Cigarro aumenta 173,7% em dez anos em SP
- 3 de agosto de 2011 |
- 23h12 |
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Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Empresas, Inflação
MARÍLIA ALMEIDA
O preço do cigarro deu um salto nos últimos dez anos na Região Metropolitana de São Paulo. O aumento foi de 173,7% de maio de 2001 a maio deste ano, acima da inflação de 96,29% acumulada no período, segundo o Índice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A maior alta, 16,24%, ocorreu em maio de 2009, quando o governo elevou a carga de impostos sobre o produto para dar incentivos às montadoras de veículos e ao setor de construção civil durante a crise econômica mundial. O último reajuste do cigarro, de 4,97%, foi registrado em fevereiro e está acima da inflação deste ano, de 3,58%.
Segundo a coordenadora do ICV, Cornélia Porto, contribui para o aumento a falta de concorrência no mercado. “Ele é dominado praticamente por apenas uma empresa, a Souza Cruz.” Ela também cita a alta carga tributária do produto, que corresponde a 80,42% do preço, conforme cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). O produto perde apenas para a cachaça, de cujo valor 81,87% correspondem a tributos.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o custo do cigarro equivale, em média, a 1,7% do orçamento familiar. Em maio de 2001, esse peso era menor: 1,22%. “É um peso semelhante ao de roupas, que corresponde a 1,36% do orçamento mensal”, diz Cornélia. Esse custo sobe para 2,13% do orçamento no caso de famílias com renda menor. Já em famílias com renda maior, cai para 1,33%.
A manicure Simone Rodrigues, 41 anos, parou de fumar há um mês por causa dos gastos com o vício. Fumante há 17 anos, Simone passou a consumir mais cigarros por causa de problemas pessoais e sentiu o peso no bolso. “Fumava um maço e meio por dia. Somando com gastos indiretos, como tomar mais café, mascar mais chicletes e comprar isqueiros a cada dois dias, estava gastando R$ 200 por mês, metade do valor do meu aluguel”, diz a ex-fumante.
Ao parar, o alívio nas finanças de Simone foi imediato. “Agora não preciso reservar dinheiro para esses gastos”, conta ela.
Quem compra um maço por dia por R$ 4 gasta R$ 1.460 por ano. Com esse valor, é possível comprar um notebook ou uma TV de LCD de 26 polegadas. Se esse dinheiro for aplicado na poupança mês a mês durante dez anos, significará um rendimento de R$ 1,5 mil, além de uma economia de R$ 14,6 mil, ou seja, teria R$ 16,1 mil no bolso ao final de uma década.
Carreira
Além de pesar no bolso e na saúde, fumar também pode prejudicar o candidato a uma vaga de trabalho. Segundo Ricardo Tasinato, diretor da empresa de recrutamento Interathiva, a maioria das empresas dão preferência a funcionários não fumantes.
Segundo Tasinato, geralmente ter o vício não é determinante para a contratação. “As habilidades do candidato são mais apreciadas na hora da escolha.” Porém, o hábito pode se tornar o critério de desempate entre candidatos com perfis semelhantes.
De acordo com Tasinato, grandes empresas são mais tolerantes com o vício, enquanto microempresas valorizam funcionários que não fumem. “A saidinha para fumar tem mais importância se a empresa tem poucos funcionários. Fumar também pode significar problemas de saúde, logo, faltas no trabalho.” ::
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