Petrobrás abandona perfuradora em túnel
- 10 de fevereiro de 2012 |
- 15h41 |
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Categoria: Empresas, Tecnologia
Por sugestão da então diretora de Gás e Energia, Graça Foster, a diretoria da Petrobrás determinou em 2010 que uma máquina perfuradora de túneis, comprada por R$ 51 milhões, fosse abandonada dentro de um túnel que atravessa a Serra do Mar, por onde passa o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (SP). Ela foi confirmada ontem, pelo Conselho de Administração, como a nova presidente da petroleira.
A Petrobrás informou que o abandono do equipamento representou uma economia de pelo menos R$ 700 milhões.
A empresa calcula que esse seria o valor do prejuízo caso fosse tomada a decisão de desmontar a tuneladora e retirar peça por peça, o que provocaria um atraso de 104 dias na conclusão do gasoduto. O prejuízo seria decorrente da perda de produção de óleo e dos gastos para suprir o mercado com gás durante o período.
A notícia de que, por sugestão de Graça Foster, a diretoria determinou o abandono da máquina, trazida da Itália, foi publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.
Embora não seja usual, o procedimento costuma ser adotado na construção de túneis quando necessário, sempre por razões econômicas, segundo engenheiros ouvidos pelo reportagem.
Eurotúnel
Um exemplo ocorreu na construção do Eurotúnel, que liga Inglaterra e França por três túneis sob o Canal da Mancha. Em um determinado momento da obra, as perfuradoras que partiram dos dois países encontraram-se.
Como a máquina não anda para trás, a solução encontrada foi enterrar o equipamento inglês e seguir com o francês até a Inglaterra.
De acordo com um engenheiro que participou do projeto da Petrobrás, o procedimento adotado foi correto, já que na construção do gasoduto, batizado de Gastau, condições geológicas desfavoráveis como rochas muito resistentes, por exemplo, resultaram em atrasos na evolução da obra.
O túnel tem 5,2 quilômetros. O gasoduto foi inaugurado em março do ano passado.
A tuneladora, de 130 metros de comprimento, foi deixada dentro de uma câmara aberta na rocha especialmente para abrigá-la.
Critérios
Especialista em túneis, o diretor financeiro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Luiz Carneiro de Oliveira, disse que “a Petrobrás é muito criteriosa” e deve ter tomado a decisão de abandonar a perfuradora após realizar estudos sobre quanto seria gasto nos dois processos.
“Sem conhecer detalhes do caso, posso dizer que a Petrobrás deve ter concluído que construir a variante (onde foi abandonada a máquina) causaria um prejuízo menor. Mas não é rotina uma empresa abandonar o equipamento. Mas qualquer obra desse porte tem risco de engenharia. O seguro paga o equipamento”, afirmou Carneiro de Oliveira./ MARIANA DURÃO E SERGIO TORRES
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