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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Reajustes pressionam inflação em 2011

Categoria: Agenda, Análise, Índice, Inflação, Salário mínimo

Alessandra Saraiva

Reajustes salariais puxarão para cima o consumo no mercado doméstico, o que deve elevar a inflação no varejo até o fim do ano.

Para analistas, os novos ganhos reais de renda obtidos nas negociações salariais coletivas neste semestre, aliados ao aumento de 14% previsto no salário mínimo para 2012, puxarão para cima a taxa de 2011 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência no regime de metas inflacionárias do governo, e impedirão a convergência para o centro da meta (4,5%) no ano que vem.

Para o analista da consultoria Tendências, Rafael Bacciotti, os dissídios já resolvidos indicam que os próximos devem repor perda inflacionária. “Segundo o Dieese, de 353 negociações no primeiro semestre, 84% tiveram reajuste acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com renda de 1 a 6 mínimos.”

“Não é tão bom quanto foi o de 2010 (87%), mas é muito positivo. Nem sempre as categorias conseguem repor perda inflacionária”, avaliou Bacciotti.

Entre as categorias que têm data-base no segundo semestre deste ano estão bancários, comerciários e petroleiros – em setembro – e metalúrgicos e químicos – em novembro. Na avaliação de Bacciotti, a reposição de perda inflacionária dos trabalhadores vai sustentar o poder de compra do consumidor.

Um dos setores que devem contribuir para o avanço da inflação é o mercado de trabalho na indústria. Nos seis primeiros meses de 2011, o Dieese aponta que 87% das negociações no setor tiveram aumento real no salário.

O comércio também será fonte de pressão de preços. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) citou o mercado de trabalho como causa para uma alta de 2,5% na intenção de consumo das famílias brasileiras em agosto ante julho, medida pela entidade. Para 2011, a previsão é de alta de 6% nas vendas do varejo, abaixo da alta recorde de 2010 (11%).

A renda em alta já foi captada pelo IBGE. Na quinta-feira, o instituto divulgou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que mostrou alta de 2,2% em julho ante junho no rendimento médio real habitual dos trabalhadores, com valor de R$ 1.612,90 – o mais alto para julho desde 2002.

Para a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, a combinação de renda em crescimento com salário mínimo mais elevado vai conduzir a um IPCA de 5,43% em 2012, longe do centro da meta de 4,5%.

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