Estudar fora: planeje a volta antes mesmo de ir
- 26 de novembro de 2011 |
- 22h41 |
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Categoria: Carreira, educação, Trabalho
LUCIELE VELLUTO
Estudar fora é o sonho de muitos. Com a estabilidade econômica do País, cada vez mais brasileiros, inclusive a chamada nova classe média, têm tido a oportunidade de ir para o exterior com esse objetivo. Mas o retorno precisa ser bem planejado antes mesmo da viagem começar. Isso porque mostrar-se interessante para o mercado de trabalho é o maior desafio de quem volta ao Brasil após esse período.
Segundo a Associação Brasileira de Operadoras de Viagens Educacionais e Culturais (Belta), 167 mil pessoas viajaram para estudar fora do País em 2010, movimentando mais de US$ 1 bilhão. Para este ano, a previsão é de que 215 mil pessoas façam intercâmbio para estudos e o giro financeiro promovido por esse mercado chegue a US$ 1,5 bilhão.

A arquiteta Fernanda Mencaroni Duarte, foi estudar inglês em Londres, mas voltou em sete meses para não ficar de fora do mercado (Foto: HÉLVIO ROMERO/AE)
A nova classe média já é atendida pela maioria das agências de intercâmbio ligadas à associação, informa a Belta. Em 10% da empresas do setor, essa faixa de renda já responde por metade dos negócios.
Os dados não levam em consideração quem resolve ir por conta própria e procura cursos ou trabalho no país em que desembarca.
Mas viajar sem planejar o que o tempo fora irá acrescentar na vida profissional pode sair caro, além de não trazer retorno para a carreira. “Não é qualquer experiência que vale”, avalia William Bull, consultor sênior de capital humano do Instituto Pieron, consultoria especializada em gestão de talentos.
“A experiência pode ser boa para a vida da pessoa, mas não para concorrer a uma vaga no mercado de trabalho”, afirma Luiza Viana, gerente de produtos da Central de Intercâmbio (CI).
A presidente da Belta, Maura Leão, explica que o mercado de trabalho vai questionar a validade da experiência fora do País e não ter aproveitado o momento para o desenvolvimento profissional no exterior pode atrapalhar mais do que ajudar.
“Já entrevistei profissionais que ficaram dois anos em Londres, mas que nesse tempo não desenvolveram o inglês, por exemplo. A pessoa só trabalhou em cargos considerados subempregos e apenas fala o inglês informal, o que não vai ajudar no dia a dia do profissional”, conta Maura.
Para o diretor de negócios da consultoria de Recursos Humanos Mercer, Marcelo Ferrari, o não aproveitamento do intercâmbio pode até eliminar o profissional da disputa a uma vaga em que esse poderia ser o diferencial. “Quando ele voltar, a empresa vai questionar a experiência que ele teve e o que estudou. Se a pessoa não agregou nenhum conhecimento para a carreira, nem a fluência na língua do país em que morou, será eliminado”, explica.
Desenvolvimento
A recomendação dos especialistas é que os interessados em passar um período fora aproveitem o momento para se desenvolver profissionalmente. “É um experiência de vida, mas deve transformá-la em algo válido para a carreira, voltar um profissional melhor”, afirma o diretor da Mercer.
O melhor momento apontado pelos especialistas para fazer o intercâmbio é durante a faculdade ou logo após se formar, quando a pessoa ainda não tem uma carreira consolidada. Outra ocasião favorável é quando o profissional busca cursos como MBA e pós-graduação, que vão além da simples fluência da língua.
Mas a estada fora também tem prazo de validade. “Para quem é recém-formado, o máximo é um ano. Depois disso vai ficar mais difícil encontrar emprego, ainda mais para quem foi apenas estudar um idioma”, comenta Ferrari.
Na visão de Maura, o estudante deve sempre buscar mais do que apenas o aprimoramento em um idioma. “Vale a pena desenvolver uma habilidade que não tinha para a carreira escolhida. Cursos de especialização ou extensão, por exemplo, podem trazer esse diferencial. Por isso é importante planejar para fazer a diferença na hora de voltar e se manter competitivo no mercado”, diz.
Experiência
A arquiteta Fernanda Mencaroni Duarte, de 23 anos, resolveu ir para Londres no final de 2010, assim que se formou na faculdade. “Fui estudar inglês e queria ter essa experiência de morar em outro lugar”, conta. Mas a ansiedade de iniciar uma carreira e o receio de ficar deslocada no mercado de trabalho fez com que voltasse para o Brasil em sete meses.
“Queria ter ficado mais. Mas todos os meus colegas de faculdade já estavam trabalhando e como conheço pessoas que, ao voltarem, demoraram para conseguir emprego, resolvi retornar”, afirma jovem
A arquiteta começou a procurar emprego ainda em Londres. Nas primeiras duas semanas após o retorno ao Brasil já conseguiu uma colocação, resultado de uma entrevista que tinha sido agendada quando estava no exterior.
“O intercâmbio ajudou a conseguir o emprego, mas quero me estabelecer profissionalmente aqui. Quem sabe, no futuro, volto para lá para fazer uma pós”, diz Fernanda.
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