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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Reservas brasileiras alcançam US$ 300 bi

Categoria: Contas públicas, Dólar

Fabio Graner

As reservas internacionais brasileiras encostaram ontem na marca histórica de US$ 300 bilhões, reavivando o debate sobre os limites da política agressiva de compra de dólares que vem sendo implementada pelo Banco Central. A estratégia de aumento constante das reservas, embora tenha como consequência evidente uma redução no risco externo do País, cumpre o objetivo do governo de conter a tendência de valorização do real.

Mas essa política também tem um custo, resultado da diferença entre os juros praticados no Brasil e no exterior. É que, ao comprar dólares, o BC se endivida em reais, já que a taxa de juros é de 11,25%. Ao mesmo tempo, aplica os dólares em títulos do governo americano, cuja taxa é um pouco superior a 3%.

Os cálculos diferem entre os economistas, já que os custos internos e externos variam, além do peso do fator câmbio. De qualquer forma, uma estimativa simples colocaria o custo na casa dos US$ 20 bilhões por ano, além da elevação do estoque da dívida pública.

O governo argumenta que a discussão do custo não pode ser desvinculada dos benefícios que a atual política traz. Afinal, o desempenho do País na crise financeira internacional, com redução da dívida líquida do setor público no momento em que o dólar disparou e rápida recuperação da atividade econômica, mostra que vale a pena ter esse seguro.

Mas esse argumento pode fortalecer a tese dos que não veem mais sentido em seguir reforçando o colchão de dólares do governo. Afinal, se usando apenas pequena parte do montante dos cerca de US$ 200 bilhões que estavam guardados em 2008, o Brasil saiu da maior crise em 80 anos, qual a necessidade de se ter mais reservas e impor um custo fiscal? O governo não dá essa resposta.

Enxugar gelo
O ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas entende que continuar comprando dólares e aumentar as reservas é uma política de “enxugar gelo”. “Quanto mais aumenta as reservas, menor a percepção de risco e, por sua vez, maior o incentivo à entrada de dólares, exatamente em um contexto em que se quer evitar o ingresso de moeda estrangeira”, disse Freitas.

Freitas entende que não se pode mudar a tendência de valorização do real. Por isso, a alternativa seria deixar a moeda americana cair ante o real, o que ajudaria o Banco Central na tarefa de recolocar a inflação na meta.

1 Comentário Comente também
  • 29/03/2011 - 07:27
    Enviado por: IRAQUE DE MELO

    Sou leigo no assunto Ciências Econômicas. O que eu gostaria de saber é o seguinte: 300 bilhões de dollars de reservas cambiais significa que o Brasil tem 300 bilhões de dollars em cash guardados no Banco Central? Esses 300 bilhões de dollars representam uma situação positiva ou negativa para o Brasil, para o povão?

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