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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014
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Salário sobe e pode elevar preço de imóvel

Categoria: Casa própria, Construção, Imóveis, Trabalho

LUCIELE VELLUTO

Os imóveis novos podem ficar mais caros na capital nos próximos meses. O reajuste salarial concedido aos trabalhadores da construção civil da cidade de São Paulo este mês foi de 9,75%, fator que pesa nos custos das construtoras e que pode ser repassado aos consumidores.

De acordo com o coordenador da pós-graduação em Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Ricardo Almeida, a elevação salarial dos trabalhadores representa de 10% a 15% do índice total de aumento nos valores dos imóveis novos. “Há um impacto, sim. A obra vai ficar mais cara. Mas esse não é o único fator que puxa o valor dos imóveis, pois há o preço do material de construção e também o comportamento do mercado.”

O diretor de economia do Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, explica que quase 50% da obra de um imóvel de padrão médio tem como custo a despesa com mão de obra.

“Com o aumento salarial, o custo da obra se eleva. Porém o preço dos imóveis está mais ligado ao mercado”, diz. Assim, com o setor aquecido é possível que os reajustes sejam repassados aos compradores, porém, as construtoras podem optar por reduzir a margem de lucro caso a demanda enfraqueça.

Para o coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, os salários têm baixo impacto no preço dos imóveis na comparação com o crescimento do mercado, que foi de 11,6% em 2010.

Além disso, ele lembra que houve um movimento de valorização dos imóveis. Segundo o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), o metro quadrado ficou 34,19% mais caro na cidade de São Paulo em 2010.

“Se olhar o valor do piso salarial dos trabalhadores — este mês passou para R$ 910,80 na capital — ainda se percebe que os salários estão muito abaixo do que o mercado tem avançado”, avalia.

Construção civil

A pesquisa divulgada ontem pelo Dieese sobre o emprego na construção civil em 2010 mostra que 98,2% dos trabalhadores representados por sindicato no País conseguiram aumento acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 6,47% em 2010. Do total de trabalhadores que conseguiram aumento, 75,5% obtiveram mais do que 3% de ganho real, sendo que 19,3% conquistaram mais de 8% de reajuste acima da inflação.

No entanto, os salários-base ainda são baixos. O valor médio do piso da categoria no Brasil pago no ano passado era de R$ 634. No Estado de São Paulo, a média era de R$ 817,12.

“E esse salário pequeno acaba afastando muitos trabalhadores do setor, o que contribui para a escassez de mão de obra. O trabalhador é atraído por outras áreas que pagam melhor”, analisa Oliveira.

O estudo também mostra que 28,67% dos empregados nesse setor têm carteira assinada e 23,11% atuam sem registro. A maioria, 39,94%, trabalha por conta própria. Para Oliveira, é um elevado grau de informalidade, o que coloca muitas pessoas em condições de ocupação precária. “Apesar de os salários crescerem, as relações de trabalham não avançaram.”

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