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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Efeito do crédito mais caro será pequeno

Categoria: Crédito, Impostos

CAROLINA DALL’OLIO
LUCIELE VELLUTO

O impacto do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos feitos por consumidores será pequeno nas parcelas dos financiamentos. A taxa passou de 1,5% ao ano para 3%, medida que foi anunciada na última quinta-feira pelo governo federal e entra em vigor a partir de hoje. Para a compra de um imóvel comercial de R$ 200 mil em 240 meses, por exemplo, esse aumento do tributo representará um acréscimo R$ 33,04 na prestação mensal.

“Ninguém vai deixar de financiar um imóvel por esse valor a mais. Quando a prestação cabe no bolso, o consumidor faz o empréstimo e, se precisar, alonga os prazos de pagamento”, explica o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira.

Outro exemplo é um automóvel no valor R$ 30 mil comprado em 60 meses. Com a alíquota mais cara de IOF, a prestação do financiamento ganhará R$ 12,32 a mais por mês.

“Na terra da taxa de juro anual de 150% para pessoa física, onde as pessoas não dão importância ao quanto pagam de juros, mas se importam apenas sobre o quanto elas podem pagar por mês, o mercado faz os cálculos e parece chegar à impressão de que o efeito não é muito amplo”, avaliam os analistas da corretora japonesa Nomura Securities, em relatório.

A nova alíquota do IOF incide sobre empréstimos pessoais, dívidas no cartão de crédito, cheque especial, além de financiamentos de bens e veículos.

Fica de fora a compra da casa própria — já os financiamentos de imóveis não residenciais, como salas comerciais, serão tributados pela alíquota de 3%. Outra modalidade de crédito que não será afetada é o leasing de veículos, já que nesta operação não é cobrado o IOF.

De fato, na ponta do lápis, a alíquota de 3% parece pesar pouco no bolso do consumidor. Por si só, esse aumento poderia ser insuficiente para esfriar o consumo e conter a inflação. Mas esta é só uma das várias medidas já tomadas pelo governo para ajustar a demanda à oferta, e assim equilibrar a economia.

E o Planalto se mostra disposto a agir novamente caso as medidas não tragam os resultados esperados. “O governo não titubeará em adotar medidas para ter a inflação sob controle”, reafirmou Guido Mantega, ministro da Fazenda, depois de participar ontem de evento em São Paulo.

Até o fim de março, as medidas adotadas pelo governo pareciam ter dado pouco resultado. Afinal, mesmo com juros mais altos, o consumidor não deixou de tomar empréstimos. Pesquisa da Serasa Experian mostra que a demanda por crédito cresceu 12,9% no primeiro trimestre de 2011 ante o mesmo período do ano passado.

E para driblar os juros altos, em vez de parar de contrair financiamentos, a alternativa foi esticar o prazo de pagamento. Dados do Banco Central mostram que, em fevereiro, o consumidor contraiu dívidas a serem quitadas em média em 563 dias. É o maior prazo registrado em 12 meses — em fevereiro do ano passado, o tempo médio era de 498 dias.

“Mas como os consumidores já estão muito endividados e a inflação vem corroendo parte da sua renda, a partir de agora o apetite por crédito tende a ser reduzido”, afirma Nicola Tingas, economista chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “E as medidas do governo devem colaborar nesse sentido.”

Alguns sinais já apontam nessa direção. A medida que proibiu o financiamento de veículo sem entrada começa a desacelerar o ritmo de produção das montadoras, informa a associação que representa o setor (Anfavea).

E no comércio varejista, as vendas já recuaram 5,17% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto a inadimplência aumentou 4,32%, informa a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

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