Emprego cresce rápido, menos na indústria
- 5 de junho de 2011 |
- 8h16 |
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Categoria: Agenda, Análise, Indicadores, Trabalho
Marcelo Rehder
O mercado de trabalho continua vigoroso, constituindo uma fonte de sustentação do consumo e dificultando a tarefa do Banco Central (BC) de reduzir as pressões de demanda sobre a inflação. Contudo, o emprego ainda anda de lado na indústria.
Quem está puxando as contratações são os setores de serviços, comércio e construção civil, que foram impulsionados pela ampliação da massa de rendimentos, sem sofrerem concorrência de importados, ao contrário do setor industrial.
Até o mês de abril, os serviços responderam por mais da metade dos 3,295 milhões de postos de trabalho com carteira assinada que foram abertos em todo o Brasil depois do impacto da crise mundial, em outubro de 2008.
Nesse período, a indústria abriu 376 mil vagas, contra 1,705 milhão de novos postos nos serviços, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.
No comércio, onde os produtos importados podem representar preços menores ou lucros maiores, a oferta de emprego superou a indústria em 158%. O setor abriu 971 mil vagas, enquanto a construção civil garantiu outros 425 mil empregos formais.
Os especialistas dizem que a indústria tende a ficar ainda mais para trás na criação de empregos Entre os segmentos do comércio que hoje mais oferecem vagas estão os supermercados. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, iniciou na semana passada seleção para preenchimento de mil vagas em diversas funções para lojas da rede só na capital paulista.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, os serviços e o comércio têm sido a plataforma segura do crescimento do emprego nos últimos anos, enquanto a indústria tem sido o fator volátil.
“Em anos bons, a indústria cresce muito e em anos ruins, cai bastante, como parece que será o caso agora”, diz o economista. “Para 2011, esperamos novamente isso, a indústria crescendo muito pouco e contribuindo menos para a geração de emprego.”
Competição
A produção não consegue competir em preços com os produtos importados, que ficam cada vez mais baratos graças à valorização do real em relação ao dólar. Assim, cresce o número de empresas que deixam de produzir aqui e passam a importar produtos acabados.
Por outro lado, muitos fabricantes se veem obrigados a ajustar a produção à nova realidade de mercado. Um exemplo claro disso é a Whirpool Latin American, dona das marcas Brastemp e Consul, uma das poucas empresas que ainda fabricam condicionadores de ar modelo split no País.
Nos últimos 30 dias, a Whirpool demitiu ao menos 290 funcionários de sua fábrica de fornos de micro-ondas, lava-louças e condicionadores de ar em Manaus.
“Esse foi o número de trabalhadores que tinha mais de um ano no emprego e cuja homologação foi feita no sindicato”, conta Valdemir Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.
A Whirpool informou, por meio de nota, que as demissões foram necessárias para adequar o volume de produção à demanda do mercado. Segundo a empresa, o aumento das importações de condicionadores de ar modelo split tem provocado a queda no volume de produção nacional. A empresa não divulgou o número das demissões em Manaus.
Além do avanço das importações, que transfere empregos da indústria para o comércio ou para fora do País, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, cita que as medidas do governo para restringir o crédito ao consumido começam a surtir efeito. “ A desaceleração está aí e pode piorar, até porque a gente não viu nem metade do que os chineses vão fazer aqui no Brasil.”
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