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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014
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Redução de IPI faz preço de carro usado cair até 10,6%

Categoria: Construção, Consumo

GISELE TAMAMAR

O cenário do mercado de automóveis está bom para quem quer comprar, mas ruim para vender. Levantamento feito pela Gerência de Business Intelligence do Grupo Estado mostra que os preços dos modelos usados e seminovos (com até dois anos ou 20 mil quilômetros) caíram até 10,6% em um mês.

Apesar do preço reduzido, o consumidor precisa ter pelo menos 40% de entrada para conseguir boas condições de pagamento, além de passar pela avaliação cadastral para ter o financiamento aprovado.

A pesquisa levou em consideração a tabela de usados publicada no Jornal do Carro do JT no dia 30 de maio, oito dias depois do anúncio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos novos, e comparou com os preços da publicação do dia 27 de junho.

A maior variação negativa foi registrada pelo modelo da Fiat, o Siena ELX 1.4 ano 2011. O preço caiu de R$ 41.274 para R$ 36.900, uma baixa de 10,6%. Foram pesquisados 3.433 modelos. Na média, a variação foi negativa de 1,61%.

A redução de preço dos usados segue o mesmo sentido dos modelos zero quilômetro, beneficiados pela redução do IPI. Mas em proporção maior. O professor do curso de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) José Eduardo Amato Balian explica que o carro usado não desperta o mesmo interesse do modelo novo, já que tem o desgate do uso.

Assim, em tese, o consumidor se interessa mais pelo automóvel novo, o que contribui para queda das vendas do usado. O economista especializado em varejo automotivo Ayrton Fontes aponta o rigor na concessão do crédito como outro complicador para o veículo usado.

“Os bancos estão mais preocupados em conceder financiamentos. A taxa de inadimplência está alta”, pontua. De acordo com o Banco Central, o porcentual do saldo em atraso superior a 90 dias foi de 6,1% em maio, a maior taxa desde o início da série histórica iniciada em 2000.

“O processo de concessão do crédito está mais seletivo, mais exigente. Isso é um dos pontos que mais afetam o mercado”, diz o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp), George Assad Chahade.

A alta na inadimplência é reflexo das vendas efetuadas, principalmente para a nova classe média, a partir de 2009, quando não era exigida entrada e o parcelamento chegava a 60 meses. Hoje, o cenário é bem diferente.

Só encontra boas condições de compra quem tem dinheiro para dar de entrada e conseguir comprovar emprego e renda. A dica dos especialistas é pesquisar e negociar um desconto ainda maior na loja.

O alerta é para o consumidor que vai dar o carro usado como entrada na compra do novo. A desvalorização pode até anular o desconto conseguido com a redução do IPI para veículos zero quilômetro.

O cliente ainda pode aproveitar a redução dos juros, caso não compre o carro à vista. As taxas variam de 0% a 0,99% ao mês para quem tiver pelo menos 40% do valor para dar de entrada. Os principais bancos do mercado iniciaram em abril um movimento de redução das taxas, principalmente para quem tem um bom relacionamento com a instituição.

De acordo com Fontes, tem aumentado o volume de crédito utilizado para a compra do carro contratado diretamente nos bancos. Entre março e abril, 11% do total dos recursos eram negociados com o banco. Em maio, o porcentual subiu para 30%.

“O consumidor disposto a comprar um carro encontra um momento interessante”, diz o professor do MBA gestão de riscos da Trevisan Escola de Negócios Cláudio Gonçalves. Mas não se deve esquecer os gastos que surgirão com a compra: seguro, combustível, imposto e estacionamento.