Metade dos brasileiros é infiel a bancos
- 12 de janeiro de 2012 |
- 8h34 |
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Categoria: Bancos
LIGIA TUON
Metade dos brasileiros não são fiéis aos seus bancos. É o que mostra estudo da consultoria Accenture, especializada em gestão de pessoas. Pelo menos 43% dos correntistas mudaram de suas instituições principais ou de organizações secundárias no último ano e 7% declararam a intenção de mudar em breve. Além disso, 22% trocaram seus bancos, maior do que a média global, de 16%. A concorrência entre as instituições e o aumento da renda da população contribuÃram para este cenário, considerado como uma tendência no mercado financeiro.
“As pessoas estão procurando mais alternativas no mercado financeiro, como maior oferta de serviços e taxas mais atraentesâ€, analisa Luis Simões, executivo sênior para prática de serviços financeiros da Accenture.

Correntistas estão mais atentos às taxas cobradas pelos bancos e optam pelos menores preços (Foto: FABIO MOTTA/AE)
Além disso, o aumento do poder aquisitivo da população, principalmente daqueles que entraram para a classe C, a nova classe média, deixou os bancos mais confortáveis para ofertar serviços diferenciados. “Os bancos vão atrás desse público com portfólio de produtos que pode interessá-losâ€, explica Simões.
“A minha impressão é que os consumidores estão ficando mais atentos a essa competição entre os bancos para atrair os correntistasâ€, acrescenta Lucy Sousa, professora da Faculdade de Economia da FAAP.
Com a competitividade grande, Thiago Pereira, de 29 anos, pôde escolher o melhor valor do pacote de serviços para abrir uma segunda conta bancária. “Precisava de uma outra conta para a minha empresa, mas, no meu banco, o pacote de serviços estava R$ 65. Optei por escolher outra instituição, com o pacote a R$ 37â€, conta.
Pereira está entre os 43% dos correntistas que abriram uma segunda conta em outra instituição. “Essa nova classe C está mais interessada em variar os serviços financeiros que estão à sua disposiçãoâ€, aponta Simões.
DÃvidas
O problema, no entanto, é em relação à educação financeira. “Há muitas pessoas com salários melhores, que não sabem administrá-los de forma correta, com um grande potencial para o endividamentoâ€, diz Adriano Gomes, professor de finanças da ESPM.
Esses consumidores endividados, acrescenta Gomes, têm grande tendência a trocar de banco, para migrar a dÃvida que está rolando sem ser paga. “O banco B aceita ficar com a dÃvida do cidadão, oferecendo parcelas mais leves do que ele pagava no banco A. No entanto, o correntista esquece de considerar as taxas desse outro financiamento e troca de instituiçãoâ€, alerta Gomes.
Na opinião do especialista, a falta de orientação por parte das instituições financeiras piora um pouco mais o quadro. “Esses bancos deveriam propor linhas de financiamento com taxas mais moderadas a essas pessoas para ganhar mais clientes.â€
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Governo lança crédito para a Copa de 2014
- 17 de dezembro de 2011 |
- 12h42 |
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Categoria: Bancos, Crédito, Empreendedorismo
CAMILA DA SILVA BEZERRA
LUCIELE VELLUTO
Micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual bruto de até R$ 25 milhões terão linhas de crédito especiais oferecidas pelo governo federal para investir em turismo e se preparar melhor para aproveitar oportunidades criadas pelo Mundial de 2014. O FAT Turismo Copa do Mundo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), na quinta-feira, e vai oferecer R$ 650 milhões a empresas localizadas preferencialmente nas cidades-sede.
São duas as opções de crédito. Na modalidade capital de giro, o empresário poderá financiar até R$ 500 mil em 36 meses, com 12 meses de carência. O valor será corrigido pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% e taxa adicional de juros de 9% ao ano.
Já na modalidade de investimento, destinada à formação profissional de funcionários, compra de máquinas e equipamentos e ampliação ou modernização dos estabelecimentos, o empresário poderá obter até 90% do crédito aprovado, cujo teto é de R$ 1,5 milhão por empresa.
O prazo de financiamento pode chegar a 84 meses, sendo 24 meses de carência. Assim como no capital de giro, será aplicada a TJLP, mais taxa de juros de até 6% ao ano.
Beneficiados
Além dos prestadores de serviços turÃsticos, como hotéis, guias e agências de viagens, restaurantes, locadoras de veÃculos, casas de espetáculos e outras empresas podem solicitar o crédito ao Banco do Brasil ou à Caixa Econômica Federal. Mas antes de procurar os bancos, as empresas devem se cadastrar no Cadastur, do Ministério do Turismo.
O professor de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, acredita que as linhas de crédito voltadas para a Copa do Mundo têm taxas de juros interessantes para os pequenos empreendedores.
“São taxas que não são encontradas no mercado, principalmente para capital de giro. Além disso, as condições de prazo e carência tornam essa modalidade interessanteâ€, diz o professor da ESPM.
Paliativo
Para o consultor do Sebrae-SP, Luiz Ricardo Grecco, a linha de crédito é atrativa, mas não resolve um impasse burocrático: facilitar o acesso ao financiamento. “Em termos de acesso, a nova resolução não apresenta novidade, pois as linhas são aprovadas pelos bancos. Não adianta o cliente pleitear um financiamento, porque existe um trabalho prévio a ser feito para que esta confiança seja estabelecida. No caso de investimentos, o empresário tem de materializar as ideias em um projeto para que o banco possa analisá-loâ€, diz.
O integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Carlos Alberto Safatle, critica a criação de uma linha de crédito financiada pelo governo voltada para o perÃodo de Copa. “Do ponto de vista de curto prazo, as pequenas empresas vão gerar emprego e receita para o governo. No entanto, no ponto de vista macroeconômico, não haverá continuidade de retorno desse investimento após o Mundialâ€, comenta.
“O PaÃs precisa de mais linhas de crédito e incentivo para pequenas empresas, mas para trabalhar em áreas de necessidade e em que o investimento trará retorno à população, como na construção de hospitais, por exemploâ€, diz o conselheiro do Corecon-SP.
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Carro: calote na prestação cresce
- 19 de outubro de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: comércio, Crédito
GISELE TAMAMAR
O brasileiro está com dificuldades para pagar o financiamento do carro. A taxa de inadimplência segue em alta e atingiu 4,4% em setembro. O Ãndice de atrasos superiores a 90 dias é maior que os 3,1% registrados no mesmo mês de 2010 e voltou ao patamar de dezembro de 2009. Os dados são da agência MSantos, especializada em varejo automotivo, e do Banco Central (BC).
E o indicador não dá sinal de queda. Isso porque os atrasos entre 15 e 60 dias e entre 60 e 90 dias funcionam como termômetro. No primeiro caso, ocorreu uma alta de 28% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já no segundo caso, a elevação foi de 17%. “A situação é preocupante porque a taxa de inadimplência está em uma escala ascendenteâ€, avalia o economista da MSantos, Ayrton Fontes.
A classe média emergente foi responsável pelo aquecimento do setor em 2009 e 2010, mas também está pressionando a alta da inadimplência, segundo a pesquisa da MSantos com agentes de cobrança. “Na hora de comprar o carro, o consumidor avalia se a prestação cabe no orçamento. Mas é preciso levar em consideração que o carro é um consumidor de renda e inclui gastos com combustÃvel, seguro, impostos e eventuais manutençõesâ€, destaca o professor de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes.
Quem se enrolou com as prestações terá que enfrentar as agências de cobrança. Isso porque os bancos recebem os pagamentos dos boletos com até 15 dias de atraso. Depois disso, o serviço é terceirizado e as agências são acionadas. “Os consumidores estão mais acostumados a renegociar dÃvidas do cartão de crédito e cheque especial. Mas a situação envolvendo a compra do carro é diferente e a facilidade não é a mesma com as agênciasâ€, diz Fontes. O que o endividado pode conseguir é um desconto nas taxas de cobrança, mas não o parcelamento da dÃvida.
Em algumas situações analisadas caso a caso, o cliente consegue negociar direto com o banco o refinanciamento do carro com a inclusão das prestações atrasadas e um alongamento do prazo para pagamento. Mas nem sempre é a melhor solução. É preciso fazer as contas para avaliar a real capacidade de pagamento. O professor do Laboratório de Finanças (Labfin/FIA), Keyler Rocha, aconselha a organizar as despesas e evitar compras por impulso “O 13º salário pode ajudar o endividado.â€
“A solução racional para quem não está conseguindo pagar o carro é venderâ€, afirma Gomes. Caso a dÃvida ultrapasse 90 dias, o banco pode entrar com uma ação para retomada do bem. O veÃculo é apreendido, vai a leilão por um preço abaixo do mercado e ainda vai sobrar um saldo para o consumidor pagar. “Mesmo que ele não consiga recuperar as parcelas já quitadas, ele deve transferir o financiamento e levar em consideração que ele usou o carro e pagou por ele nesse perÃodo. É melhor do que correr o risco de ter o carro apreendido e ainda ficar com dÃvidasâ€, afirma Fontes.
Nova compra
O momento é bom para quem planeja comprar um carro. Mas só para quem pode pagar à vista ou dar entrada. Com a desaceleração das vendas, as lojas fazem promoções. Vale pesquisar ofertas e juros, que para financiamento em 60 vezes sem entrada estão entre 2,5% e 2,7% ao mês. Para quem der 20% de entrada, as taxas caem para 1,8% e 1,9%. Com entrada de 40% a taxa vai para 1,4%.
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Cai criação de emprego com carteira assinada
- 18 de outubro de 2011 |
- 23h56 |
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Categoria: comércio, Indústria, Trabalho
LIGIA TUON
O ritmo de abertura de postos formais de trabalho na cidade de São Paulo caiu em setembro – mês que, tradicionalmente, apresenta alta, por causa da contratação de profissionais temporários. Foram criadas 16,4 mil vagas no mês. O número é 25% menor que os 22 mil postos abertos em agosto e 27% menor que as 22,4 mil vagas criadas em setembro de 2010, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged).
Para especialistas, o número é inesperado e desanimador. “Demonstra uma forte desaceleração da economia em função tanto do desaquecimento industrial quanto da demanda no comércio, que não está mais com muito apetiteâ€, afirma Adriano Gomes, professor de finanças no curso de administração da ESPM.
A indústria sofreu nos últimos meses com o dólar em baixa, que facilitava as importações. Já o comércio perdeu movimento por conta, principalmente, da inflação e dos juros elevados. “Uma das maiores altas foi no setor de alimentos, com peso maior no orçamento de famÃlias de classes mais baixas, que precisam tirar o dinheiro dos gastos mais supérfluos, como eletroeletrônicos e automóveisâ€, diz o assessor técnico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Guilherme Dietze.
Tudo indica que o Natal deste ano não apresentará um crescimento tão expressivo. E isso pode influenciar nas contratações de funcionários temporários e até nas efetivações desse pessoal que, tradicionalmente, atingem 25% ou 30% após a época de festas. “Podemos falar em 15% de efetivaçãoâ€, opina Gomes. “A tendência é que o comércio ajuste suas despesas ao novo nÃvel de vendas. Dependendo da intensidade da crise externa essas contratações podem cair pela metade já neste final de anoâ€, concorda Grise.
As expectativas da Fecomercio para o movimento do Natal, no entanto, não são de queda em relação ao ano passado. “Não esperamos crescimento, mas o movimento deve ser o mesmoâ€, diz Dietze.
Ãndice nacional
Em todo o PaÃs, a desaceleração no mercado de trabalho registrou o pior setembro dos últimos cinco anos. Foram criadas 209.078 vagas com carteira assinada no mês passado, desempenho bem inferior aos 246.875 postos de setembro de 2010. A última vez em que o nono mês de um ano apresentou saldo inferior a 240 mil vagas havia sido em 2006, quando foram criados 176,7 mil empregos.
Apesar do resultado fraco ante a média dos últimos anos, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou não estar preocupado com o resultado do ano. “O resultado não nos preocupa porque estamos no meio de uma crise internacional, mas a demanda doméstica continua forte. E a criação de emprego continua aumentando acima do crescimento da economiaâ€, argumentou o ministro. Colaborou Eduardo Rodrigues.
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Consumidor corre para comprar carro sem reajuste
- 16 de setembro de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: Consumo, Empresas, Impostos, Indústria
Logo que ficou sabendo do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que atingiria em cheio os carros importados, a administradora de empresas CÃntia Silvestre adiou os compromissos de trabalho e correu ontem para a revenda do Mini Cooper.
“Quando entrei na loja havia quatro unidades. Foi o tempo de subir para olhar um veÃculo que estava no andar de cima e quando voltei só tinha sobrado umâ€, conta CÃntia.
Ela ficou satisfeita porque o Mini Cooper que sobrou era vermelho, exatamente a cor que ela queria. Diante dessa corrida de consumidores para comprar os importados, CÃntia bateu o martelo e levou o carro dos seus sonhos por R$ 80 mil. Com o novo imposto, o preço deve subir para R$ 105 mil.
O governo anunciou anteontem aumento de 30 pontos porcentuais no IPI dos automóveis e caminhões que não cumprirem um conjunto de exigências. A medida vale até dezembro de 2012 e deve atingir os importados, sobretudo os asiáticos.
A corrida dos consumidores para comprar carros importados antes do aumento do imposto ocorreu nas revendas de marcas chinesas, cujos carros são mais baratos. Nas quatro lojas da Chery Pequim, por exemplo, cerca de 20 carros tinham sido vendidos ontem até a metade da tarde.
A expectativa era fechar o dia com 30 negócios fechados, prevê Wilson Goes, diretor comercial do Grupo Freelane. Numa sexta-feira normal, são vendidos em média cinco veÃculos por dia.
Neste final de semana, as concessionárias Chery na Grande São Paulo vão fazer do aumento do imposto o mote de uma mega campanha publicitária para desovar cerca de mil carros, mantendo os preços antigos. “Nos últimos dias, compramos tudo que podÃamosâ€, conta Goes. Com essa campanha, o preço do Face 1.3, que é um veÃculo compacto está R$ 32.990. Com o novo imposto sobe para R$ 40 mil.
O gerente da concessionária Lifan (chinesa) em Jundiaà (SP), Henrique Antunes, o fluxo de clientes na loja ontem foi 30% maior. “Nosso fechamento de negócios ficou 15% acima de uma sexta normal. A maior parte deles foi de gente que já tinha vindo até a loja, não tinha decidido ainda e achou melhor não correr o risco de deixar para comprar depois.â€
Na Euro Import, revenda da Land Rover em Curitiba, o gerente geral Fábio Almeida diz que o fluxo de pessoas na loja ontem foi 40% superior ao do dia anterior.
Na Yang VeÃculos, concessionária da chinesa Chery em Sorocaba, o clima ontem era de incerteza. Dirigentes e supervisores de venda se reuniram para discutir a decisão governamental. Um funcionário disse que a montadora fez acordos com o governo ao iniciar a construção de sua fábrica em JacareÃ. A tabela de preços dos veÃculos não tinha sido alterada.
Promoções
A dica, no entanto, é tomar cuidado com a compra por impulso diante do apelo das revendas com o preço sem reajuste. “Se a ideia já era comprar um carro importado, aproveite. Mas não seja influenciado pela campanha. O efeito ruim desta decisão pode se ampliar por muito tempoâ€, afirma o especialista em finanças pessoais da Moneyfit André Massaro.
A boa notÃcia, segundo preveem especialistas, é que o preço dos nacionais não deve aumentar – o que poderia ocorrer, já que as fabricantes não precisariam mais oferecer preços mais baixos para competir com os importados.
“Mantendo os preços equalizados, as empresas terão mais chances de abocanhar essa fatia do mercado preenchida principalmente por japoneses e coreanosâ€, explica o economista especializado no setor automotivo Airton Fontes.
A manutenção, porém, não deve ficar mais cara, pelo menos no curto prazo. “A medida afeta o item automóvel, não a peça em si. O que pode acontecer é que as montadoras repassem esse aumento para as peças na sequencia, mas isso não ocorre da noite para o diaâ€, diz Adriano Gomes, professor de finanças da ESPM. (Márcia de Chiara, Tatiana Fávaro, Evandro Fadel, José Maria Tomazela, Ligia Tuon)
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