Governo decide adiar medidas cambiais
- 16 de março de 2011 |
- 17h17 |
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Categoria: Dólar, Investimentos
Renata Veríssimo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo está acompanhando a evolução do mercado para avaliar a necessidade de adoção de medidas cambiais. A situação extremamente delicada no Japão, a visita oficial ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, além da crise em países do norte da África com a situação indefinida na Líbia, recomendam o adiamento do anúncio das medidas.
Mantega foi extremamente cauteloso ao comentar a situação do Japão, ao afirmar que se desconhece o alcance da crise japonesa. “ Estamos acompanhando para ver qual é sua extensão. Estamos torcendo para que o governo japonês consiga controlar a situação”, disse. Ele considera que, por enquanto, é normal que os mercados fiquem um pouco nervosos e voláteis, mas insiste que é “preciso aguardar uns dias para que esta situação se acomode”, inclusive para se ter um quadro mais claro sobre eventuais impactos no Brasil.
Ao ser questionado se as medidas seriam anunciadas esta semana, Mantega respondeu: “Estamos acompanhando a evolução do mercado.” O adiamento, no entanto, também é motivado pelo fato de que as propostas ainda não estavam no estágio final de aprovação. “Não estava tudo 100% acertado”, admitiu uma fonte. O detalhe não superado é que não se trata, apenas, do anúncio de medidas para conter a valorização do real, mas da prática de uma nova dinâmica na política cambial. Pela manhã, Mantega havia afirmado que a crise gerada pelo terremoto que assolou o Japão na última sexta-feira não teria nenhuma relação com o adiamento do anúncio das medidas.
Medidas
Os estudos incluem a possibilidade de aumento da alíquota do IOF no ingresso de capitais e até mesmo a imposição de um tipo de quarentena para dificultar a saída do capital do país. Apesar de trabalhar com o arcabouço jurídico para impor uma quarentena, trata-se de uma medida de alto simbolismo no mercado internacional. O governo deve estar 100% disposto a enfrentar reações dos investidores.
Mantega, no momento, prefere focar na crise do Japão e afirma que ainda é prematuro para se avaliar a extensão da crise econômica e do drama humano no Japão. “Temos que deixar a situação se delinear com mais clareza”, disse. Segundo ele, é preciso saber qual a extensão do problema nuclear, para depois avaliar as condições econômicas e os supostos danos às exportações brasileiras. O ministro afirma que o Brasil está torcendo para que o governo japonês consiga superar esta situação.
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