Dólar sobe e chega perto de R$ 1,80
- 20 de setembro de 2011 |
- 0h40 |
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Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Dólar, Indicadores, Inflação
As tensões decorrentes da crise europeia chegaram com força ao mercado de câmbio aqui no Brasil. O dólar iniciou a semana com alta de 2,54%, valendo R$ 1,774, cotação mais alta desde 21 de julho de 2010.
Nos últimos 30 dias, o real apresenta a maior queda ante o dólar no ranking com as 16 principais moedas do mundo. Algo que, segundo analistas, indica que atitudes recentes do governo brasileiro também têm influenciado o humor dos investidores.
Esse levantamento revela que as perdas da moeda brasileira já alcançam 11,01% no período.
O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, há pelo menos duas razões adicionais para explicar o câmbio. A primeira delas foi a inesperada redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) no fim de agosto e a certeza de que novas baixas virão.
“Isso diminui o diferencial entre o juro brasileiro e o do resto do mundo”, afirmou. “Assim, cai também o apetite pelo carry-trade.” Rosa refere-se a um tipo de operação comum no mercado global, em que investidores tomam dinheiro emprestado em países com juro baixo e o aplicam em países com taxa elevada. Como o Brasil ostenta, há muito tempo, o título de campeão mundial do juro alto, naturalmente atrai recursos.
A outra razão diz respeito às próprias medidas do governo Dilma Rousseff para enfraquecer o real e, por tabela, favorecer as exportações. Um exemplo é a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para compras com cartão de crédito no exterior.
“Esse intervencionismo do governo no câmbio tem levado muitos investidores a mudar de posição (a apostar na valorização do dólar ante o real)”, disse Rosa. “É por isso que o real tem se desvalorizado tanto nas últimas semanas”, afirmou outro analista, que pediu para não ser identificado.
No curto prazo, ninguém afirma qual a tendência para o dólar no Brasil. A única certeza é que haverá muita volatilidade.
Impacto nos preços
A escalada do dólar deve ter forte impacto na inflação ao consumidor no último trimestre deste ano, tanto pelo lado das cotações dos alimentos e de outras matérias primas, como das cotações dos produtos manufaturados.
Se o câmbio médio deste mês girar em torno R$ 1,75, os preços das commodities (matérias-primas) terão alta de 9,5% em reais, com reflexos nos preços no atacado e no varejo. Pelo menos é o que calcula o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira. “Será uma forte pressão inflacionária sobre os IGPs e os IPCs”, diz o economista.
Para chegar a esse número, ele considera câmbio médio de R$ 1,75 neste mês e o comportamento do índice CRB (Commodity Research Bureau), que acompanha a cotação de 25 commodities, entre as quais estão alimentos, metais e petróleo.
Silveira não se arrisca a projetar o tamanho do repasse da alta dos preços das commodities para o IPCA, mas, segundo ele, “o impacto é inevitável”.
José Augusto de Castro, vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), observa que apesar de os importadores terem fechado o câmbio quando a cotação da moeda americana era mais favorável às compras externas, provavelmente haverá repasse porque a conta que o empresário faz é custo de reposição do produto.
Com o dólar mais alto, o custo aumenta. “É possível que haja um aumento de 10% nos preços em reais dos manufaturados no Natal”, prevê Castro.
“O dólar terá impacto nos preços dos produtos, seja no arroz, no feijão ou no iPad”, afirma Antonio Pargana, presidente da Cisa Tranding, que administra as importações da Apple no Brasil.
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20/09/2011 - 04:24 Enviado por: aluisio de oliveira braga
O comerciante não precisa se preocupar, o negócio é só aumentar os preços, e pronto! Quem se dá mal mesmo é o consumidor que paga toda essa conta.
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