Petrobrás: queda de curto prazo
- 9 de outubro de 2010 |
- 10h30 |
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Categoria: Indicadores, Investimentos
Gisele Tamamar
Investidor da Petrobrás há oito anos, o advogado Marcus Pires, de 34 anos, vê com naturalidade a queda de 15% nas ações da estatal na semana. Tanto que planeja aproveitar a baixa e até fazer novas aquisições, sempre com foco no longo prazo. E tranquilidade é exatamente o que aconselham os especialistas ao investidor que adquiriu ações da petroleira e ficou preocupado com as notícias de desvalorização e perda de valor de mercado da empresa.
Ao longo da semana, as ações preferenciais (PN) da Petrobrás registraram quatro quedas consecutivas. A maior baixa foi na quinta-feira, quando o papel atingiu a menor cotação em 18 meses: R$ 25,30. Ontem, a ação mostrou recuperação e subiu 2,77%, a R$ 26.
Na opinião do professor de finanças da Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Keyler Rocha, um dos principais fatores a influenciar a sequência de quedas foi a divulgação de relatórios dos bancos, que demonstraram menos otimismo quanto ao comportamento futuro dos papéis.
Para o docente da FEA, as análises feitas pelo setor bancário mostraram informações já conhecidas: o investimento na Petrobrás é de longo prazo e levará um bom tempo para dar retorno. E o lucro da companhia em 2010, provavelmente, será em patamares semelhantes aos de anos anteriores, porém será rateado entre um número bem maior de ações devido ao processo de capitalização, e resultará em um retorno financeiro menor aos acionistas.
Por isso, Keyler Rocha tranquiliza os mais preocupados. O investidor tem boas perspectivas para os papéis a longo prazo, quando os investimentos no pré-sal começarem a dar retorno. O professor do Laboratório de Finanças da Fundação Istituto de Administração (FIA), Ricardo Rocha, é da mesma opinião. “Quem comprou ações recentemente não deve se preocupar com a variação atual. Comprar ações é um investimento de risco e demanda um tempo mínimo”, explica.
O administrador Nelson Andrade, 31 anos, também comprou papéis da Petrobrás durante o processo de capitalização. “Não estou preocupado porque penso a longo prazo e acredito que a tendência é reverter para alta”, diz. Com a queda do preço das ações, o valor de mercado da estatal cai na mesma proporção. Isso porque esse valor é resultado da quantidades de ações da empresa multiplicada pelo preço de negociação. Só na semana, a perda foi de cerca de R$ 20 bilhões.
Os especialistas orientam os investidores a terem calma. “Essa conta assusta, mas a perda não foi no caixa da companhia. É uma conta que reflete a queda no preço das ações”, diz Ricardo Rocha.
Especulação
“Quem fica preocupado é o especulador, que busca lucro no curto espaço de tempo. O investidor não deve ter essa preocupação. É preciso ter calma e aguardar a valorização dos papéis a longo prazo”, admite Keyler Rocha. Já quem não conseguiu comprar ações durante a capitalização pode aproveitar o período de baixa para completar a carteira.
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