Mais caro, cigarro faz inflação subir
- 10 de maio de 2012 |
- 8h16 |
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Categoria: Consumo, Indicadores, Inflação
DANIELA AMORIM
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disparou na passagem de março para abril. A taxa triplicou, saindo de 0,21% para 0,64% no período, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cigarro, empregado doméstico e remédios foram os itens que mais pesaram no bolso: juntos responderam por quase 40% da inflação no mês.
Além disso, também contribuíram para o aumento do índice os gastos com o tradicional feijão com arroz e a farinha.
“No resultado de abril, nossa surpresa ficou por conta de fatores pontuais, como um reajuste ligeiramente acima do esperado em cigarros”, afirmou Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
O reajuste nos preços do cigarro confirmou a expectativa de maior impacto em abril, seguido por empregados domésticos e remédios. Juntos, somaram 0,24 ponto porcentual, o equivalente a 38% do IPCA. Se por um lado as pressões de cigarros e remédios foram pontuais, a dos empregados domésticos é persistente.
“O principal impacto nos serviços em abril foi de empregados domésticos, não apenas pelo aumento do salário mínimo mas também pela maior oferta de vagas no mercado de trabalho, que diminui o contingente de trabalhadores nessa área”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. A inflação de serviços acelerou de 0,52% em março para 0,76% em abril.
Os aumentos nos preços administrados ou monitorados também incomodaram, passando de 0,18% para 0,47%. Em maio, os reajustes das tarifas de energia elétrica e das taxas de água e esgoto e de táxi devem voltar a pressionar o IPCA.
“Os serviços monitorados, apesar de terem aumentado muito em abril, na taxa acumulada no ano e em 12 meses ainda estão abaixo do índice geral (IPCA). Isso significa que os serviços estão pressionando mais a inflação que os monitorados”, disse Eulina.
Dólar
No mês, houve impacto ainda da valorização do dólar sobre o óleo de soja e o alho, mas também sobre os artigos de limpeza, os primeiros itens a refletir a transmissão do câmbio para o consumidor. “Em geral, quando o dólar começa a chegar aos preços ao consumidor, um dos primeiros itens que revelam esse efeito são justamente os artigos de limpeza”, disse Eulina, citando o encarecimento do sabão em pó, detergente e desinfetante.
A valorização da moeda americana também já contaminou o preço das carnes no atacado, segundo o aumento detectado pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A alta deve ser repassada para o consumidor no IPCA de maio. “Em alguma hora esses aumentos vão chegar ao varejo, não tem jeito”, afirmou André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
A expectativa para a inflação de maio é de desaceleração, mas ainda no nível de 0,5%. “O IPCA de maio virá menor do que o de abril com a saída da pressão de cigarro e remédios, mas não vai recuar mais porque os alimentos vão continuar acelerando”, previu Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil.
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