Combustível faz a inflação dobrar
- 4 de maio de 2011 |
- 8h43 |
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Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Indicadores
Márcia De Chiara
Puxada pela alta dos preços da gasolina e do etanol, a inflação na cidade de São Paulo dobrou de março para abril. Como o resultado do mês passado superou as expectativas, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) decidiu ampliar em meio ponto porcentual, de 5,5% para 6%, a estimativa de inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para este ano.
Em abril, o IPC da Fipe atingiu 0,70%, após ter subido 0,35% em março e registrado uma alta de 0,39% em abril de 2010. “Exceto o grupo educação, todos os outros registraram aceleração nos preços no último mês”, afirma o coordenador do IPC da Fipe, Antonio Comune. Isso significa que a alta de preço é generalizada. No mês passado 59,57% dos preços que compõem o indicador subiram.
Apesar da disseminação da inflação, Comune ressalta o peso dos combustíveis no resultado do IPC de abril. A gasolina e o álcool responderam por quase um terço (32%) da inflação do mês passado. O preço do etanol subiu 10,36% em abril e o da gasolina aumentou 6,62%.
A disparada da cotação do etanol fez com que a relação entre o preço do álcool e da gasolina atingisse 80,80% em abril, o maior nível desde que esse indicador começou a ser calculado em 2003.
“A inflação deve arrefecer em maio”, prevê o economista. Ele sustenta essa previsão baseado na perspectiva de que a entrada da safra de cana-de-açúcar e de outros produtos agropecuários deve colocar água na fervura da inflação e a relação entre os preços do álcool e da gasolina deve recuar para algo entre 65% e 67% já neste mês.
Para maio, Comune projeta uma inflação de 0,40%. Essa também é a sua previsão de média mensal do IPC da Fipe para os demais meses do ano. Em 12 meses até abril, o IPC da Fipe acumula alta de 6,39% e no ano de 2,82%.
Alimentos
“Daqui para frente, o passo da inflação será determinado pelo comportamento dos preços dos alimentos”, diz o coordenador do IPC da Fipe. Segundo o economista, os alimentos devem dar uma trégua à inflação entre maio e agosto, exceto no caso feijão e do tomate, que são produtos com safras mais curtas.
Como em 2010 a inflação atingiu níveis muito baixos entre maio e agosto em razão do recuo dos preços dos alimentos, Comune aposta que essa trajetória possa se repetir neste ano.
Dados dos preços recebidos pelos produtores, apurados pelas Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, indicam queda nas cotações de várias commodities agropecuárias nas últimas semanas. E o recuo já chegou ao varejo.
No IPC da Fipe, por exemplo, das 15 maiores quedas de preços em abril, 12 se referem a alimentos. O arroz, por exemplo, caiu 3,78%; o tomate, -14,12%; a laranja, -7,93; a alcatra, -3,38% e o contrafilé, -2,83%.
De toda forma, Comune diz que há várias incógnitas no desempenho da inflação nos próximos meses, como, por exemplo, o comportamento da China nas compras de commodities agrícolas e minerais, o que influencia diretamente as cotações desses produtos, e a evolução dos preços do petróleo.
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Participação da alta da carne no IPC sobe
- 24 de novembro de 2010 |
- 19h01 |
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Categoria: Consumo, Indicadores
Flavio Leonel
Levantamento divulgado hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que a participação da alta dos preços da carne bovina aumentou na composição do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na capital paulista. De acordo com o instituto, a alta do valor médio do item passou de 8,17% para 10,61% entre a segunda e a terceira quadrissemana de novembro e a participação da carne no indicador de inflação paulistano subiu de 23% para 34%.
Segundo a Fipe, mais uma vez, de maneira idêntica à observada na segunda quadrissemana do mês (período de 30 dias terminados em 15 de novembro), todos os cortes de carne pesquisados pelo instituto apresentaram avanços significativos de preços e muito acima da variação média do IPC, que, na terceira quadrissemana (período de 30 dias terminados em 22 de novembro), registrou taxa de 0,77%.
A picanha manteve com folga a liderança entre as altas mais expressivas. O preço médio do corte subiu 18,69% ante alta de 13,83% observada na segunda quadrissemana do mês. Foi seguida novamente pelo avanço no valor médio do filé mignon, de 17,60% contra aumento anterior de 11,23%.
Na sequência, o preço médio da costela bovina subiu 11,49% ante alta de 8,90%; o patinho avançou 11,45% contra aumento anterior de 8,79%; o acém apresentou variação de 10,72% ante 6,88%; e a alcatra subiu 10,68% ante 7,84%. O lagarto subiu 10,33% contra alta anterior de 9,53%; o contrafilé avançou 10,08% ante 7,65%; o preço do coxão mole apresentou aumento de 10,03% ante variação positiva de 9,19%; e o coxão duro subiu 9,30% ante 7,08%.
Para o coordenador do IPC, Antonio Evaldo Comune, não há sinais de que a alta da carne bovina apresente algum tipo de desaceleração no curtíssimo prazo e a parte de Alimentação Fora do Domicílio já começa a sentir esse efeito, já que subiu 1,46% ante 1,33% na pesquisa da Fipe . Ele crê, no entanto, que, com a proximidade do fim do período de entressafra do produto, ocorra o início de uma temporada de avanços menores e, posteriormente, de quedas. “Antes de dezembro, o preço da carne não deve cair. A notícia boa é que, quando a entressafra acabar, os preços deverão diminuir”, afirmou.
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