Efeito do crédito mais caro será pequeno
- 8 de abril de 2011 |
- 23h30 |
- Tweet este Post
CAROLINA DALL’OLIO
LUCIELE VELLUTO
O impacto do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos feitos por consumidores será pequeno nas parcelas dos financiamentos. A taxa passou de 1,5% ao ano para 3%, medida que foi anunciada na última quinta-feira pelo governo federal e entra em vigor a partir de hoje. Para a compra de um imóvel comercial de R$ 200 mil em 240 meses, por exemplo, esse aumento do tributo representará um acréscimo R$ 33,04 na prestação mensal.
“Ninguém vai deixar de financiar um imóvel por esse valor a mais. Quando a prestação cabe no bolso, o consumidor faz o empréstimo e, se precisar, alonga os prazos de pagamento”, explica o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira.
Outro exemplo é um automóvel no valor R$ 30 mil comprado em 60 meses. Com a alíquota mais cara de IOF, a prestação do financiamento ganhará R$ 12,32 a mais por mês.
“Na terra da taxa de juro anual de 150% para pessoa física, onde as pessoas não dão importância ao quanto pagam de juros, mas se importam apenas sobre o quanto elas podem pagar por mês, o mercado faz os cálculos e parece chegar à impressão de que o efeito não é muito amplo”, avaliam os analistas da corretora japonesa Nomura Securities, em relatório.
A nova alíquota do IOF incide sobre empréstimos pessoais, dívidas no cartão de crédito, cheque especial, além de financiamentos de bens e veículos.
Fica de fora a compra da casa própria — já os financiamentos de imóveis não residenciais, como salas comerciais, serão tributados pela alíquota de 3%. Outra modalidade de crédito que não será afetada é o leasing de veículos, já que nesta operação não é cobrado o IOF.
De fato, na ponta do lápis, a alíquota de 3% parece pesar pouco no bolso do consumidor. Por si só, esse aumento poderia ser insuficiente para esfriar o consumo e conter a inflação. Mas esta é só uma das várias medidas já tomadas pelo governo para ajustar a demanda à oferta, e assim equilibrar a economia.
E o Planalto se mostra disposto a agir novamente caso as medidas não tragam os resultados esperados. “O governo não titubeará em adotar medidas para ter a inflação sob controle”, reafirmou Guido Mantega, ministro da Fazenda, depois de participar ontem de evento em São Paulo.
Até o fim de março, as medidas adotadas pelo governo pareciam ter dado pouco resultado. Afinal, mesmo com juros mais altos, o consumidor não deixou de tomar empréstimos. Pesquisa da Serasa Experian mostra que a demanda por crédito cresceu 12,9% no primeiro trimestre de 2011 ante o mesmo período do ano passado.
E para driblar os juros altos, em vez de parar de contrair financiamentos, a alternativa foi esticar o prazo de pagamento. Dados do Banco Central mostram que, em fevereiro, o consumidor contraiu dívidas a serem quitadas em média em 563 dias. É o maior prazo registrado em 12 meses — em fevereiro do ano passado, o tempo médio era de 498 dias.
“Mas como os consumidores já estão muito endividados e a inflação vem corroendo parte da sua renda, a partir de agora o apetite por crédito tende a ser reduzido”, afirma Nicola Tingas, economista chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “E as medidas do governo devem colaborar nesse sentido.”
Alguns sinais já apontam nessa direção. A medida que proibiu o financiamento de veículo sem entrada começa a desacelerar o ritmo de produção das montadoras, informa a associação que representa o setor (Anfavea).
E no comércio varejista, as vendas já recuaram 5,17% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto a inadimplência aumentou 4,32%, informa a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
Acrefi, alíquota, alíquota do IOF, alíquota mais cara, analistas, anefac, Anfavea, Associação Nacional das Instituições de Crédito, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, aumento, automóvel, Banco Central, bolso do consumidor, Carolina Dall’Olio, cartão de crédito, cheque especial, CNDL, compra da casa própria, Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, consumidores, contrair financiamentos, corretora japonesa, economista, empréstimos, empréstimos pessoais, financiamentos, financiamentos de bens e veículos, financiamentos de imóveis, financiar, financiar um imóvel, governo federal, Guido Mantega, imóveis não residenciais, imóvel, imóvel comercial, impacto, Imposto sobre Operações Financeiras, IOF, leasing de veículos, Luciele Velluto, Miguel de Oliveira, ministro da Fazenda, modalidade de crédito, Nicola Tingas, Nomura Securities, salas comerciais, taxa de juro, tributo
- : Índice de Confiança da Indústria... http://t.co/RGpcmjbC 1 hr ago
- : Centrais de trabalho têm postos para todos os níveis http://t.co/UWN35Zfm 2 hrs ago
- : Socorro a banco agrava crise na Espanha http://t.co/sfTyu3Ny #seubolso #criseinternacional 5 hrs ago
- : Negociação mesmo sem proposta http://t.co/8ryWUqN6 11 hrs ago
- : Mais aumento de salário ... http://t.co/CDwUrfhL #seubolso #emprego 12 hrs ago
- More updates...
Posting tweet...
Powered by Twitter Tools


RSS
Deixe um comentário: