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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Economia coloca o pé no freio

Categoria: comércio, Consumo, Indicadores, Indústria

GISELE TAMAMAR

A economia brasileira ficou estagnada no terceiro trimestre em comparação com os três meses anteriores. A variação do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas do País, teve crescimento zero, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a população, a situação deve representar menor oferta de emprego, redução da renda, risco de inadimplência e, consequentemente, uma oferta mais seletiva de crédito.

O destaque do PIB foi a agropecuária, que cresceu 3,2%. Por outro lado, a desaceleração foi puxada pela indústria (-0,9%) e atingiu o consumo das famílias (-0,1%), que tem sustentado a economia do País nos últimos anos. A queda de 0,3% no setor de serviços surpreendeu porque tradicionalmente era esse setor que puxava o PIB.

O professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), André Roncaglia, aponta pelo menos duas causas para a estagnação econômica. A primeira inclui as medidas que o governo vinha tomando desde dezembro de 2010 para encarecer o consumo e conter a inflação, além da diminuição dos gastos da União.

O segundo ponto é o cenário internacional conturbado, que afeta a tomada de decisões dos empresários brasileiros. “O empresário vê o cenário lá fora, fica receoso e decide investir menos”, diz. Mas desde o segundo semestre, o governo tem reduzido a taxa básica de juros, a Selic, e anunciou medidas para incentivar o consumo, como o corte na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca.

“Estamos sentindo o efeito do que foi feito no início do ano. Em abril ou maio, devemos sentir os efeitos das medidas mais recentes. Isso significa que haverá um período de ajuste com a atividade econômica mais devagar”, explica Roncaglia.

Cautela
Por isso, nesse período, os especialistas pedem cautela. “O cenário mostra que a oferta de emprego vai sofrer forte redução. Se a economia já está desacelerando no terceiro trimestre, é esperado um quarto trimestre fraco e que as coisas sejam mais difíceis no primeiro trimestre de 2012 em relação ao emprego e o consumo deve cair”, diz Celso Grisi, economista da Fundação Instituto de Administração (FIA) e professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Após a queda da oferta de emprego e da renda, os especialistas esperam alta do calote em decorrência da redução das vagas de trabalho. “Portanto, os bancos devem ser mais seletivos com o crédito e não devem pensar em baixar as taxas de juros”, avalia Grisi. Diante desse cenário, o consumidor deve procurar pagar dívidas e planejar uma poupança como forma de proteção caso ocorra algum imprevisto.

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