Governo já estuda medidas para o câmbio
- 20 de janeiro de 2012 |
- 14h41 |
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Categoria: Dólar, Indicadores, Investimentos
LU AIKO OTTA
EDNA SIMÃO
O governo monitora dois movimentos que contribuíram para a desvalorização do dólar neste início de ano. A forte entrada de recursos para aplicação na Bolsa de Valores e a atuação dos exportadores forçaram a queda da cotação da moeda americana e levaram a equipe econômica a avaliar a adoção de medidas para conter uma possível onda de valorização do real.
Segundo dados da BM&F Bovespa, os investidores estrangeiros compraram R$ 2,7 bilhões em ações a mais do que foi vendido este mês até agora. O volume supera em muito o saldo líquido de R$ 400 milhões registrado no início de 2011, ano em que esse saldo foi negativo durante sete meses. “O investidor externo está voltando, por isso a Bolsa está subindo”, disse um técnico.
Outra razão detectada pela equipe econômica para a apreciação do real é o movimento dos exportadores. Por lei, eles podem deixar parte dos dólares que obtêm com a venda de seus produtos no exterior.
Normalmente, esses empresários aguardam um momento de cotação alta do dólar para ingressar com o recurso. De fato, os dados do Banco Central sobre o fluxo cambial mostram que nas duas primeiras semanas de janeiro ingressaram no País US$ 3 bilhões pela via comercial. No mesmo período, saíram US$ 41 milhões pela via financeira, que não envolve só a Bolsa, mas outras aplicações.
Apesar de haver redobrado a atenção, a avaliação da equipe econômica é que não há um movimento especulativo, por isso, não seria necessário adotar medidas para conter a desvalorização do dólar neste momento. A ordem é manter o monitoramento sobre o mercado. “O Ministério da Fazenda olha o câmbio todo dia, o Banco Central a cada minuto”, disse um técnico. “Essa é uma preocupação permanente nossa.” Ainda assim, o simples alerta do governo causou efeito ontem no mercado. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 1,7670, alta de 0,11%, interrompendo três sessões consecutivas de queda.
Venda
O dólar estaria em queda também porque os bancos estariam vendendo moeda estrangeira. Em dezembro, dado mais atual disponível, o montante nessa posição era de US$ 1,6 bilhão. Em setembro, outubro e novembro, porém, eles estavam na ponta oposta.
Para o economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, esse movimento pode ser o mesmo verificado nos exportadores: eles estariam aproveitando a melhora na cotação.
“Medidas sempre podem ser tomadas, mas o espaço que o governo tem para agir sem criar problemas em outras áreas é pequeno”, avaliou. “Não é necessário adotar nenhuma agora”, acrescentou o economista, que estima uma taxa de câmbio de R$ 1,70 ao fim do ano.
A possibilidade de adotar novas medidas para estimular o crescimento da economia, como a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), também está no radar do Palácio do Planalto. A equipe econômica, entretanto, avalia que é cedo para falar disso.
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