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Domingo, 26 de Maio de 2013
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BB: retorno deve cair 20%

Categoria: Finanças pessoais, Investimentos

LEANDRO MODÉ
 
A reação do mercado à pressão do governo sobre os bancos pode ser medida não só pela derrocada das ações dessas instituições nas últimas semanas, mas pela expectativa de rentabilidade embutida no preço dos papéis. Segundo esse cálculo, feito a pedido do ‘Estado’ pela Rio Bravo Investimentos, o pessimismo é maior com o Banco do Brasil.

O valor da ação do BB na última quarta-feira – em torno de R$ 22,50 – carregava uma expectativa de rentabilidade sobre o patrimônio líquido em torno de 16% ao longo dos próximos trimestres. Como a rentabilidade do banco estava em 20,5% no fim do terceiro trimestre, significa dizer que, para os investidores, o retorno deve cair cerca de 20%.

No caso dos bancos privados, a expectativa também é de retornos menores nos próximos trimestres, mas em magnitude inferior à queda projetada para o BB.

No Itaú e no Bradesco, o preço das ações na quarta-feira indicava uma rentabilidade sobre o patrimônio na faixa dos 18%, nível semelhante ao do final do segundo trimestre – que tinha 18,8% para o Bradesco e 18,3% para o Itaú, segundo dados compilados pela Economática.

“Os investidores veem Bradesco e Itaú em situação parecida, com rentabilidade pouco inferior à de hoje. No BB, a estimativa é pior por causa da interferência política do governo”, disse o analista da Rio Bravo responsável pelos cálculos, Jorge Saab.

Ele se refere à pressão do governo Dilma para que BB e Caixa reduzam as taxas de juros, os spreads e as tarifas cobradas dos clientes, de forma a aumentar a concorrência no setor.

O Santander é um caso à parte, porque o patrimônio líquido está bastante elevado desde que a instituição abriu o capital no Brasil, em outubro de 2009. Na prática, é uma situação que reduz a rentabilidade, que é dada pela divisão do lucro pelo patrimônio líquido. Por isso, a expectativa do mercado para o retorno do Santander é de melhora nos próximos trimestres.

O movimento do governo é apenas um dos fatores que têm pressionado – e vão pressionar – os bancos. O analista de instituições financeiras do Goldman Sachs, Carlos Macedo, vê ainda 1) a redução da Selic para níveis historicamente baixos, 2) a mudança no mix das carteiras de crédito dos bancos, que caminha para linhas de crédito longas e de menor risco, como imobiliário e consignado; e 3) alteração na estrutura de funding (financiamento) das instituições.

Maioria dos paulistanos quer evitar novos financiamentos

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Consumo, Crédito

Beatriz Bulla

A maioria dos paulistanos (85,8%) não tem intenção de contrair financiamentos nos próximos três meses, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O restante dos moradores da capital paulista se divide entre os que não responderam ou não sabem (2%) e os que pretendem abrir crediários (12,2%).

Os números estão na Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (Prie), que começa a ser divulgada mensalmente pela FecomercioSP. A instituição fez 2.200 entrevistas na Capital nos meses de junho, julho, agosto e setembro e divulgou os resultados do último mês.

A pesquisa aponta também que 44,7% dos paulistanos têm algum tipo de aplicação financeira. Em junho, este número era de 39,7%, passando para 41% em julho e para 38,3% em agosto. Dentro do grupo de paulistanos que aplicam seu dinheiro, a maioria (75,2%) tem como principal opção a poupança. Na sequência, vêm aplicações em renda fixa (16,5%), previdência privada (4,2%), ações (1,7%) e outras ou não sabem/não responderam (2,4%). Em agosto, 82,5% dos entrevistados pertencentes a esse grupo aplicavam dinheiro na caderneta. De acordo com a FecomercioSP, tem aumentado o número de famílias que buscam aplicar o dinheiro em renda fixa – em agosto, essas aplicações respondiam por 7,5% do total.

Famílias endividadas
De acordo com a FecomercioSP, 51,7% das famílias na capital paulista disseram estar endividadas em setembro. Entre as famílias paulistanas que declararam estar endividadas, 38,3% tinham alguma aplicação em setembro. A porcentagem é superior aos resultados de junho (33,3%), julho (37,5%) e agosto (34,0%). Entre as não endividadas, a porcentagem dos que têm alguma aplicação também subiu, passando de 48,3% em junho para 44,4% em julho, 44,8% em agosto e 51,7% no último registro.

“Os dois grupos mostraram aumento da propensão a poupar. Ainda assim a propensão ou capacidade de poupar das famílias é muito baixa, se comparada à necessidade do País. Se a análise for feita com base no tipo de carteira, o grau de investimentos de risco (ações) e de maturação de longo prazo é praticamente zero, muito abaixo de economias como a americana, europeia ou a japonesa”, mostra o estudo.

A conclusão da FecomercioSP é de que o risco de inadimplência inerente ao mercado de crédito “está pautado pelas condições de emprego e renda (ora mantidas no Brasil)” e também pela existência de “um colchão de recursos por parte dos devedores”. Em setembro, de acordo com a FecomercioSP, este risco diminuiu, quando se considera o aumento na proporção de paulistanos que estão poupando dinheiro, tanto entre os endividados quanto entre os não endividados.

Dividendo de ação gera mais retorno que renda fixa

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Yolanda Fordelone

Investir em ações de empresas que pagam bons dividendos é a recomendação de muitos analistas para quem pretende diversificar as aplicações, aceitando um pouco mais de risco em busca de um ganho superior à renda fixa.

Além de oscilarem menos – o que reduz a chance de grandes perdas –, esses papéis têm gerado ganhos vantajosos. Para se ter uma ideia, dentro do índice de dividendos, 12 ações proporcionaram retorno com dividendos (dividend yield) acima de 10% nos últimos doze meses, rentabilidade maior do que a do CDI que baliza as aplicações de renda fixa (9,83% em um ano).

Em alguns casos, os dividendos, parcela do lucro distribuídas entre os acionistas periodicamente, chegam a apresentar rentabilidade anual superior a 30% do valor do investimento. Exemplo disso são as ações da Oi (Veja tabela). “É como se a ação tivesse um componente de renda fixa”, diz o diretor de renda variável da BM&F Bovespa, Julio Ziegelmann.

Regra geral, as companhias que pagam altos dividendos fazem parte de setores onde o investimento mais pesado já foi feito, como energia elétrica. Assim, grande parte da receita se torna lucro no fim do resultado, o qual é dividido com os acionistas. “A geração de caixa é forte e não tem muito investimento a ser feito. Essa é uma característica desse tipo de empresa não só no Brasil, mas também lá fora”, comenta o diretor.

A volatilidade também é menor nesse tipo de empresa, justamente pelos resultados serem mais previsíveis. Neste ano, por exemplo, o índice Bovespa – que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa–, acumula alta de 2,76% até o dia 6 de setembro, enquanto o índice de dividendos, sobe 12,97%. “Para quem pensa no longo prazo, esse tipo de ação pode ser um complemento para a aposentadoria bem interessante”, afirma o analista da corretora SLW, Pedro Galdi.

Como investir. Para aplicar em ações de empresas que pagam bons dividendos, há dois caminhos: comprar diretamente o papel ou aplicar em fundos compostos por ações dessas empresas. O índice de dividendos é um parâmetro para escolher as empresas, segundo especialistas. “Selecionamos os papéis mais líquidos, com maiores dividend yields dos últimos dois anos”, explica Ziegelmann. Atualmente, há 41 ações dentro desta lista.

Em relação aos fundos, os mais tradicionais são vendidos em bancos. Entre eles há dois tipos. “Existe aquele que paga o dividendo na conta do investidor, mais indicado para quem quer um fluxo de renda, e o que reaplica o dividendo no fundo, gerando maior rentabilidade ao longo do tempo. Acreditamos bastante nessas estratégias”, diz a superintendente de fundos indexados da Itaú Asset Management, Tatiana Grecco.
No mercado, hoje, há 34 fundos de dividendos disponíveis ao investidor. A aplicação mínima entre eles é de R$ 100, segundo levantamento no site “Como Investir”, da Anbima.

Tatiana destaca que, além da procura pelos fundos tradicionais de dividendos, o investidor tem se interessado também pelo fundo com cotas negociadas na Bolsa, o ETF DIVO11, cuja administração está a cargo do Itaú Unibanco. “É uma boa estratégia para longo prazo, de cinco anos pelo menos. No curto prazo não é uma boa opção porque é difícil acertar a melhor hora para entrar”, explica. Cada cota é negociada na faixa de R$ 32, sendo o lote padrão formado por 10 cotas.

A vantagem de aplicar via ETF é a baixa taxa de administração, de 0,5% ao ano, em geral menor do que a encontrada nos fundos tradicionais. Com o baixo custo, o ETF consegue acompanhar de perto a rentabilidade do índice de dividendos. Enquanto o índice sobe 3,2% desde 31 de janeiro, quando o ETF foi lançado, o fundo tem valorização de 3,3% – rentabilidade acumulada até 4 de setembro.
Analistas alertam, no entanto, que o risco de aplicar nesse tipo de ação é ficar atrás do desempenho médio da Bolsa.

Escape das armadilhas ao entrar no mundo das ações

Categoria: Bovespa

LUCIELE VELLUTO

O Banco Central está apertando o cerco contra corretoras de valores por causa de irregularidades e maus serviços prestados aos investidores. Só neste mês de agosto, duas tiveram a autorização de funcionamento cancelada. Outras 16 tiveram o mesmo destino no Brasil em 2012 até agora. Com isso, são necessários cuidados redobrados ao escolher investir em ações e entrar na Bolsa de Valores de São Paulo. O passo inicial é saber escolher a corretora de valores que irá intermediar a compra e venda dos papéis.
De acordo com o Banco Central, a liquidação extrajudicial das corretoras Quantia e Diferencial, que ocorreu na primeira quinzena de agosto, foi motivada porque a supervisão do órgão “verificou que ambas as instituições se valeram de sua condição de instituição autorizada a operar no Sistema Financeiro Nacional para conduzir operações com preços fora do padrão de mercado, em benefício próprio e de terceiros. A Diferencial ainda apresentava problemas econômicos.”
Quem era cliente dessas corretoras não vai perder em relação às ações. De acordo com o professor de Finanças do Insper, Liao Ye Chieh, o que o investidor precisará fazer é abrir uma conta em uma nova corretora e transferir a carteira. “O que o cliente pode perder é o dinheiro que ficou parado na conta da corretora e que não foi aplicado em ações ou outro tipo de investimento.”
Além do risco de a corretora fechar por alguma irregularidade, o investidor também poderá ter problemas operacionais, como uma compra ou venda não realizada, o que gera algum tipo de prejuízo para o cliente. Neste ano, o órgão de autorregulação desse mercado, BM&F Bovespa Supervisão de Mercados (BSM), registrou 55 reclamações de investidores contra corretoras até junho, o mesmo número de queixas registradas ao longo de 2011.
Contudo, se houver confirmação do erro cometido pela corretora, o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) cobrirá os prejuízos no valor de até R$ 70 mil. De acordo com o BSM, que julga as reclamações, cinco delas foram dadas como procedentes este ano e houve ressarcimento dos investidores.
Apesar de sempre haver riscos, como qualquer investimento, há detalhes sobre a escolha da corretora que podem ajudar a diminuir as preocupações em relação ao futuro da empresa que presta o serviço de corretagem.
Para o professor da escola de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Ricardo Rochman, o primeiro ponto que deve ser analisado é qual o serviço esperado da corretora. “Se vai querer só corretagem ou também irá necessitar de análises, consultoria, orientação e outros produtos disponíveis. A escolha começa pelo o que a corretora tem a oferecer”, afirma.
Outro ponto importante é como serão feitas as ordens de investimento, se por mesa de operações ou home broker. Se a escolha for pela segunda, é preciso encontrar uma corretora que tenha um bom serviço, pois há casos de o programa de compra e venda parar de operar em dias de grande volume na Bolsa de Valores.
Além disso, o investidor ainda deve observar a taxa de corretagem e a taxa de custódia e se a empresa tem bom atendimento, por telefone ou online, que pode ajudar a tirar as dúvidas na hora de investir.
O economista Felipe Augusto Canal, de 27 anos, investe em ações há cinco anos e escolheu primeiro uma corretora que tivesse um bom sistema de home broker. “Eu opero todo os dias, até pelo celular. Não podia ter uma conexão que cai todo o tempo.”
Há dois anos, Canal resolveu trocar de corretora por uma que tivesse um serviço tão bom quanto a anterior, mas preço de corretagem menor. Porém, os erros já aconteceram. “Já ocorreu das ações sumirem da minha carteira. Reclamei na corretora e o erro foi corrigido.”  ::

Apple é a empresa com maior valor de mercado de todos os tempos

Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Empresas, Internet, Tecnologia

NOVA YORK

A Apple é a companhia de maior valor de mercado do mundo em todos os tempos. Ontem, suas ações em alta fizeram com que a companhia alcançasse um valor de US$ 623,52 bilhões, batendo o recorde estabelecido pela Microsoft na embriaguez da bolha da internet.

Depois de cair por quatro meses, as ações da Apple atingiram recentemente novas altas em razão do otimismo com o lançamento do iPhone 5 e, possivelmente, de um iPad menor e mais barato. A Apple já é a companhia de maior valor do mundo desde o fim do ano passado. Hoje, o seu valor é 53% superior ao da segunda colocada, a Exxon Mobil.

No fechamento de ontem, as ações da Apple alcançaram a cotação de US$ 665,15, um avanço de 2,63% sobre sexta-feira. No pico, em 1999, a Microsoft chegou a valer US$ 620,58 bilhões, segundo a Standard & Poor’s.
A comparação com a Microsoft não leva em conta, porém, a inflação. Em dólares corrigidos, no dia 30 de dezembro de 1999 a gigante do software valia cerca de US$ 850 bilhões. Hoje, ela vale US$ 257 bilhões.

Os analistas acreditam que as ações da Apple ainda têm potencial para crescer. A cotação indicada por 38 analistas ouvidos pela FactSet é US$ 745,80.

Apesar do aumento, o valor das ações da Apple não é particularmente elevado em comparação com seus ganhos nos últimos 12 meses. A relação “preço/lucro” da companhia é 15,6, em comparação a 16,1 da S&P 500. O que sugere que os investidores, ao contrário dos analistas, não acreditam que a companhia possa aumentar muito suas vendas a partir dos níveis atuais.

Expectativa
Além do iPhone e do iPad Mini, os analistas especulam que a Apple planeja produzir um aparelho de TV para completar sua série de produtos eletrônicos de consumo.

Na semana passada, o analista Peter Misek, do banco de investimentos americano Jefferies & Company, afirmou que a nova versão do iPhone poderá ser lançada em meados de setembro. Misek aumentou o preço-alvo do papel da Apple de US$ 800 para US$ 900, e previu que o iPhone 5 poderá “ser o maior lançamento de celular da história”.

Misek disse que canais de verificações com produtores asiáticos de componentes sugerem que a Apple poder estar perto de lançar o tão falado iPad Mini. O analista também previu que um novo produto de TV da Apple “está em plena produção”. Em geral, a Apple não costuma comentar seus projetos sobre produtos futuros até poucas semanas ou dias antes de um lançamento.

Com a alta das suas ações, os papéis se tornaram uma parte preponderante de muitas carteiras de investimento, muitas vezes sem que os investidores se dessem conta disso. A companhia representa 4,7% do valor do índice das 500 da S&P, que é usado como base para muitos fundos mútuos.

Petróleo. A maior companhia petrolífera da China, a PetroChina, poderia reivindicar um valor de mercado maior ainda do que o da Apple, por causa das peculiaridades da bolsa chinesa.
A PetroChina registrou, por breve tempo, um valor de US$ 1 trilhão depois que foi listada na bolsa de Xangai, em 2007, mas unicamente com base no seu preço naquela bolsa, que é isolada do resto do mundo financeiro por causa das leis chinesas sobre investimentos externos.

As ações da PetroChina também são negociadas em Hong Kong e na Bolsa de Nova York, e com base em seus preços, nunca chegou a valer US$ 500 bilhões. / AP e DOW JONES NEWSWIRES