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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Dólar volta a cair e já está no nível pré-crise

Categoria: Indicadores, Investimentos

O dólar voltou para o nível em que se encontrava antes do estouro da crise financeira mundial. A moeda norte-americana encerrou a quinta-feira valendo R$ 1,692, menor valor desde 3 de setembro de 2008, 12 dias antes da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, que desencadeou o desequilíbrio do sistema econômico internacional.

Nas últimas semanas, a pressão pela valorização do real veio de todos os lados: tendência global de desvalorização do dólar, capitalização da Petrobrás e emissões recordes de empresas brasileiras no exterior, entre outros fatores.

A situação preocupa o governo federal por causa do impacto negativo que o real mais forte provoca nas exportações brasileiras. Além de preparar medidas para tentar conter a tendência (que só devem ser anunciadas após o primeiro turno das eleições), autoridades têm reclamado da postura das nações desenvolvidas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, classificou o atual momento do mercado de câmbio global como uma “guerra”.

Ontem, foi a vez de o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, criticar os países desenvolvidos, que têm procurado manter suas moedas fracas para estimular as exportações e, com isso, alavancar o crescimento econômico. “Nós não podemos simplesmente permitir que as nossas economias sejam desequilibradas enquanto permitimos que outras economias sejam equilibradas”, afirmou, em Londres.

Ele referia-se a medidas de expansão monetária promovidas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que têm como efeito colateral a desvalorização do dólar em relação a outras moedas.

Nos bastidores, porém, integrantes de alto escalão do governo admitem que, na atual conjuntura, é impossível brecar a valorização do real. Só é factível amenizá-la. Em primeiro lugar, por causa do movimento dos investidores globais em busca de maior rentabilidade nos países que mais crescem hoje, justamente os emergentes.

Em segundo, porque o Brasil precisa financiar, nos próximos anos, pesados investimentos. Como não dispõe de recursos suficientes internos (porque nem o governo nem o setor privado têm poupança para tanto), precisa importar capital. Quando isso ocorre, um efeito colateral é a valorização do real. Foi o que aconteceu em setembro, antes, durante e depois da megacapitalização da Petrobrás, que trouxe para o País quase US$ 25 bilhões. (Leandro Modé, com Reuters)

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