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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Inadimplência aumenta junto com a renda

Categoria: Bancos, comércio, Consumo, Indicadores

GISELE TAMAMAR

O brasileiro arrumou emprego, aumentou sua renda, mas não conseguiu controlar seus gastos em 2010. O resultado foi o aumento da inadimplência em 6,3% em relação ao ano anterior, segundo o Indicador Serasa Experian divulgado ontem. A alta foi superior aos 5,9% registrados em 2009, ano dos impactos da crise financeira.

A explicação para a elevação da inadimplência no ano passado, segundo os especialistas, está ligada ao momento econômico do País. Com o desemprego em queda e aumento do trabalho formal e da renda, o consumidor se sentiu mais confiante para contrair dívidas. Do outro lado, os bancos e financeiras registraram alongamento dos prazos e juros mais baixos, dois potenciais atrativos para o endividamento.

Para o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Samy Dana, o cenário de inadimplência evidencia um aspecto preocupante: os jovens não aprendem sobre finanças e economia na escola, o que forma uma população menos educada nesses assuntos e sem preparo financeiro para tomar as decisões do dia a dia. Aliado a esse cenário, alguns consumidores incorporam o cartão de crédito e o cheque especial aos seus salários, mas não se planejam.

Ao comprar um produto eles avaliam apenas se o valor da prestação cabe no bolso e são seduzidos pela condição de pagar em 12, 24 ou 36 vezes sem juros. “O consumidor perde a noção que chega a pagar até duas, três vezes o valor do bem enquanto pode negociar um desconto pelo pagamento à vista. Mesmo nessas divulgações de 12 vezes sem juros, as taxas estão embutidos no preço”, alerta o professor.

Em relação ao valor da dívida, três das quatro modalidades apresentaram alta na comparação entre 2009 e 2010. As dívidas não bancárias, aquelas feitas em financeiras e no cartão de crédito, registraram um valor médio de R$ 390,24. O valor dos títulos protestados aumentou 6,8% para R$ 1.183,09. Já o do cheque sem fundo cresceu 22,9% para R$ 1.254,44. Apenas o valor médio das dívidas com bancos caiu 3% para R$ 1.311,97.

Juros

Na avaliação do professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão, o aumento da inadimplência mostra que muitos consumidores estão comprometendo sua renda só com o pagamento de juros. Essa situação combinada com endividamento no longo prazo feito para compra de carro, casa, eletroeletrônicos e até pacotes de viagens caminha para uma diminuição da capacidade de consumo das famílias a médio prazo, mais especificamente, seis meses. “A responsabilidade das finanças pessoais é de cada um. Só a própria pessoa sabe dos seus gastos e a solução desse problema depende dela própria.”

A dica do professor da FGV é trocar uma dívida mais cara por uma mais barata quando possível. Por exemplo, uma pessoa tem uma dívida no cheque especial, cuja taxa de juros média é de 170% ao ano. Ela pode ir ao banco e negociar um empréstimo pessoal, com taxa de 42% ao ano.

É importante verificar prazos e valores que se enquadrem na renda. Samy Dana acrescenta mais três dicas: não compre nada a prazo enquanto estiver no vermelho, não incorpore o cartão de crédito e cheque na sua renda e não comprometa mais de 30% da sua renda com dívidas.

Na comparação por mês, dezembro registrou uma ligeira elevação em comparação a novembro: 1,1%. As compras de Natal devem refletir no indicador nos próximos meses. Para 2011, a perspectiva é que a inadimplência caia um pouco, segundo o assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. Isso porque o crescimento do País deve ser menor este ano, na casa dos 5%. “O Banco Central já começou tomar as medidas para conter o consumo”, diz Almeida.

5 Comentários Comente também
  • 11/01/2011 - 23:54
    Enviado por: Tweets that mention Jornal da Tarde -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by jornal da tarde (JT). jornal da tarde (JT) said: RT @SeuBolso_JT: : Inadimplência aumenta junto com a renda http://bit.ly/ea9ys1 [...]

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  • 12/01/2011 - 04:31
    Enviado por: aluisio de oliveira braga

    Não é fácil. A pessoa tem que ser ela mesma. Ela deve procurar comprar alguma coisa por necessidade e não, por desejo. Não importar-se com o que seu vizinho, amigo, parente, colega de trabalho, tem.Controlando-se terá uma vida bem melhor, com os credores bem distantes.Viva bem, não devendo para ninguém!

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  • 12/01/2011 - 10:29
    Enviado por: Ademar J. Domingues

    Ńesta questão é preciso muita cautela, para não comprar por
    impulso e se endividar, que é um mal negócio. O que mais vale
    é a razão, não a emoção. Afinal, dinheiro não dá em árvore e
    ninguém pode gastar mais do que arrecada, independente de ter
    renda alta ou baixa.

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  • 12/01/2011 - 12:31
    Enviado por: Virgìlio Melhado Passoni

    Mesmo que á pessoa não ganha um salário elevado,se faz necessário saber gastar. existem pessoas que ganham muito dinheiro, mas infelizmente vivem individados.À matemática é muito simples;Se colacarmos R$1 mil na cadernêta de poupança irá te um rendimento aproximado de 0,59 % só que se essa mesma quantia estiver devedora no cartão de crédito os juros será aproximadamente 10 %. Com esse cálculo, é muito facil saber por que muita gente não consegue sair das dívidas. E o que é pior, o peso nas costa continuará para sempre se gastar mais que aquilo que se ganha.

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  • 12/01/2011 - 17:15
    Enviado por: gilberto

    O HOMEM É MEGALOMANIACO POR NATUREZA , JÁ VEM NO SANGUE . SÃO MUITO POUCOS OS QUE CONSEGUEM SOBREVIVER A PRESSÃO DE GASTAR, COMPRAR, BEBER CONSUMIR, PASSAR O DIA NO SHOPPING. O CONCEITO DE SHOPPING ALIÁS VAI IMPLODIR O SER HUMANO EM BREVE DO MESMO JEITO QUE ESTÁ DETONANDO AS FINANÇAS DA JUVENTUDE .

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