Inadimplência do consumidor cresce 11,5%
- 13 de setembro de 2010 |
- 17h46 |
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Categoria: Bancos, Consumo, Crédito, Empresas, Tecnologia
Carolina Dall’Olio
A derrota da Seleção Brasileira não foi o único saldo negativo que a Copa do Mundo deixou para os consumidores do País. Os torcedores ainda sentem o peso das dívidas adquiridas durante o Mundial – período em que a venda de eletroeletrônicos, em especial de TVs, bateu recorde no Brasil. Segundo a Serasa Experian, as compras da Copa são as principais responsáveis pelo aumento de 11,5% da inadimplência em agosto, em relação ao mesmo mês de 2009.
É o maior crescimento anual apurado desde 2005. “A oferta de crédito para o consumo já vinha crescendo no Brasil, o que significa que a renda do cidadão já estava parcialmente comprometida com as parcelas”, analisa Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian. “E quando veio a Copa, o consumidor atendeu os apelos de marketing das empresas, comprou eletroeletrônicos a prazo e esqueceu das dívidas anteriores.”
Agora, o brasileiro está com dificuldades para honrar seus compromissos. Os débitos que mais têm contribuído para aumentar a inadimplência são, segundo a Serasa, aqueles contraídos no cartão de crédito ou em empréstimos com financeiras — eles cresceram 5,9% em apenas um mês. “Bancos e lojistas estão muito dispostos a oferecer crédito ao consumidor, e ele por sua vez está otimista com a economia e propenso a comprar”, avalia Ricardo Rocha, economista do Insper.
Com empréstimos vindos de todos os lados, o resultado é um comprometimento excessivo da renda. Enquanto especialistas recomendam que no máximo 25% do salário do trabalhador seja destinado ao pagamento de financiamentos, hoje o Banco Central informa que o endividamento do consumidor já corresponde a 35% de sua renda. “O problema é o descontrole financeiro. As pessoas ficam só pensando no valor da parcela e esquecem que precisam de uma certa folga para poder honrar seus compromissos sem se atrapalhar”, diz Rocha.
Mas embora o crescimento da inadimplência em agosto seja expressivo, o consumidor deve sair dessa situação logo, logo. “Com o emprego em alta, mais brasileiros receberão o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda este ano. E a expectativa é que elas usem esse dinheiro para sanar suas dívidas”, afirma Almeida. Outra sugestão do economista para quem quer sair da inadimplência é trocar dívidas caras (como as de cartão de crédito e cheque especial) por outras mais baratas (como crédito consignado).
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