Mão de obra deixa o preço da reforma mais alto
- 15 de fevereiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Casa própria, Construção, Indicadores, Trabalho
SUZANE G. FRUTUOSO
O preço da mão de obra tem aumentado os custos para quem vai reformar ou construir. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve um aumento atípico para janeiro, mês em que a tendência dos preços do setor é estarem mais em conta. O grupo ‘Reparos’, que abrange valores de materiais e do serviço, subiu 1,2% na Região Metropolitana de São Paulo, duas vezes a inflação geral, que foi de 0,53% (veja gráfico ao lado).
O material de construção, em sua maioria, teve deflação de 0,13% ante o mesmo período do ano passado, diz Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).
“A pressão é por causa da mão de obra que está mais cara. Um dos motivos é o aumento da carga tributária. Há um processo de formalização das atividades dos profissionais, que passaram a dar nota fiscal, ter contador. Esse gasto é repassado na hora de cobrar pelo serviço”, diz.
Também foi registrado um aumento de quase 10% nos salários dos trabalhadores da construção civil em 2011. “Felizmente. Porque sempre foi um trabalho mal pago”, diz Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP). Ele afirma que, mesmo com a melhora, 69% dos profissionais ainda não têm registro em carteira. Mas concorda que foram os salários mais justos que impactaram no índice de janeiro. “A demanda ainda é grande nos 38 mil condomínios da Região Metropolitana, onde trabalham 155 mil pessoas entre gesseiros, pedreiros, azulejistas, além de outras funções. E o serviço deve encarecer, sim. Pouco, mas vai”, diz Ramalho. A explicação para essa futura alta é a concorrência.
Há previsão de nos próximos meses desembarcarem no Brasil profissionais especializados de países em crise econômica, como Portugal e Espanha.
O gerente de empresas William Cintra, 25 anos, está há quatro meses lidando com a obra do apartamento onde vai morar depois de casar. “Mesmo pesquisando já gastei 20% a mais do que o esperado. E olha que sou organizado, calculo tudo.”
No caso do engenheiro de suporte Leandro Laurenti, 36 anos, não deu tempo de pesquisar muito para a compra do material do novo apartamento em que vai viver com a mulher. “Fomos apenas a duas lojas, mas pegamos promoções. Caro mesmo foi a mão de obra.”
Para o professor de finanças Fabio Gallo, da PUC-SP e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os valores tanto da mão de obra quanto do material devem registrar alta nos próximos meses. “Os preços, porém, não têm estrutura para subirem demais. Não será algo substancial.”
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