Geração Z vive online e quer inovação
- 6 de agosto de 2011 |
- 22h40 |
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Categoria: Consumo, Internet, Tecnologia
LUCIELE VELLUTO
Na casa da família Araujo, tudo o que os garotos Pedro, de 16 anos, Heitor, de 10, e Renan, de 8, decidem comprar é pesquisado na internet, onde eles buscam informações em sites especializados, redes sociais e nas comunidades das quais participam. O preço é importante, a marca também, mas mais do que isso, o produto precisa ser bem avaliado na web por amigos ou outros consumidores que já tenham tido contato com aquela mercadoria.
“Eles já vêm com a opinião formada se aquilo presta ou não, se é legal ou não. O acesso à informação faz muita diferença para eles, o que não havia na minha geração”, avalia a pedagoga Edilene Araujo, de 43 anos, mãe dos três meninos, ao comparar as diferenças entre o consumidor da sua faixa etária, com a dos seus filhos e os hábitos de consumo construídos pelas duas gerações.

Na família Araujo, o pai Valter e a mãe Edilene ajudam os filhos a se tornarem consumidores conscientes (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
Pedro, Heitor e Renan fazem parte da chamada geração Z, que tem como marco o início da popularização da internet, ocorrida na metade dos anos 90 em diante.
“Eles são nativos digitais. É o público acostumado a zapear, fazer várias coisas ao mesmo tempo e se informar. Eles têm uma cabeça funcionado como um hiperlink, que os leva a várias informações, todas conectadas e de forma muito rápida. E por isso, prender a atenção de alguém dessa geração é um desafio”, explica Marcelo Sinelli, consultor de marketing e vendas do Serviço Apoio Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).
Para o micro e pequeno empreendedor, atingir esse público, que apesar de ser muito jovem já tem opinião própria e influencia as escolhas dos pais, não é tarefa fácil.
“O empresário vai ter de atender aos desejos dessa geração, que não quer ser conquistada, mas envolvida por um produto. Eles querem uma experiência e não só um produto”, diz Sinelli.
Mudam rápido
O diretor-presidente da empresa especializada em estudo de mercado GfK, Paulo Carramenha, explica que pelas características desses jovens, eles são consumidores que mudam de opinião muito rápido e são menos fiéis às marcas.
“O empreendedor vai ter de dar opções e ajudar esse consumidor a escolher o que quer. Tem de ser ágil no atendimento, não deve fazer esse público se sentir preso a um produto ou marca”, explica.
A personalização de produtos pode ser uma boa saída, tanto para oferecer inovação como exclusividade para esse segmento. “O que pode aproximá-lo da empresa ou do produto é a interação. Eles querem dar opinião, fazer parte da criação do produto”, afirma o presidente da GFK.
A coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM, Rose Mary Almeida Lopes, afirma que outra forma de atrair esse consumidor é sempre oferecer novidades. “Eles são ávidos pelo que é novo. A marca tem que agregar inovação. Pois como o tempo para eles passa mais rápido, tudo para esse público é passageiro, mais do que para outras gerações. Isso está muito ligado ao fato de eles terem nascido se relacionando com a tecnologia”, diz.
Internet
Um investimento que não pode deixar de ser feito pelo empreendedor é marcar presença na internet, com sites, blogs e redes sociais. Como esse consumidor gosta de interação, ele vai visitar a empresa virtualmente para conhecer mais o produto e saber o que a companhia faz. E, se gostar, ele vai indicar para os amigos.
Porém, há um detalhe sobre a geração Z constatado pelos especialistas e confirmado por Edilene no dia a dia com os filhos. Com tantas informações acessíveis, falta discernimento sobre o que é bom ou ruim.
“Eles ainda não têm esse critério. Por isso, o cuidado e a presença dos pais são fundamentais na construção da personalidade desses consumidores”, afirma a pedagoga.
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