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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014
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Formalização é o caminho para empresa existir

Categoria: Empreendedorismo

GISELE TAMAMAR

É burocrático, mas necessário. Formalizar uma empresa exige registro em órgãos federais, estaduais e municipais, além de envolver o pagamento de vários tributos. Porém, não faltam candidatos para enfrentar toda essa burocracia. O Sebrae-SP estima haver hoje 657 mil interessados em empreender, ou seja, com intenção de iniciar um negócio próprio no período de um ano regularizados. Para 2020, a projeção é que serão 787 mil novos candidatos.

O lado positivo da formalização é fazer a empresa existir no mercado e possibilitar seu crescimento. “Quem está na informalidade não cresce, não sai do lugar”, diz o consultor jurídico da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae-SP, Paulo Melchor. Além disso, o dono de um negócio informal não consegue fazer negócios com outras empresas e nem obtém crédito nos bancos.

Foi depois de perder uma grande venda que o proprietário da Mamuthi Acessórios, Wagner Fernandes Resende, de 39 anos, resolveu formalizar sua microempresa. No início, ele mesmo costurava os organizadores de bolsas e vendia os produtos. Os pedidos aumentaram e ele decidiu terceirizar a mão de obra. “As empresas começaram a pedir nota fiscal. Perdi uma venda de 12 mil itens porque não tinha firma aberta”, lamenta o empreendedor.

Depois da frustração, Resende foi se informar sobre a abertura de uma empresa e contratou um contador. “Em 30 dias já tinha a empresa aberta”, diz. Entre os benefícios, o principal deles foi conquistar credibilidade no mercado.

A recomendação dos especialistas é contratar um contador para ajudar na abertura da firma. Segundo Melchor, a contabilidade é obrigatória após a abertura, mas a sugestão é recorrer ao profissional desde o início para o empresário ganhar tempo e não se perder na burocracia.

O alerta vale para a hora da contratação do contador. “É importante ter uma indicação, escolher com cuidado e levantar informações como se faz com qualquer outro fornecedor”, explica o professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (ProCED/FIA), Antonio Paulo Lage Terassovich.

Um outro cuidado é com os boletos de cobrança que chegam para pagamento de associações, sindicatos e organizações. O empresário deve pedir orientação ao seu contador para saber o que realmente deve ser pago, já que as obrigações variam de acordo com o tipo de negócio.

Para quem tem planos de abrir uma empresa com sócios, Terassovich dá a dica: na hora de fazer o contrato social não é recomendado colocar uma cláusula que obriga todos os sócios assinarem os documentos. Isso porque qualquer coisa que dependa de autorização vai exigir a presença de todos os parceiros do negócio, o que pode causar transtornos em situações que precisam de agilidade.

Este ano, até março, a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) registrou 23.546 empresários individuais, 22.738 sociedades e 85.051 empreendedores individuais. O novo tipo jurídico, a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli), entrou em prática este ano e contabiliza 2.087 registros.