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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
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Instabilidade global deve continuar em 2012

Categoria: Economia Internacional, Trabalho

Peter Apps *

Os antigos maias conferiram uma importância especial ao ano de 2012, que para eles seria o possível fim dos tempos. O que tem levado à uma busca desenfreada de literatura apocalíptica nesta temporada de festas de fim de ano.

Mas não é preciso achar que o mundo está chegando ao fim para entender que o próximo ano deve abranger talvez os maiores riscos políticos para a economia global nunca vistos na história recente.

Com eleições e mudanças de liderança nos países mais poderosos, a Europa em crise, a ebulição no Oriente Médio e as dificuldades econômicas se agravando, provocando distúrbios e descontentamento por todo o lado, 2012 poderá ser um ano tão volátil como 2011, talvez pior.

Mas este ano ainda pode trazer algumas más surpresas, uma vez que as preocupações com o euro e a inquietação sobre um possível ataque israelense contra o Irã devem, provavelmente, manter os mercados financeiros e as autoridades políticas em suspense até a chegada do próximo ano.

Mais de três anos depois de o colapso do Lehman Brothers levar à maior crise financeira desde a Grande Depressão, as incertezas econômicas estão provocando uma agitação política que pode se tornar um círculo vicioso particularmente negativo.

Os estresses econômicos – desde o aumento dos preços dos alimentos até as dificuldades econômicas se agravando no mundo desenvolvido – estão no centro de muitos dos fatos políticos de 2011. À medida que se intensificam, a volatilidade política, a paralisação da atividade, os confrontos e conflitos – domésticos ou internacionais – deverão piorar.

“Tudo vai piorar e não melhorarâ€, disse Jonathan Wood, analista de assuntos globais na consultora Control Risks com sede em Londres. “Se examinar o que vem provocando os acontecimentos este ano, vai verificar que nenhum dos fatores deve desaparecer e muitas das causas propulsoras da crise ainda estão crescendo.â€

Nas urnas
As eleições presidenciais nos Estados Unidos, França e Rússia e a transição de poder na cúpula do Partido Comunista chinês aumentam as incertezas. Será mais difícil para os líderes políticos conseguirem compromissos ou adotar medidas políticas mais difíceis.

Obstáculos cada vez maiores? Muitos analistas alertam que todos esses fatos aumentam o risco de uma paralisação política no momento em que o mundo mais necessita de lideranças. O fracasso da “supercomissão†do Congresso dos Estados Unidos em não chegar a um acordo quanto à redução do déficit de orçamento é um sinal do que pode ocorrer futuramente em outros países.

O presidente Barack Obama enfrentará uma disputa muito dura em busca da reeleição, seja qual for o candidato escolhido pelos republicanos, isso por causa da economia morosa, uma taxa de desemprego de 8,6% e os apertos que a classe média vem sofrendo com a queda dos preços dos imóveis e das ações. * REUTERS