Mercado já vê corte de juros de até 1 ponto
- 18 de outubro de 2011 |
- 15h26 |
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Categoria: Índice, Inflação, Juros
Fabio Graner
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne hoje e amanhã para decidir a nova taxa básica de juros (Selic), hoje em 12% ao ano. O mercado aposta em mais um corte de 0,5 ponto porcentual, como está expresso na pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com analistas financeiros, e nas apostas de juros no mercado futuro.
Mas, diante dos dados da semana passada mostrando atividade econômica mais fraca do que se antecipava e do pior cenário externo – com aumento das preocupações com a China -, apostas em cortes maiores começam a aparecer. E até quem prevê redução de 0,5 ponto reconhece que há chances de o BC ser mais agressivo.
Bancos como o Credit Suisse, o RBS e o Itaú Unibanco estão prevendo um corte maior que a maior parte do mercado, a despeito do Copom ter dito que faria ajustes “moderados” no juro. Os dois primeiros esperam corte de 1 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 11% ao ano.
O Itaú Unibanco espera redução de 0,75 ponto porcentual. “Reconhecemos a sinalização (do BC), mas isso não exclui passos mais rápidos, considerando o enfraquecimento da atividade doméstica no terceiro trimestre”, avalia a instituição. “A demanda em desaceleração provocará um profundo ajuste monetário, levando a taxa de juros abaixo de 9% em meados de 2012.”
Varejo
Para Marcelo Gazzano, economista do RBS Global, dados como o da queda de 0,4% das vendas do varejo em agosto, reforçam a aposta em um corte maior dos juros. Ele reconhece que as sinalizações do BC sobre ajustes ‘moderados’ apontariam para mais um corte de 0,5 ponto, mas os números mostrando uma economia em desaceleração e a entrada da China no radar das preocupações sustentariam um redução maior. “O BC pode dizer que o cenário externo piorou e que internamente houve desaceleração mais intensa do que se esperava.”
O economista da consultoria Rosemberg Associados Rafael Bistafa aposta em corte de 0,5 ponto porcentual, mas reconhece um aumento no risco de um ajuste maior. “A probabilidade de um corte maior aumentou por causa dos dados de atividade, como o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC), vendas do varejo e da indústria.”
Mas ele explicou que, se o Copom agir diferentemente do sinalizado nos seus documentos e nos discursos do presidente Alexandre Tombini, vai criar problemas na relação com o mercado, que tem criticado a comunicação da autoridade monetária. Ele diz que o BC pecou na última reunião ao surpreender o mercado com um corte na Selic.
O economista do Banco Cooperativo Sicredi, Alexandre Barbosa diz que o BC sinalizou 0,5 ponto de corte e, apesar de os dados recentes poderem servir de pretexto, uma redução maior prejudicaria as expectativas. “Será o segundo erro de comunicação em pouco tempo.”
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Cirurgia plástica ajuda a turbinar carreira
- 30 de julho de 2011 |
- 23h15 |
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Categoria: Trabalho
SUZANE G. FRUTUOSO
Jovial e dinâmico. Jovial e dinâmico. Jovial e dinâmico… Essas duas palavras vêm martelando na cabeça de profissionais na faixa entre 40 e 50 anos. A importância da aparência, numa sociedade que exalta a juventude, se tornou fundamental para a permanência no mercado de trabalho e no jogo das promoções.
Tanta preocupação criou uma nova demanda nos consultórios de cirurgiões plásticos. Nos últimos cinco anos, começou a ser registrado um aumento de 15% ao ano no número de pacientes que aparecem com o objetivo de mudar algo para se manter no emprego e passar o recado de que ainda são capazes.
“As pessoas chegam dizendo que estão competindo com gente jovem e bonita pelas melhores colocações”, diz o cirurgião plástico Carlos Alberto Komatsu, presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC).
Entre os procedimentos mais pedidos estão a blefaroplastia (que levanta a pálpebra e retira bolsas de gordura abaixo dos olhos) e o mini-lifting de papada. As lipoaspirações também estão na lista, assim como os liftings faciais para amenizar rugas.
Parecer cansado, triste e bravo são as principais queixas dos profissionais. As mulheres são maioria. Mas os homens já são cerca de 30% dos clientes, que incluem executivos, advogados, dentistas, funcionários de banco e uma infinidade de posições nas quais é necessário lidar com o público.
“A jovialidade ajuda no networking e na vida social. E as empresas também relacionam boa aparência e saúde. Não é só ser bonito. Indica cuidado com alimentação, tempo para exercícios físicos, não beber e não fumar. Atitudes que não causarão prejuízos para o empregador no futuro”, diz o cirurgião plástico Alexandre Barbosa, sócio da Clínica de Cirurgia Plástica de São Paulo.
No primeiro semestre do ano passado, ele realizou 68 cirurgias em que os pacientes confirmaram querer mudanças físicas focando melhores colocações profissionais. Desde janeiro, o número já chega a 122 operações.
O cirurgião plástico Wagner Montenegro, dono da clínica que leva seu nome, em São Paulo, diz que uma parcela considerável dos pacientes se submete à plástica quando pretendem trocar de empresa. “Eles vão para as entrevistas de emprego com uma postura diferente, mais seguros.” Segundo o especialista, uma de suas pacientes mudou três vezes de empresa em um ano por receber propostas cada vez melhores após a plástica.
Mostrar apreço por si próprio, com uma imagem de energia e motivação, é saudável. Mas para a psicóloga Adriana Gomes, coordenadora acadêmica da área de pessoas e do centro de carreiras da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirmar que a empregabilidade depende de uma mudança física pode ser desculpa. “A dificuldade atual das pessoas em se reconhecer no envelhecimento é absurda. Dizer que a plástica é por causa do trabalho disfarça o real desejo que é ser parte do modelo estético que se consome hoje.”
Montenegro exige que os pacientes passem pela psicóloga em sua clínica para identificar aqueles que possam estar obcecados com a imagem. “Barramos os que querem resolver insucessos profissionais com modificações estéticas.” Já Komatsu insiste com os pacientes sobre os riscos da anestesia e o incômodo do pós-operatório. “Infelizmente, tem quem acredite que uma plástica é como ir ao salão de beleza. Uma banalização que deve ser combatida.”
Boa aparência
A bolsa debaixo dos olhos vinha incomodando o publicitário Adolfo Tolosa, 49 anos. Diretor comercial de uma editora, resolveu se submeter a uma cirurgia plástica em junho do ano passado para retirada dessa gordurinha. “Lido com público e clientes. Não queria passar uma imagem que não corresponde ao que sou.”

O publicitário Adolfo Tolosa fez cirurgia plástica e afirma levar em consideração a aparência na hora de escolher um candidato (Foto: Daniel Teixeira/AE)
Tolosa diz que as bolsas passavam impressão de “cara de bêbado ou de sono”. Vaidoso, pensa em até o fim do ano levantar a pálpebra. Também frequenta academia, só usa roupa passada no mesmo dia e trata os pés com podóloga. “É importante se sentir bem e contagiar as pessoas com essa sensação. Ajuda até a melhorar o ambiente de trabalho.”
Ao escolher um profissional para uma vaga, o publicitário diz levar em consideração a aparência do candidato. “Não é discriminação. É uma questão do que será melhor para a empresa. Quem demonstra cuidado com a apresentação indica que sabe se organizar a ponto de ter tempo para si mesmo”, conta Tolosa. Para ele, quem está acima do peso, por exemplo, sempre vai parecer ter menos força de vontade.
Casos de preconceito com a aparência já foram presenciados pela secretária executiva Sandra Deco, 45 anos. “Em uma dinâmica de grupo, a coordenadora falou que a empresa se preocupava com o risco de um funcionário ficar doente. Ela falou olhando diretamente para uma moça obesa, que não foi selecionada”, afirma.

A secretária executiva Sandra Deco, que fez uma cirurgia na pálpebra, já presenciou preconceito durante uma seleção (Foto: Marcio Fernandes/AE)
Ciente de que a discriminação existe, inclusive em relação à idade, Sandra se cuida. Há pouco mais de dez anos, fez uma cirurgia na pálpebra. “Minha satisfação aumentou, coloquei mais energia no trabalho e fui promovida”, diz. Em maio, tirou também a bolsa na parte inferior dos olhos “para tirar o ar cansado”. Para ela, boa aparência significa organização e autoestima. E dentes, unhas, cabelo, maquiagem e roupa devem estar sempre impecáveis. “Até nisso a competição é acirrada.”
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Mercado prevê mais 0,25 ponto na Selic
- 16 de julho de 2011 |
- 14h46 |
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Categoria: Agenda, Análise, Inflação
Francisco Carlos de Assis e Flávio Leonel
A taxa básica de juros, a Selic, deverá ser aumentada em 0,25 ponto porcentual, para 12,5% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na quarta-feira, dia 20. É o que indica o levantamento feito pelo Jornal da Tarde, com 74 instituições do mercado financeiro, das quais apenas uma, a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), trabalha com estabilidade.
O levantamento confirma o resultado de uma consulta prévia com 35 casas na segunda-feira, que apontava de forma unânime para um ajuste de 0,25 ponto porcentual. Entretanto, entre o que os analistas acreditam que o Copom fará e o que eles acham que deveria fazer, existe grande diferença.
Muitos deles afirmam que, se tivessem direito a voto no Copom, considerando o alto nível da inflação dos serviços no acumulado de 12 meses (8,75%), elevariam o ritmo de aumento dos juros ou manteriam o gradualismo, com 0,25 ponto porcentual a cada reunião num período mais prolongado, desde que acompanhado de mais medidas macroprudenciais, incluindo novos aumentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito e compulsório.
O que tem mantido as expectativas do mercado ancoradas em um aumento de apenas 0,25 ponto é mesmo a preferência sinalizada pelo BC por um aumento gradual da taxa de juros, ainda que por um “período suficientemente prolongado”, como se pode ler em alguns documentos da própria autoridade monetária, para levar a inflação a convergir para o centro da meta, de 4,5%. Algumas declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, vão na mesma direção.
Previsões
Para o gerente de Análise Econômica e Riscos de Mercado do Banco Cooperativo Sicredi, Alexandre Barbosa, está claro, independentemente de ser ou não a decisão mais adequada, que o BC aumentará a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual. Segundo ele, uma alternativa com impacto mais forte na economia seria uma alta de 0,50 ponto porcentual, que poderia trazer um efeito mais adequado na convergência da inflação de 2012 para a meta de 4,5%.
“O aumento de 0,25 ponto é consistente com o que o BC vem falando. Não é que achamos que deveria ser, mas é o que achamos que acontecerá”, diz ele, que também aguarda outro ajuste de 0,25 ponto para o encontro de agosto do Copom.
Na Cruzeiro do Sul Corretora, a economista Márcia Dantas também projeta um ajuste de 0,25 ponto porcentual na reunião de julho, mas reforça o coro de que altas em nível um pouco maiores seriam mais recomendadas para a situação de atividade e inflação no País. Segundo ela, o BC nem deveria ter saído da rotina de ajustes de 0,50 ponto porcentual adotada nas reuniões de janeiro e março. “Eu já teria dado alta de 0,50 ponto lá atrás, quando eles decidiram mudar para 0,25 ponto”, destaca Márcia, referindo-se à reunião de abril.
A Funcef é a única integrante do levantamento que aguarda a manutenção da taxa básica de juros no nível atual de 12,25%. Para o economista da entidade Ângelo Afonso Lourenço Fraga, a decisão pela manutenção da Selic no Copom de julho está embasada na expectativa de que as medidas macroprudenciais deverão começar a surtir os efeitos esperados agora no segundo semestre.
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