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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
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Paulistano está trocando menos de emprego

Categoria: Trabalho

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O paulistano está trocando menos de trabalho. Há menos oferta de emprego e as empresas estão mais cautelosas neste início de ano por conta do cenário internacional nebuloso.

Três dos quatro principais setores econômicos da cidade de São Paulo tiveram queda no índice de rotatividade no emprego em dezembro de 2011 ante o mesmo mês de 2010, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): comércio (de 4,12 para 3,99), serviços (de 3,64 para 3,54) e indústria (de 1,99 para 1,83).

A construção civil permanece em alta (de 5,02 para 5,8). Apesar de os índices ainda serem considerados positivos, a situação preocupa.

“Por mais que o impacto da crise seja menor no Brasil, existe uma insegurança tanto por parte das empresas quanto por parte dos trabalhadores”, explica Fátima Motta, professora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM e sócia-diretora da FM Consultores. “Muitas empresas, principalmente as que são ligadas a companhias estrangeiras, estão reduzindo custos e contratações.”

Outro fator que faz com que as empresas retenham seus funcionários é a falta de mão de obra qualificada no mercado. “Assim, a rotatividade tanto pode aumentar, quanto diminuir. De um lado, as companhias fazem de tudo para ficar com seus bons profissionais. De outro, esses funcionários podem receber propostas melhores e mudar de emprego”, aponta o economista da FIA Celso Grisi. Esse último fator pode não ser determinante para reduzir a rotatividade. Mas, junto ao cenário de crise, pode impulsioná-lo para baixo.

Cada setor também tem suas características. A rotatividade maior na área de construção civil, por exemplo, está relacionada com a competição entre empresas pelos profissionais mais qualificados. “É um setor que está muito aquecido e continua expandindo”, explica Grisi.

Já no setor industrial, os funcionários não têm tantas oportunidades de trocar de emprego com frequência. “A indústria tem sofrido com a taxa de câmbio, que tem barateado as importações”, diz o economista técnico da Secretaria de Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, Cesar Concone.

Mesmo assim, o mercado de trabalho continua em bom ritmo. A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo caiu a 4,7% em dezembro, fechando 2011 com média de 6,2% – a menor desde 2003. Nesse cenário, o índice de rotatividade apesar de ter apresentado queda, ainda é considerado alto. “O índice continua em um patamar elevado. Mas tem oscilações nos setores ao longo do tempo, o que é normal”, analisa Concone.

Mas até que ponto o trabalhador é bem visto pelas empresas por mudarem com frequência ou permanecerem muito tempo em um emprego? “O mercado aceita aquele que tem, em média, cinco anos de empresa. É o suficiente para não achar que ele tem dificuldade de se relacionar e que não é acomodado”, orienta Glauco Cavalcanti, coordenador do curso de Pós-MBA em Negociação da FGV.

Apesar de estar preocupada com a sua área, a gestora ambiental Mayra Jacob, resolveu sair de seu emprego atual, para tentar algo mais desafiador. “Acho que meu setor é o primeiro a ser cortado das empresas em épocas de crise, que é o que vem acontecendo. Mas resolvi arriscar”, conta.

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