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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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SP tem menor desempregados desde 2002

Categoria: Indicadores, Trabalho

Carolina Dall’Olio

O número de desempregados na região metropolitana de São Paulo nunca foi tão baixo. São 577 mil pessoas, o menor contingente já apurado pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002.

Esse grupo encheria, no máximo, nove estádios como o Morumbi. Não é pouco. Mas frente à população de quase 20 milhões de pessoas que residem na região, a estatística pode ser considerada positiva. Tudo isso, é claro, se deve ao bom momento da economia, que impulsiona o crescimento do emprego e acelera a criação de vagas. Em agosto, por exemplo, foi aberto um posto de trabalho por minuto na Grande São Paulo. No ano, os novos funcionários da região já somam 300 mil.

Mariana Gaddi, de 26 anos, é uma delas. Tradutora e intérprete, Mariana havia largado o antigo emprego de professora de inglês para estudar, durante três meses, na Europa. Quando voltou ao Brasil, bastaram duas semanas para que ela encontrasse exatamente a vaga que procurava: um trabalho numa agência de intercâmbio, a World Study.

“Queria ajudar outros jovens que, como eu, querem viajar para estudar”, conta Mariana, que começou no novo emprego há três dias. “Para que eu fosse contratada, contou muito a experiência que eu já tinha como professora, além da minha formação”, afirma ela, que fala inglês, espanhol e alemão.

Em apenas duas semanas, Mariana Gaddi encontrou o emprego que procurava. Ela agora trabalha numa agência de intercâmbio de estudantes (Foto: Marcio Fernandes/AE)

Combate ao desemprego

Para pessoas como Mariana, que têm boa escolaridade, especialização e experiência profissional não faltam oportunidades de trabalho. “As pessoas que permanecem desempregadas hoje são, em sua maioria, os jovens ou os trabalhadores de baixa escolaridade e baixa renda”, aponta Hélio Zylberstajn, coordenador do Observatório do Emprego, ligado à Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho.

“Chegamos a um ponto em que o desemprego não pode mais ser combatido apenas com o crescimento econômico”, analisa Zylberstajn. Para ele, a única saída para reduzir ainda mais o desemprego é criar postos de trabalho compatíveis com o perfil desses trabalhadores. “Seriam vagas, principalmente, na construção civil, no setor público e em serviços, desde que exigissem baixíssima qualificação.”

Cláudio Salvadori Dedecca, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), faz uma análise mais otimista. Para ele, ainda há espaço para a redução do desemprego na Grande São Paulo. “As vagas temporárias geradas em função das festas de fim de ano podem se tornar efetivas logo no início de 2010”, afirma Dedecca. “Além disso, como os trabalhadores mais escolarizados e experientes já estão empregados, as empresas tendem a contratar agora a mão de obra menos experiente. E é nessa hora que o jovem ganha uma oportunidade.”

O bom momento da economia já está beneficiando quem não tem experiência profissional. Segundo o Ministério do Trabalho, 206.790 pessoas conquistaram seu primeiro emprego entre janeiro e agosto deste ano na capital, ante 171.233 no mesmo período de 2009 — um crescimento de 20,76%. A oferta deste tipo de vaga é a maior desde 2000, quando este dado começou a ser apurado, e grande parte das oportunidades está no setor de serviços.

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