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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
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Demora do governo pode afugentar a BMW

Categoria: Empresas, Impostos, Indústria

CLEIDE SILVA

A demora do governo em anunciar o novo regime automotivo — esperado desde o fim de 2011 — atrasa planos de novas montadoras no País. A última data prevista foi esta semana. Dependendo do conteúdo, o novo regime pode afugentar investimentos, ao contrário do que pretende o Palácio do Planalto.

Ontem, o diretor de produção da BMW, Frank-Peter Arndt, disse na Alemanha que o grupo pode desistir de construir uma fábrica local, em Santa Catarina ou São Paulo. “Não iremos para o Brasil para termos prejuízo”.

A fábrica deveria ter sido anunciada em novembro. Foi postergada por causa da medida que aumentou o IPI em 30 pontos porcentuais para carros importados (que não tenham 65% de nacionalização). Na época, o governo avisou que empresas com planos de produção local teriam regime especial.

“Estamos aguardando a divulgação do novo regime para avaliar todo o projeto, refazer as contas e ver se é viável ou não”, disse ontem o presidente da BMW do Brasil, Henning Dornbusch. Segundo ele, a fábrica “é muito interessante” para o grupo, mas a matriz está preocupada com as novas regras para o setor no País.

IPI
A alta do IPI deve ser mantida além de 2012. Novas montadoras, segundo fontes, terão direito a um crédito presumido. Ainda não se sabe se será devolvido quando a fábrica iniciar operação ou se haverá agenda progressiva de acordo com o cumprimento de etapas da produção.

A BMW vê com dificuldade a primeira opção, pois teme que nos três anos em que a fábrica estiver em construção terá de trabalhar com preços mais altos, o que pode dificultar a formação de caixa e ampliação da rede. No ano passado, a marca abriu 11 concessionárias, processo interrompido neste ano.

Sobre o conteúdo regional, é possível que o governo estabeleça 45% para o primeiro ano, 55% para o segundo e 65% para o terceiro. Mesmo o índice menor é visto com relutância por algumas empresas, como o grupo Brasil Montadora de Veículos, que planeja fábrica no Espírito Santo para montar os modelos chineses Haima e Changan, e o coreano Ssangyong. O grupo avisou que o projeto só será confirmado se houver flexibilização do regime.

As chinesas JAC e Chery informaram ontem que mantêm inalterados seus cronogramas de construção de fábricas no Brasil. Todos os projetos de novas montadoras já haviam sido anunciados, embora o governo tem dito que a medida do IPI atraiu novos fabricantes.

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