duas vezes a disputa, inicialmente prevista para dezembro.

O Consórcio TAV Brasil, inicialmente conhecido como grupo coreano, enviará o pedido de adiamento à Agência Nacional de Transportes Terrestres (Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters)
O presidente da Trends, Paulo Benites, representante do consórcio, garante que se for adiado, o grupo terá condições de fechar uma proposta. Ele diz que o consórcio esperou até semana passada por uma resposta das grandes construtoras sobre uma possível parceria. Mas as empresas não demonstraram muito interesse no projeto.
Benites destaca ainda que o fechamento da proposta foi prejudicado pela demora do governo em publicar mudanças anunciadas pela ANTT, como a transferência de tecnologia e a flexibilização das estações em São Paulo. O ideal, diz o executivo, seria adiar 45 ou 60 dias (prazo que ajudaria também para arregimentar novos parceiros).
A grande dúvida é a participação das construtoras Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS. Desde dezembro, elas se uniram para estudar o projeto juntas. Mas não tem concordado com as condições do governo.
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Hyundai busca área para fábrica de trens
- 28 de janeiro de 2011 |
- 20h57 |
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Categoria: Tecnologia, Trabalho
Renée Pereira
A coreana Hyundai Rotem está em busca de locais para instalar uma fábrica de trens no Brasil. A empresa faz parte do consórcio que vai disputar o Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio, no mês de abril. A construção da unidade, no entanto, está associada à vitória na disputa.
Nesta semana, uma comitiva de dez executivos da empresa desembarcou em duas cidades de São Paulo para prospectar áreas potenciais para a unidade. A primeira delas foi São José dos Campos, na terça-feira. No dia seguinte, o grupo esteve com o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos. Eles ficaram reunidos por duas horas no gabinete do prefeito, que contou com a presença de dois secretários e um diretor de cooperação internacional. A conversa foi traduzida por um intérprete que falava português e coreano.
Segundo a prefeitura, os executivos afirmaram que estão à procura de uma área de 200 mil metros quadrados (m²) para instalar a fábrica de 40 mil m². A unidade, se o consórcio coreano sair vencedor do leilão, criará entre 400 e 500 postos de trabalho com mão de obra especializada.
A comitiva deverá visitar outras cidades, especialmente do Rio de Janeiro. Mas a região de Campinas pode sair na frente por causa do polo industrial ferroviário de Hortolândia. Ali estão instaladas grandes companhias, como Amsted Maxion, Bombardier e CAF.
Embora participe de outros mercados no Brasil, como o fornecimento de carros para o metrô de São Paulo e Salvador, a fábrica da Hyundai Rotem produziria apenas trens de alta velocidade – a princípio, os demais produtos continuariam sendo importados como ocorre hoje. A empresa fabrica o KTX, o trem-bala coreano.
A Hyundai Rotem é uma das 12 empresas coreanas que integram o consórcio que vai disputar o TAV, um empreendimento de R$ 33 bilhões. Além dessas, outras nove companhias brasileiras compõem o grupo, como CR Almeida, Constran, Engesa, UTC e SA Paulista, entre outras. Três empresas nacionais que estavam no consórcio desistiram no ano passado. São elas: Contern, construtora do Grupo Bertin, Carioca e Galvão.
Leilão
O leilão do TAV estava programado para ocorrer em 16 de dezembro de 2010, mas, por pressão de várias empresas, o governo cedeu e decidiu adiar a disputa. Na ocasião, as grandes construtoras do País, como Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, argumentaram ter tido pouco tempo para estudar o projeto e que precisavam de mais tempo para participar do evento.
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Governo federal já é sócio de 119 empresas
- 2 de dezembro de 2010 |
- 12h21 |
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Categoria: Contas públicas, Empresas
RAQUEL LANDIM
Em 1996, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detinha participação, direta ou indireta, em 30 grandes empresas brasileiras. Em 2009, esse número triplicou e chegou a 90. Incluídos os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, a mão do governo federal no setor privado atingiu 119 empresas no ano passado.
Os dados são o resultado de seis anos de garimpo do professor do Insper, Sérgio Lazzarini, que agora foi transformado no livro “Capitalismo de Laços – os donos do Brasil e suas conexões”, editado pela Campus-Elsevier, que chega às livrarias na próxima semana.
Ele analisou as composições acionárias de 804 companhias — todas as de capital aberto e as maiores de capital fechado. Por conta de ofertas de ações e aquisições, o universo de empresas sofreu alterações significativas ao longo do tempo: eram 516 em 1996 e 624 em 2009.
A conclusão mais impressionante é que as importantes mudanças vividas pela economia brasileira não foram capazes de alterar a lógica dos donos do poder. Nos últimos 20 anos, o País reduziu as tarifas de importação, privatizou setores importantes, abriu o capital de suas empresas na bolsa. O capitalismo brasileiro, porém, não perdeu a característica de apadrinhamento.
O levantamento aponta que aumentou a participação dos atores ligados ao governo na economia, como BNDES, fundos de pensão e empresas estatais. Além disso, são os grandes grupos privados nacionais, com apoio do governo, que dominam os principais projetos do País.
“Não estamos criticando Lula, nem FHC. A avaliação é do período inteiro. O que vemos agora também aconteceu no Fernando Henrique”, frisou Lazzarini. Na sua opinião, o “capitalismo de laços” tem efeitos positivos e negativos na economia.
Graças às “conexões” com o governo, foi possível reunir os recursos para grandes projetos, reduzir os riscos para as empresas e garantir o financiamento de longo prazo. O lado negativo é que aumentou a influência do governo nas estratégias empresariais e surgiram canais clientelistas de relacionamento entre os setores público e privado.
Lazzarini montou uma espécie de “facebook” do empresariado, avaliando as “conexões”: quem é sócio de quem direta ou indiretamente (por participações cruzadas) e em quais empresas. Além disso, é feita uma ponderação pela qualidade das conexões, ou seja, quão poderosos são os seus sócios. A União, que inclui o BNDES, é a campeã de conexões, com várias participações acionárias em conjunto com outras empresas. Entre os grupos privados, os que tem mais “amigos” são a Andrade Gutierrez, a família Jereissati, e a Camargo Correa.
Não é de hoje que o Brasil é uma “sociedade de relações”. Em 1957, Raymundo Faoro escreveu o livro “Os Donos do Poder”, que resgatou a história do Brasil desde a coroa portuguesa, que estimulava o surgimento de negócios dependentes do governo.
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