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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Cresce adesão a seguro que cobre calote

Categoria: Tecnologia

SAULO LUZ

O medo de perder o emprego tem feito com que mais pessoas contratem o seguro prestamista, que garante o pagamento das prestações de um financiamento em caso de desemprego, morte ou invalidez do consumidor. Segundo a Superintendência Nacional de Seguros Privados (Susep), a adesão à proteção cresceu 25% no Estado de São Paulo no primeiro trimestre deste ano (R$ 624,7 milhões em vendas) ante o mesmo período de 2011 (R$ 500,2 milhões).

O seguro é oferecido principalmente por redes varejistas com o nome proteção financeira. “Esse crescimento está ligado ao ingresso (no mercado de crédito) de novos consumidores que se preocupam com capacidade de pagamento futura, em especial com o risco do desemprego. O cliente paga um valor mensal baixo que acaba lhe dando uma tranquilidade maiorâ€, afirma Marcel Solimeo, economista chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O medo de desemprego se justifica: o índice passou de 9,6% em janeiro para 11,1% em março deste ano na Região Metropolitana de São Paulo, segundo levantamento do Seade-Dieese.

A assistente de plano de saúde Raquel Melo, 19 anos, sabe bem o que é não ter como pagar um parcelamento. Consumidora assídua do crediário de uma rede de lojas de roupas, recusou o seguro e se arrependeu quando perdeu o emprego. “Na época, não quis o seguro, porque era um gasto a mais. Desempregada e sem conseguir pagar as prestações, a loja sujou meu nomeâ€, conta ela que já conseguiu um novo trabalho e tenta regularizar a situação. “Se fosse hoje, contrataria sim. De agora em diante vou me prevenirâ€, afirma.

Diretamente relacionado ao consumo, o seguro prestamista cresceu principalmente graças às vendas do varejo. “As lojas de varejo oferecem esse seguro principalmente na venda de os produtos da linha branca (eletrodomésticos) e eletrônicos da linha marrom (som, TV, etc)â€, diz Marcos Pummer, assessor técnico do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP).

Segundo ele, o seguro também é usado para arcar com mensalidades escolares e financiamentos. “No seguro educacional e no financiamento de imóveis, o maior motivo da contratação é o medo da morte. Já nas prestações do varejo e de carro, o temor é o desempregoâ€, afirma. Ele lembra que o preço depende do valor do bem adquirido, do número de parcelas e da renda do cliente. “De maneira geral, no seguro educacional fica entre 1% a 3% do valor total. No imóvel, no máximo 0,1%. Já no varejo, algumas empresas trabalham com valores fixos. No caso de imóveis, a contratação do seguro é obrigatório, mas também se encaixa na categoria prestamista.

Vladmir Freneda, diretor de Marketing da Seguradora Assurant, que oferece a proteção financeira de lojas como Pernambucanas, Marisa e da operadora TIM, diz que o preço seguro fica mais atraente para compras divididas em muitas parcelas. “Além de dar proteção por um futuro que pode ser incerto, o valor do seguro acaba tendo uma diluição num número maior de parcelas. Em geral, o seguro começa a ser atrativo a partir de financiamentos superiores a três parcelas. Antes disso, o custo não é tão atrativoâ€, diz.

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Trabalhador custa quase 3 vezes o salário

Categoria: Agenda, Análise, emprego, Trabalho

Francisco Carlos de Assis

O custo do trabalhador, em média, pode chegar a 2,83 vezes – ou 183% – o salário que ele recebe da empresa, no caso de vínculo de 12 meses de duração de um contrato de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A informação é do Centro de Microeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Se um trabalhador tem salário mensal bruto R$ 730, o custo dele é de R$ 2.067,44 para a empresa. Isto, segundo o estudo, não deriva apenas de encargos, mas de um conjunto de obrigações acessórias, benefícios negociados, burocracia e gestão do trabalho.

No total, a pesquisa contemplou 34 componentes, entre eles o 13º salário, adicional de férias, vale-transporte, INSS do empregador, administração de pessoal, licença maternidade e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Estes itens não exaurem todos os custos porque há nas planilhas das empresas outros custos indiretos que não foram contemplados na pesquisaâ€, disse o professor da FGV, André Portela. “O trabalhador que é doente, por exemplo. Por faltar mais, ele custa mais para a empresa.â€

A pesquisa usou como objeto de estudo, segundo seus organizadores, duas empresas do setor têxtil, uma de Santa Catarina e outra de São Paulo. A FGV e a CNI acreditam que a metodologia pode ser aproveitada em outras empresas de outros setores. O custo do trabalhador pode cair para 2,55 vezes o salário – ou 155% – se o vínculo se estender para cinco anos. No mesmo exemplo, um trabalhador que recebe R$ 730 mensais representa um custo de R$ 1.858,89. Esse valor cai devido a fatores como aviso prévio indenizado, multa do FGTS e investimentos em treinamento e formação específicos. Isso ocorre porque, segundo a pesquisa, no prazo mais longo o empresário tem mais tempo para diluir vários custos.

Ainda segundo o estudo, o que vai para o bolso do trabalhador direta ou indiretamente equivale a 60% do total de custos que o empregador tem para contratar e manter um funcionário no Brasil.

Google invade vida privada com Street View

Categoria: Internet, Tecnologia

David Streitfeld e Kevin J. O’Brien
THE NEW YORK TIMES

Após meses de negociação, Johannes Caspar, funcionário do governo alemão encarregado da proteção à privacidade, obrigou o Google a mostrar detalhes das informações que os carros do Street View vinham coletado a respeito da vida privada de milhões de cidadãos.

Trechos de e-mails, fotografias, senhas, mensagens de programas de bate-papo, textos postados em sites e redes sociais – todo tipo de comunicação privada – foram casualmente apanhados enquanto os carros especialmente equipados fotografavam as ruas do mundo.

“Foi uma das maiores violações das leis de proteção de dados que já vimosâ€, disse Caspar sobre as informações pelas quais ele teve de lutar desde o fim de 2010. “Ficamos furiosos.†O Google pode ser uma das empresas mais prósperas e inovadoras do mundo, mas também irrita muita gente: os concorrentes, que se queixam de práticas desleais; representantes de governos, que acusam a empresa de ignorar leis locais; defensores da privacidade, segundo os quais a empresa tira informações demais de seus usuários.

Nesta semana, reguladores europeus que combatem a formação de cartéis deram à empresa um ultimato, dizendo-lhe para mudar seu ramo de buscas se quiser evitar consequências. Os reguladores americanos podem estar perto de fazer o mesmo.
A importante ofensiva contra a formação de cartéis, que deve ocorrer a portas fechadas em Bruxelas, pode marcar o início de um período difícil para o Google. Nos Estados Unidos, um caso parecido nos anos 90 marcou o início da decadência da Microsoft, a empresa de tecnologia mais temida da época.

Mas ninguém deve contar com a derrocada do Google. A empresa demonstra incrível habilidade para escapar de problemas. Basta perguntar a quem tenta responsabilizar o Google por aquilo que o ministro australiano das comunicações, Stephen Conroy, descreveu como “o maior caso de invasão de toda a história da privacidadeâ€.

A coleta secreta de dados feita pelos carros do Street View levou à abertura de inquéritos em pelo menos 12 países, sendo quatro inquéritos nos EUA. Mas o Google ainda não apresentou uma explicação completa dos seus motivos para coletar tais informações nem identificou os funcionários que sabiam da operação. Nenhuma autoridade americana teve acesso às informações de cidadãos americanos coletadas.

A história de como o Google escapou de uma prestação de contas completa em relação ao Street View ilustra não apenas a maneira com a qual as empresas de tecnologia evitam as autoridades, mas também seu complicado relacionamento com os consumidores. Google, Amazon, Facebook e Apple oferecem novas formas de comunicação, aprendizado e entretenimento. Elas têm sob sua custódia material sobre centenas de milhões de vidas – incluindo e-mails, fotografias reveladoras e buscas por ajuda.

Troca. Essa informação é cedida pelas pessoas. Mas há um preço: perde-se o controle, e até o conhecimento, do destino de dados pessoais e de como elas são combinadas numa identidade online que pode ou não se assemelhar à pessoa real da qual é derivada. As regras que defendem a privacidade e proíbem escutas ilegais não servem como referência, pois não acompanharam o avanço tecnológico.

Michael Copps, que concluiu no ano passado dez anos de trabalho como comissário da Comissão Federal das Comunicações (FCC), disse que os reguladores estavam sobrecarregados. “A indústria se tornou mais poderosa, a tecnologia se tornou mais presente, e a situação chegou a um ponto em que não há muito a fazer.â€

Embora viva de informação, o Google revela pouco a respeito do seu funcionamento interno, como revela o episódio do Street View. Quando as autoridades alemãs obrigaram a empresa a admitir que seus carros estavam copiando dados não protegidos a partir das redes Wi-Fi, a empresa pôs a culpa num erro de programação. E disse que não tinha intenção de usar a informação em produtos do Google.

A FCC não partilha esse ponto de vista, e disse, no mês passado, que a intenção da captação de informações era justamente “o possível uso em outros produtosâ€. Disse também que o engenheiro compartilhou o código com outros membros da equipe do Street View. Para a FCC, a coleta de dados não foi acidental.
Embora a FCC não tenha identificado infrações à lei americana, a investigação foi considerada inconclusiva, pois o engenheiro responsável citou a Quinta Emenda da Constituição, defendendo-se da produção de provas contra si mesmo. O Google foi multado em US$ 25 mil por obstrução à Justiça. O Google não quis dar declarações sobre o tema. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Projeto prevê acordo coletivo por empresa

Categoria: Agenda, Análise, emprego, Trabalho

DENISE MADUEÑO

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e os líderes partidários estão articulando a votação de projeto que dá poderes aos sindicatos de trabalhadores de fechar acordos coletivos com as empresas, passando por cima das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O projeto flexibiliza a relação entre patrão e empregado regida atualmente pela CLT, com a criação da figura jurídica do Acordo Coletivo de Trabalho com o Propósito Específico, chamado também de Acordo Coletivo Especial (ACE). O anteprojeto foi discutido em reunião de Maia com os líderes na segunda-feira.
O projeto altera a forma de negociação do acordo coletivo. Enquanto a CLT prevê acordos entre sindicatos de categorias econômicas, o ACE estabelece a possibilidade de o acordo ser fechado entre um único sindicato profissional e uma empresa do correspondente setor econômico.

“O propósito do acordo está ligado às condições específicas da empresa e não às relações de trabalho de um setor econômicoâ€, explica a cartilha do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e autor do anteprojeto de lei.

A proposta foi apresentada pelo presidente do sindicato do ABC, Sérgio Nobre, aos líderes, na reunião com Marco Maia. Na cartilha distribuída aos deputados, Nobre afirma que a CLT se tornou uma “faca de dois gumesâ€. Ao mesmo tempo em que foi um passo importante para proteger direitos individuais dos trabalhadores, limitou os direitos coletivos, tolheu a liberdade sindical e restringiu o campo das negociações coletivas.

Marco Maia, cuja carreira tem origem sindical, considerou a proposta “um avanço na legislação trabalhista brasileiraâ€. Deputados ligados ao setor empresarial apoiaram a iniciativa e consideraram que o projeto diminui a pressão pela votação da proposta de emenda constitucional que fixa em 40 horas semanais a carga horária do trabalhador, favorecendo os acordos locais.

O líder do PDT, André Figueiredo (CE), disse não se opor ao projeto, desde que ele não retire direitos dos trabalhadores, e enfatizou a necessidade de a Câmara impedir a precarização trabalhista. Já o líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), afirmou que a Câmara deve ter cuidado para não aniquilar o poder dos pequenos e médios sindicatos nas negociações. Ele entende que a proposta dá força aos grandes sindicatos.

“Nós não podemos contribuir para que se consolide uma casta sindical tanto de trabalhadores, quanto de empregadoresâ€, disse o líder tucano. Bruno Araújo afirmou que, nessa discussão, o princípio do partido será o de resguardar os direitos dos trabalhadores.

Araújo lembrou que, no passado, o presidente Fernando Henrique Cardoso tentou iniciar uma flexibilização das leis trabalhistas, mas foi altamente combatido pelo PT. Na época, parlamentares do PSDB sofreram “ataques virulentosâ€, relembrou o líder, com exposição de fotos em outdoor nas praças públicas e tachados de traidores do trabalhador, o que resultou em derrotas eleitorais. O líder tucano afirmou, no entanto, que o partido não tratará essa questão com revanchismo. “Muito do que se está propondo, se tentou consolidar há dez anos. Perdeu-se muito tempo na tentativa de desburocratizar as ações trabalhistas.â€

Condomínio: menos ações por calote

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Imóveis, Indicadores

FLAVIA ALEMI

O número de ações na Justiça por falta de pagamento da taxa de condomínio caiu 55% em abril ante março. Na comparação com abril do ano passado, a queda foi de 31%. Os dados foram divulgados ontem pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Segundo o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi, Hubert Gebara, a queda vem ocorrendo ano a ano desde que a Lei Estadual 13.160/2008, a qual permite que o nome do devedor vá a protesto, ou seja, fique sujo nos órgãos de proteção ao crédito, entrou em vigor. Daí a busca por acordos para quitar as pendências. “A possibilidade do protesto fez com que muita gente se preocupasse mais em pagar as dívidas condominiais.â€

O protesto do nome do morador, de acordo com Rubens Carmo Elias Filho, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), é um recurso usado só em última instância, pois “os síndicos não têm interesse em brigar com o condômino.†Por ser um processo que leva de cinco a dez anos na Justiça, condomínio e morador preferem entrar num acordo amigável.

“Em casos extremos, como dívida atrasada há mais de cinco anos, o morador pode sair do imóvel e instituir usufruto dele por terceiros para pagar a dívidaâ€, explica. O valor do aluguel vai para o condomínio.
Elias Filho acredita ainda que restrições a que são submetidos os condôminos, como proibição do uso da área comum, também são um estímulo para os inadimplentes quitarem seus débitos. “É comum em muitos condomínios constar essa prática na convenção. Mas se essa cláusula não está na convenção, o acesso do morador às áreas comuns não pode ser vetadoâ€, ressalta. A medida, mesmo constando no regulamento interno, não vale para serviços essenciais, como elevador, estacionamento, entre outros.

A queda do índice registrado em abril também pode ser creditada ao grande número de ações protocoladas entre dezembro e janeiro, diz Gebara. “Houve uma certa retenção das execuções de ação de cobrança referentes a dezembro e janeiro que acabaram afetando os índices de fevereiro e marçoâ€, afirma. Segundo ele, o índice sofre uma normalização em abril em virtude da estabilidade financeira dos consumidores após a quitação das contas de final de ano.