Inflação em SP subiu 1,88% no ano
- 5 de março de 2011 |
- 7h38 |
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Categoria: Indicadores
LUCIELE VELLUTO
MARCOS BURGHI
No primeiro bimestre de 2011, a inflação na região metropolitana de São Paulo acumula alta de 1,88% de acordo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior taxa entre as regiões metropolitanas pesquisadas. Segundo analistas, a tendência para os próximos meses é de recuo dos preços e perda de fôlego da inflação.
Irene Machado, gerente de pesquisa do IBGE, explica que o excesso de chuvas na região metropolitana este ano levou à alta dos preços de alguns alimentos. A maior elevação foi registrada no preço da alface, que aumentou 44% no acumulado de janeiro e fevereiro.
Segundo ela, São Paulo é a campeã de preços altos entre as regiões metropolitanas principalmente por conta dos reajustes nos preços das passagens de ônibus, trem e metrô, que ocorreram este ano.
Na capital, o ônibus passou de R$ 2,70 para R$ 3 em janeiro, as tarifas de metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) subiram de R$ 2,65 para R$ 2,90 em fevereiro. “São itens que têm grande impacto no cálculo do índice porque afetam um grande número de pessoas”, afirma.
Irene lembra, ainda, que parte dos reajustes detectados na elaboração do IPCA de fevereiro é reflexo dos aumentos das mensalidades de cursos de ensino regular e especial (idiomas, informática). “A maioria dos aumentos aconteceu em janeiro, mas só apareceu no IPCA no mês seguinte”, afirma a gerente.
A culpada é a chuva
As principais altas individuais registradas na região estão nas frutas, legumes e verduras. José Sidnei Gonçalves, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola do Estado (IEA), diz que o excesso de chuvas fez com que o cultivo de alguns produtos fosse prejudicado. “As folhas, como alface e brócolis, sofreram mais”, diz.
Ele explica que algumas verduras são plantadas mais próximas do local de consumo porque não suportam longas viagens até o ponto de venda final. “Quanto mais próximo da capital, mais a verdura sofre com as águas”, observa. Gonçalves avalia que ao longo de março e nos meses seguintes, com a diminuição das chuvas, a produção deve ser regularizada, o que fará os preços voltarem aos patamares normais.
José Torres, presidente do Sindicato dos Feirantes do Estado, também atribui às chuvas na região serrana do Rio de Janeiro no início deste ano o aumento dos preços dos alimentos em São Paulo. “Alguns pontos de produção de lá foram prejudicados, o que aumentou a demanda entre os fornecedores de São Paulo”, diz. Ele explica que a oferta, que aqui já estava menor, ficou ainda mais prejudicada pela elevação da procura.
Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), acredita que a tendência da inflação em São Paulo e no País é desacelerar nos próximos meses. “Aumentos em educação e transportes são pontuais e não devem ocorrer mais ao longo do ano”, observa.
Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, observa que o aumento da inflação diminui o poder de compra dos consumidores. “Se houver aumento de renda talvez a perda seja compensada”, diz.
Segundo ele, as consequências da inflação alta seriam aumento dos juros e uma redução no ritmo da economia, o que levaria ao desemprego. “Apesar do perigo, as perspectivas não são essas”, diz. Leite avalia que nos próximos meses a inflação deverá ceder como resultado das medidas do governo, como corte de gastos e aumento dos juros básicos da economia.
Para a funcionária pública Cláudia Albuquerque, 45 anos, “tudo está subindo de preço atualmente”. “Antes eu gastava R$ 250 em produtos básicos na minha casa, que tem três pessoas, agora gasto quase R$ 400, diz.
Inês Botega Vicente, 47 anos, dona de casa, diz que notou maiores aumentos nos preços das hortaliças, frutas e carne. “Tenho procurado o mais barato”, afirma.
O aposentado Reginaldo Bueno dos Santos, 61 anos, percebeu aumento no preço da carne. “Está muito caro. Acabamos comprando outras coisas, mas não dá para deixar de comprar carne”, diz.
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