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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Pesquisa do BC apura queda na oferta de crédito

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Crédito

Marcelo Portela

Projeção feita pelo Banco Central junto a bancos mostra perspectiva de queda na oferta de crédito em praticamente todos os segmentos no último trimestre do ano, em relação aos três meses anteriores.

O levantamento divulgado ontem ouviu 46 instituições financeiras responsáveis pela grande maioria da carteira de crédito no Brasil. O resultado da pesquisa, que mostra uma média da avaliação dos bancos, foi dividido em índices que variam entre -2 (retração forte), -1, (retração moderada), 0 (estabilidade), 1 (crescimento moderado) e 2 (crescimento forte).

O segmento com maior previsão de retração é o de grandes empresas. O BC consultou 22 instituições, responsáveis por 94,1% da carteira de crédito deste mercado, e constatou expectativa de retração de 0,77 na oferta de financiamentos em relação ao terceiro trimestre. Segundo o diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, a justificativa mais usada para a projeção foi a “condição geral da economia doméstica”.

No mesmo segmento, o mercado prevê também redução de 0,27 na aprovação de financiamentos e de 0,14 na demanda por crédito, motivada, segundo as instituições, por uma “menor necessidade de capital de giro”.

Micros
Já entre micro, pequenas e médias empresas, a necessidade de capital de giro, na projeção de 40 instituições financeiras consultadas pelo BC – responsáveis por 90,5% da carteira de crédito no País – deve impulsionar a demanda por financiamentos em 0,75 no quarto trimestre, com aumento de 0,05 na aprovação. No entanto, o mercado prevê também uma retração de 0,70 na oferta de crédito. De acordo com Araújo, o motivo mais alegado para a redução nesta fatia é a “preocupação com o nível de inadimplência”.

Outro segmento pesquisado é o de crédito a pessoas físicas voltado para o consumo, no qual o mercado financeiro prevê crescimento da demanda (0,35) e na aprovação (0,12) de crédito, mas também com expectativa de redução na oferta, de 0,35. O levantamento, neste caso, foi feito com 17 instituições financeiras, detentoras de 96,6% da carteira de crédito para essa fatia.

“O comprometimento da renda é o motivo alegado para a diminuição da oferta”, afirmou o diretor do BC. “O nível de emprego e as condições gerais são as justificativas para o aumento da demanda”, disse. “O 13.º (salário) impacta nas projeções. A renda das pessoas dobra e elas precisam de menos crédito”, avaliou.

O único segmento em que o mercado prevê apenas números positivos é o de financiamento habitacional. As oito instituições consultadas pelo BC, responsáveis por 99,7% da carteira, projetam crescimento de 0,13 na demanda, impulsionado, segundo Araújo, pela “concorrência” e de 0,50 na aprovação e na demanda por crédito, provocada, na visão dos bancos, pela “confiança no mercado” e pela “evolução nos preços” dos imóveis.

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