Privatização de aeroportos rende R$ 24,5 bi
- 7 de fevereiro de 2012 |
- 11h30 |
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Categoria: Agenda, Análise, Investimentos, Serviços
Renée Pereira
O resultado do leilão de privatização dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília superou as expectativas mais otimistas do mercado.
Ninguém duvidava que a disputa seria acirrada, mas não se esperava ágios de até 673%, como ocorreu com o Aeroporto de Brasília. Na média, as três concessões tiveram ágio de 347% e vão render ao governo federal R$ 24,5 bilhões.
O dinheiro, pago em parcelas anuais no período de concessão, será usado em melhorias no setor aéreo. Além disso, os vencedores terão de desembolsar outros R$ 16 bilhões para ampliar e modernizar os três aeroportos.
Realizado na manhã de ontem, na sede da BM&F Bovespa, em São Paulo, o leilão lembrou as grandes privatizações da década de 1990, com direito a protestos na Rua 15 de Novembro e muito bochicho entre os investidores. No saguão da bolsa paulista estava a elite da infraestrutura brasileira e da construção civil como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Todas dispostas a se tornarem sócias da Infraero, que terá 49% dos aeroportos.
As três gigantes, no entanto, saíram de mãos abanando. Quem causou furor entre os investidores foi o consórcio formado pela Invepar, empresa formada pelos fundos de pensão (Previ, Funcef e Petros) e a construtora OAS. Em parceria com a operadora estatal sul-africana ACSA, o grupo minou qualquer possibilidade de a concorrência arrematar o aeroporto de Guarulhos. A oferta, de R$ 16,21 bilhões e ágio de 373,5%, era R$ 3,3 bilhões superior ao segundo melhor lance. A disputa foi para o viva voz, mas ninguém ousou fazer propostas.
Nas rodinhas entre executivos que participaram do leilão, a pauta era descobrir como o consórcio conseguiu fazer uma proposta tão alta por Guarulhos. E não faltaram insinuações como: “É um consórcio chapa-branca” ou “ficou dentro de casa”, uma referência ao fato de o consórcio ser formado por fundos de pensão de estatais como Banco do Brasil, Caixa e Petrobrás. A Invepar têm 90% do consórcio e a ACSA, 10% – fato que tem ajudado a classificar o grupo como estatal (ler mais na coluna de Sonia Racy).
Advogados que estudaram os três aeroportos não conseguiram encontrar a equação financeira do grupo e acreditam que o retorno do investimento não supere 4% ( há quem acredite que vá ficar negativo nos primeiros anos).
O presidente da Invepar, Gustavo Rocha, mostrou-se muito satisfeito com o resultado e disse que espera elevar de forma significativa o volume de receitas não tarifárias do aeroporto. “Há uma carência muito grande de serviços nos terminais.”
Segundo ele, o lance foi feito com base em oito meses de estudo. “Para entrar numa disputa como essa, tínhamos de estar muito seguros. Vamos entregar o que se espera para o acionista e para os passageiros.” No mercado, porém, fala-se que até quatro semanas atrás o grupo nem tinha fechado parceria com a estatal sul-africana ACSA.
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