País tem de criar 1,5 milhão de vagas ao ano
- 9 de novembro de 2010 |
- 10h33 |
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Categoria: Agenda, Análise, Trabalho
Jamil Chade
A economia brasileira terá de criar a cada ano pelo menos 1,5 milhão de empregos extras até 2020 apenas para absorver a mão de obra que se tornará população economicamente ativa do País. Os dados foram publicados ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em um documento enviado aos líderes do G-20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo.
A entidade insiste que o grupo não pode tomar decisões sem pensar em solucionar a crise do emprego. Mas aponta o Brasil como o segundo país que mais reduziu o desemprego desde o auge da crise, no início de 2009.
No total, os países do G-20 terão de criar 21 milhões de postos de trabalho por ano para frear o desemprego em suas economias até 2020. Se todas as 192 economias forem consideradas, o mundo terá de criar 440 milhões de empregos em dez anos, tarefa que a OIT admite ser o maior desafio da década para os políticos.
O maior número de empregos terá de surgir na Índia, quase 10 milhões por ano. Mas o Brasil está na quarta colocação entre os que terão o maior desafio, já que ainda conta com uma população jovem que, nos próximos anos, passará a buscar trabalho. Segundo a OIT, até 2020 o Brasil precisará criar 15 milhões de vagas extras na economia para absorver a população que passará a ter idade para trabalhar. Na China, terão de ser criados 2,3 milhões de empregos por ano até 2020. Nos Estados Unidos, a projeção é de que o número extra será de 1,1 milhão por ano.
A entidade aponta ainda que, nos próximos cinco anos, os mercados emergentes vão criar o maior número de vagas. A estimativa é de que os níveis de emprego nessas economias cheguem a 2015 com uma taxa 8% acima dos níveis pré-crise.
Já nos países ricos a constatação é de que a criação de postos de trabalho não voltará às taxas pré-crise nem em 2015. A recessão acabou afetando Europa, Japão e Estados Unidos de forma mais dura, elevando a taxa de desemprego a níveis recordes. O que mais assusta a OIT é que esse problema “vai continuar crescendo” nos países ricos nos próximos anos.
Nos países ricos, o nível do desemprego está 70% acima dos números anteriores à crise. Na Europa, a taxa está 30% maior. No total, o G-20 tem 70 milhões de desempregados, e 32 milhões estão nos emergentes. O levantamento também conclui que os empregos que mais sofreram eram do setor industrial.
Brasil
Segundo a OIT, o Brasil foi o segundo país entre as 20 economias que mais reduziram o desemprego desde a crise econômica. Entre o auge da recessão e meados de 2010, o Brasil reduziu o desemprego em 1,3 ponto porcentual. Só a Turquia conseguiu avanço maior, com redução de 2,1 pontos.
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