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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Mais pressão sobre a inflação

Categoria: Indicadores

LUCIELE VELLUTO

Os alimentos já não são mais os vilões da alta da inflação na cidade de São Paulo. Mês passado, os grupos Transporte — mais especificamente os combustíveis — e Saúde passaram a figurar como os itens que mais exerceram pressão sobre o Índice de Custo de Vida (ICV), medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O ICV registrou alta de 0,80%, 11 pontos porcentuais a menos em abril do que o apresentado no mês anterior. Caso não fossem contabilizados os grupos Transportes e Saúde na composição do índice, essa alta teria sido muito menor, dizem especialistas.

“Se tirar o peso dos combustíveis e dos medicamentos, a inflação seria de 0,15% no mês, pois os alimentos já não pressionam mais o índice como no início do ano”, conta a economista responsável pelo ICV, Cornélia Nogueira Porto, ao analisar o peso desses dois itens sobre o levantamento de preços referente a abril.

O grupo Transporte subiu 3,33%, resultado direto da alta dos combustíveis. O etanol ficou 12,07% mais caro no mês passado e a gasolina, 6,66%.

“A diferença em relação a março é que dessa vez a gasolina disparou. Creio que essa alta ocorra por causa do crescimento da demanda do produto, pois para quem tem carro flex está valendo mais a pena abastecer com o derivado de petróleo do que com o de cana-de-açúcar”, analisa Cornélia.

O grupo Alimentos, que entre o final de 2010 e o início deste ano pressionava a inflação, já não aparece mais como o que teve o maior aumento. Em abril, o preço da alimentação teve alta de 0,26%, puxada pelos produtos in natura, que estão em período de entressafra, como a batata (alta de 24,27%) e a cebola (11,67%), por exemplo.

Para a economista do Dieese, esse grupo tende a se regular, pois a safra deve se normalizar nos próximos dias. Além disso, acrescenta Cornélia, alguns produtos que estavam caros têm registrado quedas, como é o caso do frango (-1,24%). Em relação à alimentação, o que tem apresentado alta é a refeição fora de casa, com encarecimento de 0,64% no mês.

Saúde — com alta de 1,05% em abril — foi outro grupo que compõe o ICV a pressionar a alta da inflação na capital. Essa elevação é reflexo do reajuste dos preços dos medicamentos (4,37%).

Acumulado
Na análise de preços feita pelo Dieese nos últimos 12 meses na cidade de São Paulo — entre maio de 2010 e abril de 2011 — o ICV registra aumento de 7,33%. Os grupos que mais subiram nesse período são de Transporte (11,55%), Alimentos (9,55%) e de Despesas Pessoais (7,23%).

Mas a previsão do economistas é que esse acumulado não cresça tanto como ocorreu no início deste ano. “Não teremos mais tantas pressões, como ocorre com os combustíveis. Já estamos entrando na safra de cana-de-açúcar e o preço do etanol deve começar a cair”, analisa Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios.

“Não vejo queda de preços para a gasolina, pois o petróleo está valorizado no mercado internacional”, completa o professor.

Para a responsável pelo ICV, nada indica forte inflação em maio, porque não há nenhum produto que esteja com problemas de safra, escassez ou demanda além do verificado até agora que possa encarecer o item.

“E para os próximos meses, a inflação vai depender de quanto será o aumento de tarifas dos serviços que têm os preços administrados pelo governo, como na energia elétrica, água e pedágios, que têm correção nos meses de junho e julho”, comenta Cornélia.

Essas tarifas têm preços corrigidos pelos índice de inflação acumulado de 12 meses e, dependendo da alta concedida, pressionam a inflação anual. “Os preços dos serviços podem ter forte alta por uma carga de inflação herdada de 2010, e assim elevar a inflação de 2011”, diz Leite.

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